ECONOMIA: CONHEÇA A LEI DE JEAN BAPTISTE SAY QUE É A GUARDIÃ DA CONTINUIDADE DA CIVILIZAÇÃO

Na sessão ECONOMIA deste sábado vamos aprender um pouco mais sobre os princípios que regem  a economia de mercado segundo a Lei de Jean-Baptiste Say que questiona: quem nasceu primeiro a demanda ou a oferta? Então descubra a resposta a esse questionamento lendo o artigo a seguir.

Eis a lei econômica irrefutável que é o antídoto para as mais populares falácias econômicas

Não é exagero dizer que Jean-Baptiste Say e sua lei são os guardiões da continuidade da civilização

 

Por que duas pessoas decidem, livre e voluntariamente, transacionar entre si?

Simples: porque elas acreditam que irão melhorar sua situação após a troca. Elas não fariam a troca caso esperassem ficar em pior situação.

E no que consiste essa transação livre e voluntária entre duas pessoas? Consiste no oferecimento mútuo de bens e serviços.

E este é o ponto crucial para entender aquele princípio que foi rotulado de Lei de Say. E esta lei explica os principais fenômenos da economia.

Por que você trabalha?

Ver uma transação econômica entre duas pessoas como um oferecimento mútuo de ambos os lados mostra que o fenômeno da oferta e da demanda não é um problema sem solução, como a charada do ovo e da galinha.

O indivíduo produz aquilo que, em sua melhor estimativa, imagina que outras pessoas irão querer consumir. E ele faz isso na expectativa de que essas outras estão produzindo ou irão produzir aquilo que ele quer consumir.

Falando mais coloquialmente, as pessoas acordam cedo e vão produzir (trabalhar) para tentar atender às demandas de terceiros. Caso sejam bem-sucedidas em atender a demanda de terceiros, elas serão recompensadas (remuneradas) por isso. Essa remuneração irá agora lhes permitir demandar bens e serviços para satisfação própria.

As pessoas trabalham em troca de dinheiro não pelo dinheiro em si próprio. Como diz o ditado, você não pode “comer dinheiro”. Você demanda dinheiro por causa dos bens e serviços que poderá obter com esse dinheiro.

Ou seja, ao produzir e ofertar para terceiros, e consequentemente ganhar dinheiro, você pode agora utilizar esse dinheiro para demandar bens e serviços para proveito próprio.

Obviamente, de nada adianta apenas produzir e ofertar para terceiros: esses terceiros têm de querer adquirir essa produção. Caso isso não ocorra — isto é, caso as pessoas não se interessem por adquirir a sua produção —, você não será recompensado por isso. E, logo, não terá como demandar bens e serviços.

A produção, portanto, sempre será um ato inerentemente especulativo.

Em pequenos arranjos sociais, essa especulação normalmente não é muito difícil. Duas pessoas náufragas em uma ilha tropical, por exemplo, podem discutir antecipadamente o que cada uma fará e oferecerá para a outra. Em arranjos sociais mais amplos, formado por milhões de indivíduos, essa especulação é bem mais difícil. É aí que entra em cena o sistema de preços livres e de transações monetárias: para ajudar as pessoas a descobrirem o que as outras querem por meio dos sinais enviados pelo sistema de preços — que expressam as preferências dos consumidores, e mostram quais bens e serviços estão mais escassos e quais estão mais abundantes —, os quais permitem a criação do mecanismo de lucros e prejuízos.

Mas a essência especulativa não se altera: as pessoas produzem aquilo que julgam que as outras querem, na expectativa de que essas outras irão, em troca, fornecer aquilo que as primeiras querem.

A Lei de Say, portanto, pode ser descrita da seguinte maneira: o valor dos bens e serviços que qualquer indivíduo pode comprar é igual ao valor de mercado daquilo que ele pode ofertar. Ou, em um sentido macroeconômico agregado, o valor dos bens e serviços que qualquer grupo de pessoas pode comprar no agregado é igual ao valor de mercado daquilo que elas podem ofertar no agregado.

A Lei de Say, portanto, simplesmente expressa a realidade de que nós produzimos para poder consumir.

Sempre verdadeira

A Lei de Say sempre será verdadeira e para sempre permanecerá irrefutável porque ela se refere ao conceito subjetivo da valoração.

A oferta colocada no mercado sempre fornecerá o meio com o qual o ofertante poderá comprar outros bens e serviços — mas somente na mesma extensão do valor subjetivo atribuído pelos consumidores a essa oferta.

De novo: de nada adianta você produzir e ofertar bens e serviços que ninguém quer, ou bens e serviços cujo valor subjetivo atribuído a eles pelos consumidores seja nulo ou extremamente baixo. Isso não lhe dará poder de compra para satisfazer suas demandas.

No entanto, e este é o principal ponto, mesmo que esta oferta fracasse em criar qualquer poder de compra para seu ofertante — por ter sido considerada completamente sem valor de mercado, como cavar buracos no meio do nada —, isso não revogaria em nada a Lei de Say; ao contrário: seria mais uma manifestação dela própria.

Tal fenômeno também distingue a Lei de Say da teoria do valor-trabalho de Marx: Say reconhece o fato crucial de que o ato de produção, por si só, é insuficiente para criar poder de compra; só cria poder de compra o ato de produzir algo que é valorado por terceiros, os quais também produziram algo de valor no mercado e que, por isso, têm poder de compra e podem adquirir o que você produziu.

Em suma, não é a produção ou o trabalho o que interessam, mas sim o que é produzido e para quem.

Podemos agora entender por que David Ricardo disse que: “Nunca há uma deficiência de demanda; são os homens que erram em sua produção”.

Ricardo estava se referindo ao grande debate sobre “excesso de oferta”, travado no século XIX entre ele e Thomas Malthus, sobre a causa e a cura das recessões econômicas. Malthus defendia a ideia que viria a se tornar a essência do keynesianismo e da corrente econômica convencional: excesso de poupança e poucos gastos, dizem eles, causam um excesso de bens não-consumidos, o que significa que houve excesso de produção. Produtores ficam com mercadorias encalhadas, suas receitas entram em declínio e eles acabam tendo de demitir empregados. Ocorre uma recessão. Malthus, e posteriormente (e com mais ênfase) Keynes, defendem que poupar menos e gastar mais é a solução para recessões.

Mas a validade da Lei de Say mostra que a visão malthusiana-keynesiana está errada. Dado que a demanda é determinada apenas pelos produtos e serviços ofertados no mercado, erros empreendedoriais em grande escala (os quais são revelados na recessão) têm necessariamente de ser o resultado de erros — também em grande escala — cometidos pelos empreendedores, os quais especularam, erroneamente, que o valor de mercado que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços seria maior do que realmente acabaram sendo.

Ou seja, empreendedores — por vários motivos — imaginaram que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços valores maiores do que aquele que de fato foi atribuído. Não houve um ‘excesso de produção’; houve, isso sim, um erro de cálculo quanto ao futuro valor de mercado dessa produção.

Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais. Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores. Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores.

[Veja como toda essa teoria de fato ocorreu na prática no Brasil da última década].

Logo, se empreendedores erraram em sua estimativa e em sua produção — por qualquer motivo —, então a correção deve necessariamente passar pelo rearranjo dos esforços produtivos, isto é, pelo redirecionamento da estrutura de produção da economia, de modo a estimar mais corretamente os desejos dos consumidores e a melhor servi-los.

Isso envolve, entre outras coisas, o deslocamento de trabalhadores de um setor para o outro (o que causa um alto desemprego temporal) e a suspensão (ou mesmo a abolição) de determinadas linhas de produção (o que causa o fechamento de empresas e fábricas).

Esse diagnóstico da recessão é bastante diferente do diagnóstico keynesiano, que enfatiza que houve uma redução da demanda em decorrência de misteriosas flutuações no “espírito animal” dos empresários, o qual deve ser retificado por meio de mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos governamentais.

No diagnóstico da Lei de Say, o governo deve remover ao máximo os obstáculos burocráticos e regulatórios para que os empreendedores possam rapidamente corrigir seus erros e descobrir quais bens e serviços os consumidores realmente querem (e podem comprar). Dado que o mecanismo de preços é a principal fonte de informação dos empreendedores, uma flexibilidade nos preços de mercado é essencial para uma rápida recuperação.

Adicionalmente, uma vez que recursos escassos foram mal alocados em empreendimentos para os quais nunca houve real demanda — o que significa que capital está sendo imobilizado de maneira destrutiva —, é necessário haver ainda mais poupança (e não menos) para que tais ativos possam ser adquiridos por novos investidores e, consequentemente, para que trabalhadores e empreendedores possam ser contratados nesta nova linha de produção.

Se o governo, no entanto, impedir essa correção por meio de política que estimulem a demanda, isso irá apenas subsidiar estes bens que foram produzidos a um custo muito alto. Consequentemente, os erros empresariais serão protegidos e blindados das preferências do consumidor. Os consumidores perderão e os empreendedores ineficientes são premiados. E a economia continuará desalinhada, com a oferta não sendo aquela demandada pelos consumidores.

Ao final, a produção estará em descompasso com a demanda, os empreendedores ruins continuarão no mercado consumindo recursos escassos (e, com isso, prejudicando os mais competentes), os consumidores terão menos poder, e a economia será menos eficiente.

A falta de lógica das políticas de estímulo ao consumo

É quando se entende esta lei básica que se percebe a falta de lógica de políticas de estímulo ao consumo — seja para estimular a economia ou para “curar” recessões.

Por definição, nunca há um “problema de demanda”. Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar. Por isso, a ideia de que é necessário “estimular a demanda” é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

O problema não é e nem nunca foi “estimular a demanda”. O grande problema sempre foi criar a oferta. Mais ainda: criar a oferta que sacie a demanda dos consumidores.

E, como explica a Lei de Say, é exatamente esta oferta o que permitirá ao ofertante auferir a renda que irá possibilitar a sua demanda.

No final, eis o fato incontornável: não é possível aumentar o consumo sem antes haver um aumento da produção. E para que haja um aumento da produção é necessário, acima de tudo, um ambiente que seja propício à produção. Na economia real, se o governo quiser realmente estimular uma maior produção — o que permitiria mais consumo e também crescimento econômico —, ele deveria adotar medidas propícias a facilitar a produção: redução da burocracia, redução das regulamentações, redução das incertezas geradas pelo governo, redução dos impostos, redução dos gastos públicos e, principalmente, maior poupança.

Exatamente o contrário do que propõem vários políticos demagogos e demais “especialistas” no assunto.

Conclusão

Agora é possível entender como a rejeição da Lei de Say — a alegação da dupla Keynes-Malthus de que a demanda gera a oferta, e não a oferta possibilita a demanda — explica como os economistas convencionais atuais pensam sobre a economia, sobre as causas e a cura de recessões, e como eles justificam recorrer ao gerenciamento centralizado do estado para resolver o “problema”.

Se o ato racional e prudente de poupar leva a consequências sociais destrutivas, como diz o keynesianismo, então torna-se fácil recorrer a um corpo burocrático chamado ‘estado’ para impor medidas coercitivas para retificar este erro de mercado.

Se aceitarmos a falácia de que são as ações individuais virtuosas (como a poupança e a frugalidade), e não a intervenção estatal, que geram resultados sociais caóticos, então todas as maneiras de planejamento central podem ser justificadas não apenas em nome do benefício público, mas também como sendo fundamentalmente essenciais.

É a validade da Lei de Say que permanece sendo a guardiã da liberdade econômica e da prosperidade. Sem ela, todas as falácias econômicas passam a justificar a força estatal, a qual é amplificada em nome da salvação pública. E essa medida, como bem atesta a história, é o caminho garantido para a ruína civilizacional.

A Lei de Say continua sendo a guardiã da liberdade econômica, da prosperidade e até mesmo da própria civilização.

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