SAÚDE: SEMANA DA LUTA ANTIMANICOMIAL

As doenças mentais, os manicômios e a luta antimanicomial

O ator Jack Nicholson, no filme Um Estranho no Ninho. Foto: Desconhecido.

Estamos no Mês da Luta Antimanicomial (MLA). O movimento surgiu em 18 de maio de 1987 na cidade de Bauru, São Paulo. E foi instituído graças a um manifesto público a favor da extinção dos manicômios e de seus tratamentos desumanos.

A luta dos profissionais de saúde mental é pela garantia dos direitos das pessoas que sofrem de transtornos mentais e de problemas relacionados ao uso de álcool ou de drogas. Os profissionais defendem que todos têm direito fundamental à liberdade, à vida em sociedade e ao cuidado de forma digna e com qualidade.

De acordo com Michel Foucault, em A história da loucura na idade clássica, o primeiro hospício teria surgido no século VII dentro da cultura árabe. Na Europa, as primeiras unidades surgiram no século XV, durante a ocupação árabe na Espanha. Os manicômios foram criados com o intuito de isolar e tratar pessoas com doenças mentais. Mais tarde, pelo século XVII, abrigaram também pessoas marginalizadas.

Entre as práticas executadas nos hospícios, podem ser citadas:

  • Práticas de sangria
  • Isolamento em quartos escuros
  • Banhos de água fria
  • Rodopios através de equipamentos giratórios
  • Choques através de descargas elétricas

No século XIX, o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol relatou:

“Eles são mais mal tratados que os criminosos; eu os vi nus, ou vestidos de trapos, estirados no chão, defendidos da umidade do pavimento apenas por um pouco de palha. Eu os vi privados de ar para respirar, de água para matar a sede, e das coisas indispensáveis à vida. Eu os vi entregues às mãos de verdadeiros carcereiros, abandonados à vigilância brutal destes. Eu os vi em ambientes estreitos, sujos, com falta de ar, de luz, acorrentados em lugares nos quais se hesitaria até em guardar bestas ferozes, que os governos, por luxo e com grandes despesas, mantêm nas capitais.”

Por esse período, existiam duas correntes de pensamento em relação ao tratamento dos pacientes:

  • Uma defendia o tratamento através de práticas psico-pedagógicas e das terapias afetivas
  • A outra defendia o tratamento físico, porque se acreditava que as doenças mentais tinham origem em algum tipo de lesão ou deficiência física

No Brasil, o MLA defendeu a reforma manicomial: que extinguisse os manicômios e oferecesse serviços de práticas inovadoras. No final da década de 80, em São Paulo, foi criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), no modelo de consultas esparsas para renovação de receitas e uma pequena oferta de psicoterapias.

Aos poucos, o projeto foi crescendo e junto aos CAPS vieram os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), as residências para egressos do hospital, as cooperativas de trabalho, os projetos culturais, entre outras iniciativas. Em 2002, foram estabelecidas as políticas de saúde mental na Portaria/GM nº 336 e, com elas, veio fechamento de diversos hospitais psiquiátricos públicos e privados inadequados para a assistência à saúde.

Este ano, o MLA continua com as suas programações. Esta terça-feira, 13, pacientes de Itajaí saíram às ruas junto com os profissionais de saúde em uma caminhada de conscientização às causas da luta. Veja em reportagem realizada pelo Balanço Geral Itajai SC.

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2001 apontaram que cerca de 450 milhões de pessoas no mundo sofrem de doenças neuropsiquiátricas, como transtornos
mentais ou neurobiológicos, ou de problemas psicossociais como os relacionados
com o abuso do álcool e das drogas. E mais, 24% de todos os pacientes atendidos por profissionais
de atenção primária sofrem de um ou mais transtornos mentais.

É muito importante que esse trabalho seja divulgado. Não somente o realizado pelo MLA como o do próprio CAPS. Apesar do movimento e da demanda, o Brasil ainda precisa investir muito nesse sistema, que tem trazido tantas vivências e oportunidades aos seus pacientes.

Autoria: Deborah Braga

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