PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTA SEGUNDA-FEIRA

Por G1

 

O mundo político e o mercado repercutem nesta segunda-feira (25) a troca de farpas entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no fim de semana sobre a articulação política do governo e a reforma da Previdência. O rompimento da barragem em Brumadinho completa dois meses com o risco de outra estrutura da Vale colapsar, desta vez em Barão de Cocais. Saem os dados de empregos com carteira assinada no Brasil em fevereiro. O que é notícia hoje:

NACIONAIS

Reforma da Previdência

O mercado e o mundo político devem repercutir hoje o duelo de declarações travado na noite de sexta e durante todo o sábado por Bolsonaro, que estava no Chile, e Rodrigo Maia, que estava em São Paulo. O presidente da Câmara afirmou ser “importante que o governo acerte na articulação” e que Bolsonaro “não pode terceirizar a articulação, como ele estava fazendo”. Antes de voltar para o Brasil, o presidente questionou “o que é articulação?”. “O que está faltando eu fazer?”.

Selo Rodrigo Maia responde a Jair Bolsonaro — Foto: Montagem/G1

Selo Rodrigo Maia responde a Jair Bolsonaro — Foto: Montagem/G1

Ontem, o líder do governo na Câmara discutiu a articulação da Previdência com Bolsonaro e disse que o “clima vai arrefecer”: “a gente vê disposição dos dois Poderes aí de aproximar”.

Barragens da Vale

Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completa dois meses, e outra estrutura de contenção de rejeitos da empresa corre o risco de estourar: a barragem Sul Superior, na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais.

Hoje é feriado na cidade e haverá treinamento para cerca de 6 mil pessoas (20% da população). Caso a estrutura se rompa, as cidades de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo também podem ser atingidas.

A barragem Sul Superior fica na Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

A barragem Sul Superior fica na Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

Carteira assinada

O governo divulga às 14h os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro. Em janeiro, o país criou 34,3 mil empregos formais (queda de 56% ante 2018).

Imposto de Renda

Selo Imposto de Renda 2019 Vale — Foto: Infografia: Juliane Monteiro/Editoria de Arte G1

Selo Imposto de Renda 2019 Vale — Foto: Infografia: Juliane Monteiro/Editoria de Arte G1

Lollapalooza 2019

Curtas e rápidas

Futebol

No Campeonato Carioca, o Flamengo venceu o Fluminense. No Paulista, o São Paulo venceu e o Corinthians, empatou. Nos campeonatos mineiro e gaúcho, Atlético-MG e Grêmio golearam. Veja os gols do Fantástico:

Gols do Fantástico: veja resultados dos jogos dos estaduais pelo Brasil

Gols do Fantástico: veja resultados dos jogos dos estaduais pelo Brasil

Hoje é dia de…

  • Dia Nacional da Comunidade Árabe
  • Dia da Criança
  • Dia Nacional do Oficial de Justiça

Desligou no fim de semana? Veja o que foi notícia

O ator, dramaturgo e cineasta brasileiro Domingos Oliveira posa para foto em seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em julho de 2013 — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo

O ator, dramaturgo e cineasta brasileiro Domingos Oliveira posa para foto em seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em julho de 2013 — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo

Aviões da Força Aérea da Rússia pousam em Caracas, na Venezuela, no sábado (23) — Foto: Carlos Jasso/Reuters

Aviões da Força Aérea da Rússia pousam em Caracas, na Venezuela, no sábado (23) — Foto: Carlos Jasso/Reuters

MEC vai deixar de avaliar a alfabetização das crianças

Ministério da Educação (MEC) decidiu não avaliar este ano o nível de alfabetizaçãodas crianças brasileiras. Resultados anteriores têm mostrado que mais da metade dos alunos de 8 anos não consegue localizar informações em textos de literatura infantil ou escrever corretamente palavras como lousa e professor.

Por causa do desempenho preocupante das crianças, a gestão de Michel Temer anunciou em 2018 que passaria a checar a alfabetização mais cedo, aos 7 anos de idade (2o ano do ensino fundamental). A prova deveria ser feita no mês de outubro deste ano.

No entanto, portaria publicada nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelos exames, exclui as crianças de 7 anos das provas nacionais. Elas também não farão os exames de Matemática.

Estão mantidas as avaliações para os estudantes do fim dos ciclos do ensino fundamental, ou seja, 5o ano e 9o ano, e do ensino médio, no 3o ano.

As provas fazem parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que existe desde os anos 90 no Brasil e aplica testes de Português e Matemática. São a partir dos resultados do Saeb que o MEC calcula o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que se tornou o grande indicador de qualidade do ensino no País.

A alfabetização é considerada o momento mais importante da educação de uma criança. Especialistas enfatizam que um aluno alfabetizado de maneira insuficiente dificilmente terá condição de continuar aprendendo na escola.

Sem avaliação neste ano, perde-se a possibilidade de comparação para saber se as crianças estão melhorando ou piorando. A alfabetização havia sido medida em 2014 e 2016 e agora não há informações sobre quando voltará a ser avaliada. A portaria também não informa as razões da mudança.

Uma política nacional de alfabetização para melhorar os resultados no País foi colocada entre as prioridades para os 100 dias do governo de Jair Bolsonaro. Na semana passada, Estado revelou a minuta do decreto que deve implementar a medida. O texto foi criticado por educadores por enfatizar um método de alfabetização, o fônico, considerado antiquado e muito tecnicista. O decreto também dizia que deveria ser priorizada a alfabetização aos 6 anos, ou seja, mais cedo ainda, no 1o ano.

Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que reúne os objetivos de aprendizagem para todos os anos escolares e que foi aprovada em 2017, diz que a alfabetização deve estar concluída ao fim do 2o ano. A BNCC também não prioriza nenhum método para que se ensine a ler e a escrever. Escolas particulares de elite em São Paulo, por exemplo, mesclam os modelos existentes para garantir a aprendizagem das crianças.

Outra mudança foi com relação à prova para a educação infantil (0 a 5 anos). Pela primeira vez na história do País, havia a previsão de todas as creches e pré-escolaspassarem por avaliações. As crianças não fariam testes, mas todos os professores e responsáveis pelas escolas responderiam a questionários sobre estrutura, projeto pedagógico, materiais. Agora, a portaria prevê que apenas uma amostra seja avaliada, “em caráter de estudo-piloto”.

Pesquisas no mundo inteiro têm mostrado que uma educação infantil de qualidade é crucial para o desenvolvimento das crianças.

Pela primeira vez também todos os alunos de 9o ano fariam provas Ciências da Natureza e Ciências Humanas. O Inep agora decidiu que só uma amostra, que ainda será selecionada, passará pelos novos exames.

A opção pela amostragem em vez de avaliar todos os alunos indica uma intenção de economizar recursos, mas especialistas questionam se haverá influência nos resultados. Na educação infantil, por exemplo, como nunca foi avaliada, existe a dificuldade de se calcular uma boa amostra já que não se conhece o universo.

O Saeb foi uma das decisões que atrasada por causa das disputas internas no MEC e o enfraquecimento do atual ministro Ricardo Vélez Rodríguez. A portaria precisava ser publicada para que outros procedimentos da prova prosseguissem.

No dia 26 de dezembro do ano passado, a gestão do MEC no governo Temer havia publicado uma portaria justamente com as regras para o Saeb de 2019. O documento de agora substitui o anterior.

BLOG RENATA CAFARDO / ESTADÃO CONTEÚDO

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‘É preciso desligar o Twitter’, diz dono da Riachuelo sobre o governo Bolsonaro

O empresário Flávio Rocha, do Grupo Guararapes (Riachuelo) e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), criador do movimento político conservador “Brasil 200”, afirma que o governo de Jair Bolsonaro “precisa desligar o Twitter” para conseguir aprovar a reforma da Previdência. Presente no Fórum Lide de Varejo, que ocorreu neste sábado no litoral paulista, ele, que foi um dos primeiros empresários a aderir à campanha de Jair Bolsonaro, se recusa a criticar o governo, dizendo que há uma “curva de aprendizagem”, mas cobra um posicionamento mais firme em prol da reforma.

Nesta semana o governo viveu uma série de situações que podem colocar em risco a aprovação da reforma…

Eu mudei a minha cabeça no sentido de não me angustiar diante destas mudanças bipolares, espasmódicas de humor. O que me tranquiliza é que a mudança aconteceu na base, na raiz, na cabeça do povo brasileiro. Então eu acho que o gigante despertou. O gigante são os 98% da população brasileira que paga a conta desta farra (da Previdência sem reforma). Esse era um gigante que estava em sono profundo. E a mudança não virá de um protagonista, de um ou outro agente político, a mudança virá da conscientização que aconteceu da população brasileira.

Mas os problemas desta semana não colocam em risco a tramitação da reforma?

Sem dúvida, mas acho que prevalece o bem maior que é o Brasil, que é a salvação do Brasil. Eu acho que estas questões serão colocadas no seu devido lugar, serão colocadas à margem e vai preponderar o que é fundamental e o que é essencial.

O otimismo econômico do começo do ano já está se reduzindo, diante dos problemas da tramitação da reforma?

Eu acho que a questão fundamental é se a reforma da Previdência passa ou não. O marco divisor de águas, principalmente para o investimento externo, é uma demonstração concreta que a reforma da Previdência vai passar. Mas acho que quem decide este investimento está esperando uma demonstração um pouco mais concreta de que a reforma passa.

Mas existe a possibilidade de a reforma não passar?

Não, eu não acho que há a possibilidade da reforma não passar, eu acho que ela vai passar e com efeito fiscal relevante.

A agenda econômica do Paulo Guedes será afetada pelas polêmicas do governo?

Nós temos que estar vacinados contra os que querem manter as coisas do jeito que estão. Os anti-reformistas são estes que querem tumultuar o processo. Mas nós temos que filtrar estas intenções, que são, antes de mais nada, antipatrióticas.

Como o senhor avalia o começo do governo Bolsonaro?

Nós nunca tivemos um pacote de ideias tão boas. Essa eleição foi ganha claramente com ideias que costumavam ser onerosas politicamente no Brasil, que é a ideia do Estado pequeno, de privatização, bandeiras que nunca haviam sido assumidas. Isso dá força a este discurso. Eu acho que finalmente chegaram ao Brasil os ideias que construíram todos os cases de prosperidade no resto do mundo.

O governo começou bem?

Eu acho que há uma curva de aprendizado, o povo queria renovação e o custo da renovação é esse, pessoas que ainda estão aprendendo o jogo político, mas estão aprendendo muito rapidamente. Eu cito como exemplo o ministro Paulo Guedes, que não tinha os cacoetes do político, mas está aprendendo rapidamente a lidar com o Congresso. As pessoas bem intencionadas aprendem rápido.

A popularidade do governo caiu muito rápido. Isso é um risco?

É que uma das trincheiras dos privilégios de uma visão antagônica desta visão liberal e conservadora deste governo tem muita força de comunicação. Isso realmente traz um efeito de desgaste, há um verdadeiro “bullying” de comunicação em torno das ideias liberais e das ideias conservadoras que são a espinha dorsal deste governo.

Que conselho o senhor daria ao governo?

Eu acho que tinha que desligar o Twitter. Se o Carlos Bolsonaro quer ajudar, comportamentos típicos de campanha têm de ser deixados para trás e agora tem que ser um comportamento típico de agregação. Agora é hora de construir, de aglutinar, a eleição foi ganha, conscientizando uma grande maioria que não sabia da força que tem, que é o contigente dos liberais na economia e conservadores nos costumes. Mas agora a hora é de alargar este leque.

O GLOBO

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Dilma é ofendida em aeroporto na Espanha por grupo de brasileiros

filósofa e ativista Djamila Ribeiro relatou em suas redes sociais ataques verbais de um grupo de brasileiros contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no Aeroporto Adolfo Suárez, em Madri, na Espanha.

De acordo com ela, o grupo ofendia e fazia ameaças contra a petista. A assessoria da ex-presidente confirmou o episódio.

“Eu e Ísis (Vergilio, produtora) prontamente nos solidarizamos e começamos a defendê-la. O grupo foi se calando e policiais se aproximaram para fazer a segurança de Dilma”, relatou Djamila. “Ficamos conversando alguns minutos com ela e, assim que nos despedimos, o grupo voltou a gritar e a ofender Dilma.”

Djamila pediu respeito e chamou o processo de impeachment contra Dilma de “golpe”. “Dilma nem está mais no poder, sofreu um golpe, Lula está preso, Bolsonaro ganhou a eleição, o que mais essas pessoa querem? Desejar o assassinato dela? É revoltante. Essas pessoas estão contaminadas pelo ódio”, escreveu.

NOTÍCIAS AO MINUTO

 

MPF denunciará Temer duas vezes para Bretas

O Ministério Público Federal (MPF) vai apresentar esta semana ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal no Rio, duas denúncias contra o ex-presidente Michel Temer e outros envolvidos no esquema revelado na última quinta-feira pela Operação Descontaminação.

Na primeira denúncia, ele será acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro pelo suposto desvio de R$ 1 milhão de um contrato de prestação de serviços de mídia para o Aeroporto de Brasília. Na segunda, responderá por crime de peculato pelo favorecimento de uma empresa ligada ao ex-presidente nas obras da usina nuclear de Angra 3, na Costa Verde.

A defesa do ex-presidente Temer tem negado os crimes e classificou como “abuso de direito” a prisão preventiva.

Se Bretas acolher as denúncias, Temer vai virar réu em dois processos desdobrados da Lava-Jato no Rio. Em ambos, ele aparecerá associado ao ex-coronel da Polícia Militar paulista João Baptista Lima Filho, apontado pelas investigações como o operador do ex-presidente. O coronel Lima figura nas denúncias como principal beneficiário de desvios nos contratos de Angra 3 e Aeroporto de Brasília.

A força-tarefa do MPF, que tem pressa em formalizar as acusações, passou o último fim de semana analisando provas colhidas nas ações de busca e apreensão de quinta-feira contra o grupo de Temer.

Delação como base

A Descontaminação teve como base a delação do empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da construtora Engevix. A colaboração foi cruzada com outras provas, como os e-mails apreendidos com o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva.

Sobrinho sustenta que Temer se beneficiou de uma propina de R$ 1 milhão, paga pela Engevix como recompensa por um contrato de R$ 162 milhões da empresa com a Eletronuclear para execução de projeto em Angra 3. Para participar da obra, a empreiteira teve de concordar com a inclusão de uma empresa do coronel Lima, a Argeplan, no consórcio vencedor, também formado pela finlandesa AF Consult. Embora não comprovasse expertise no setor e nem sequer tivesse participado da obra, a Argeplan ficou com uma fatia de R$ 10 milhões.

No curso desse contrato, celebrado em 2010, a força-tarefa apurou que coronel Lima solicitou ao sócio da Engevix o pagamento de propina, em benefício de Temer. Como não havia uma brecha para o desvio do dinheiro da Eletronuclear, o caminho encontrado por Sobrinho para repassar R$ 1 milhão ao coronel Lima foi a empresa Alumi Publicidades, que prestava serviços de mídia para o aeroporto de Brasília e era controlada pela Engevix. Segundo a investigação, a Alumi firmou um contrato fraudulento com a PDA, também ligada a Lima, para viabilizar a propina em outubro de 2014.

Sobrinho disse que a operação no Aeroporto de Brasília contou com a ajuda do então ministro da Secretaria Nacional de Aviação Moreira Franco. Coronel Lima e Moreira estão entre os presos da operação de quinta-feira e também serão denunciados à 7ª Vara Federal Criminal.

A força-tarefa sustentará nas denúncias que Temer contava com uma rede de pessoas físicas e jurídicas nos esquemas de lavagem de ativos. Para defender que o ex-presidente permaneça preso, o MPF dirá que o grupo continua recebendo e movimentando valores ilícitos, além de permanecer ocultando recursos desviados, inclusive no exterior.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Justiça liberta mais um preso na operação que levou Temer à prisão

A desembargadora Simone Schreiber, plantonista do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, determinou na tarde deste domingo, 24, a libertação de Carlos Jorge ZimmermannFoi o segundo preso da Operação Descontaminação a ter o pedido de habeas corpus acatado.

Na ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, na semana passada, foram levados à cadeia o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outras oito pessoas.

No despacho, a desembargadora estende a Zimmermann a decisão que libertou ontem Rodrigo Castro Alves Neves. Os dois foram presos em caráter temporário, diferentemente dos outros oito presos na operação, cuja reclusão é preventiva. Eles são acusados de receber recursos da Eletronuclear por meio de contratos fictícios e repassar para o ex-presidente.

A desembargadora entendeu que prisões temporárias e preventivas para efeito de interrogatório de investigados, conforme justificado pelo juiz Marcelo Bretas, são inconstitucionais. Para ela, ferem igualmente os princípios de não autoincriminação e de presunção de inocência.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Cresce insatisfação no partido de Bolsonaro com articulação política do governo

A insatisfação com a articulação política do governo Jair Bolsonaro subiu de patamar no PSL, partido do presidente. Deputados foram avisados de que o líder da sigla na Câmara, Delegado Waldir (GO), vai reunir a bancada na quarta (27) para definir o que chama de nova postura em relação ao Planalto. Os parlamentares dizem que arcam com o desgaste de defender o governo, mas não recebem nada em troca –nem sequer prestígio. O recado é: ou Bolsonaro muda, ou eles tiram o corpo fora.

Após o encontro da bancada, o PSL vai pedir uma reunião com o próprio Bolsonaro. O objetivo é saber se a parceria é recíproca. “Não podemos assumir o papel de boi de piranha e de paredão de proteção do Planalto”, reclama um dos líderes da sigla.

A rebelião, no entanto, é contornável, avaliam parlamentares do partido. O PSL não vai se opor à pauta do governo no Congresso, mas pleiteia um canal de diálogo permanente com Bolsonaro.

Uma ala defende, inclusive, que o presidente abra mais espaço para o PSL no governo. Esse grupo fala, por exemplo, que a deputada Bia Kicis (PSL-DF) tem todas as credenciais para assumir o Ministério da Educação.

O Planalto sinaliza, porém, que Bolsonaro vai ignorar os pedidos de parlamentares e manter o discurso de que não negocia sob o que chama de velha política, mesmo que a reclamação venha de seu partido.

PAINEL / FOLHA

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Investidores da Bolsa pisam no freio após embate entre Bolsonaro e Maia

A briga política travada entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já custa caro a investidores: 7.000 pontos do Ibovespa, o principal índice do mercado acionário brasileiro, em apenas três dias.

E o posicionamento do pequeno investidor por manter, vender ou comprar ações daqui para frente dependerá da revisão das próprias expectativas sobre a viabilidade da reforma da Previdência após a turbulência política.

“A situação da reforma é muito mais frágil do que o mercado imaginava. A piora foi muito rápida”, afirma Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos.

“A realidade não era o que a gente estava vendo no começo da semana [passada]”, acrescenta Michael Viriato, professor de finanças do Insper.

Antes de despencar do recorde de quase 100 mil pontos para os atuais 93 mil, investidores tinham a sensação de que a Bolsa brasileira iria em uma linha reta de valorização, avalia Viriato.

O ganho do ano, porém, não está completamente perdido. A queda entre quarta (20) e sexta-feira (22) foi de 5,9%, mas desde o início de 2019 o índice Ibovespa ainda acumula ganho de 6,7%.

Viriato se considera entre o grupo de conservadores e projeta que o Ibovespa poderá terminar o ano ao redor de 110 mil pontos. Representaria uma valorização de 25% no ano e de 17% ante o fechamento de sexta, mas é preciso que a reforma saia.

Projeções otimistas chegaram a apontar o Ibovespa em 140 mil pontos em dezembro.

“Esse é o momento de fazer posição. Ninguém ganha dinheiro em dia bonito. Quem comprou na segunda [quando a Bolsa bateu pela primeira vez os 100 mil pontos] perdeu dinheiro”, afirma Candido.

Fazer posição, no jargão do mercado, é comprar ou vender um ativo baseado em suas expectativas futuras.

Resumindo: quem acredita que a reforma passará poderia comprar ações, enquanto o investidor pessimista após a crise deveria vendê-las. Isso seguindo a avaliação majoritária do mercado de que apenas as novas regras para aposentadoria serão capazes de fazer a economia crescer.

Após o dominó de notícias frustrantes —como a proposta de reforma dos militares, a queda de popularidade de Bolsonaro e a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB)—, o mercado financeiro começou a questionar a viabilidade de aprovação das novas regras para a aposentadoria.

A dúvida é ainda maior sobre a economia necessária —o projeto prevê corte de R$ 1,1 trilhão em dez anos.

O medo de que a disputa política coloque tudo a perder levou a uma enxurrada de declarações de economistas e analistas do mercado financeiro, em público e privado, até mesmo com comparações entre Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

“Esse choque é educativo: se o governo não aprender com isso, o mercado vai rever posições”, diz Candido. Essa é a pressão para que o presidente ceda na queda de braço com o presidente da Câmara.

No sábado (23), Bolsonaro e Maia continuaram o bate-boca sobre a responsabilidade de articulação da reforma.

Para o presidente, seu papel está cumprido ao submeter o texto ao Congresso, enquanto Maia afirma que há terceirização de responsabilidade. Neste domingo (24), o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo, se reuniu com Bolsonaro para uma reaproximação.

Analistas lembram que, além da deterioração do cenário doméstico, no exterior a virada também foi rápida.

Na quarta, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) sinalizou que a desaceleração americana já justifica a manutenção dos juros do país entre 2,25% e 2,5%. Depois, dados da economia alemã ajudaram a disseminar o pânico de recessão global.

A possível crise apareceu na inversão da curva de juros dos EUA, o que ocorre quando os juros de longo prazo ficam abaixo dos de curto prazo.

Mantida a inversão, é um indicativo de que a economia do país passará por uma recessão, com risco de contágio. Com ou sem reforma, o Brasil não passaria incólume.

FOLHAPRESS

Fonte: Blog do BG

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