POESIA: FELIZ DIA DAS MÃES, UMA HOMENAGEM

Na coluna POESIA deste sábado, véspera de Dia das Mães, a nossa colunista Déborah Braga faz uma homenagem.

Dia das Mães e o presente perfeito

Foto: Nathalia Braga.

O livro

A minha mãe não é como as outras mães. E eu já sei o que você vai dizer: Lógico, nenhuma mãe é igual! Pode ser, mas não é a diferença que a literatura vende, pelo menos. Lá em casa, somos todos leitores. E quando se fala em aniversários, dia das mães, dia dos pais e natal, corremos todos para a livraria. Mas, claro, um de cada vez, porque a cidade é pequena e gostamos de fazer surpresa. Para mim, não existe presente melhor do que um livro:

  • É barato
  • Lhe dá um monte de informações
  • E você ainda escolhe o que fazer com elas

Para o dia das mães, eu queria dar um livro incrível, mas dessa vez, eu queria dar um livro sobre mães. Não somente pela ocasião, mas porque, dessa vez, eu queria fazer diferente, eu queria homenagear a minha mãe, pela primeira vez. Sim, porque homenagens da escola primária não contam.

Muito empolgada com as capas dos livros com esse tema maternal, de repente, eu me deparei com um problema. Ao ler os conteúdos, pareciam-me todos iguais. Na verdade, isso seria maravilhoso, se a minha mãe fosse como as mães desses escritores. Era só escolher o mais barato e estava feito. Aliás, eu estava feita. Realizada. Mas, como eu falei, anteriormente, a minha mãe não é igual às outras.

A homenagem

Fazer uma homenagem para a minha mãe nunca foi tarefa fácil.

  • Primeiro, porque eu não tinha maturidade suficiente para isso.
  • Segundo, porque eu não tinha maturidade suficiente para isso.

O óbvio é simples, é fácil, é descritível, é aceitável, é belo. Mas o amor que a minha mãe me oferece é algo tão complexo que foram precisos exatos 29 anos para compreender. Para compreender que tudo que ela fez e faz é realmente para o meu bem. Isso não significa dizer que ela tudo sabe. Ela não sabe. Ninguém sabe. Mas tudo que a gente sabe, a gente tem como verdades. E são essas verdades que nos levam a tomar decisões e a trilhar os nossos caminhos.

Agora, imagine, você, que, muitas vezes, não conseguimos lidar nem com nós mesmos. Quão grande pode ser a responsabilidade de ser uma mãe? Ter que lidar com outro ser que acabou de nascer. É um livro inteirinho com páginas absolutamente em branco. Que nome eu vou dar a essa história? Sobre o que será? Como começá-la? Qual vai ser o desenrolar? E o final? O que escrever, agora, para ter um final feliz?

Parece compreensível, finalmente, por quê gostamos de livros. Acho que queremos ver o máximo de histórias para podermos construir outras. E queremos que esses livros façam sucesso. Queremos lançar best-sellers.

O complexo

O maior bem que possuo é a minha família. Não porque são pessoas com as quais posso contar a qualquer momento, mas porque são pessoas que ajudaram a escrever a minha história. Não que seja uma história revolucionária, envolvendo sucesso financeiro, famosidade, nada disso. Mas justamente por, mesmo não havendo nada disso, eu ainda me considerar uma pessoa feliz. Não realizei quase nenhum sonho que projetei para mim, mas mesmo assim estou feliz.

Como costuma dizer o meu tio Neo – o meu guru favorito – “sonhos mudam porque pessoas mudam”. Heráclito? é o meu guro favorito número 2: “ninguém entra duas vezes no mesmo rio”. E você o atravessou comigo tantas vezes, mãe. Obrigada, por ter ajudado a escrever a minha felicidade. Hoje, eu vejo quão belo é o complexo e quantas possibilidades eu tenho para escrever uma nova história. Obrigada por isso, mãe. Obrigada por tudo.

Autoria: Deborah Braga

 

 

 

Este post tem 2 comentários

  1. Sublime!

    1. Agradeço o elogio, Leila

Deixe uma resposta

Fechar Menu