DICA DE LIVRO: A MENTE IMPRUDENTE, DE MARK LILLA

A coluna DICA DE LIVRO desta quarta-feira traz a crítica do jornalista Euler de França Belém sobre a obra A Mente Imprudente, do autor Mark Lilla, de uma lista de 50 livros para ler em 2019, que estaremos disponibilizando para você a partir de hoje. Confira na matéria da Revista Bula e boa leitura!

50 Livros Para Ler em 2019

Por Euler de França Belém – Revista Bula

50 livros para ler em 2019

Tiranos querem ser ilustrados?

Se a Filosofia tem um santo — uma matriz —, este é Aristóteles (Platão fica próximo, quiçá como santo-júnior). Pois a Editora Autêntica nos presenteia com “Sobre a Arte Poética” (160 páginas), do filósofo grego, numa edição bilíngue. Antônio Queirós Campos e Antônio Mattoso traduziram o texto do original. Vale saudar a Editora É Realizações, que está devolvendo a obra de José Guilherme Merquior às livrarias. “De Anchieta a Euclides — Breve História da Literatura Brasileira” (400 páginas) é um livro magnífico.

A Mente Imprudente — Os Intelectuais na Atividade Política (Record, 195 páginas, tradução de Clóvis Marques)

O americano Mark Lilla é citado, corretamente, como historiador e cientista político. Deveria ser acrescentado: filósofo. Quiçá um filósofo político. “A Mente Imprudente — Os Intelectuais na Atividade Política” (Record, 195 páginas, tradução de Clóvis Marques) contém um ensaio extraordinário, “A sedução de Siracusa”. Conta que Díon pediu ao seu mestre, Platão, que fosse a Siracusa para orientar Dionísio, o Jovem, que “pretendia” ser um rei-filósofo. Mesmo relutante, até por saber que os homens do poder não dão muita importância àqueles que pensam para além da circunstância, o pensador grego decidiu acompanhar Díon. Percebeu, de cara, que Dionísio não dava a mínima para o pensamento verdadeiro, para a iluminação da política. Por certo, queria apenas uma caricatura de ilustração para manter o poder. Depois, Díon convenceu Platão a visitar Siracusa para, mais uma vez, “orientar” Dionísio. A visita deu em nada. Mais tarde, Díon, por meio de um golpe, chegou ao poder. Mas acabou assassinado. Por que, mesmo tendo dúvidas, Platão decidiu ser conselheiro do rei? É o que Mark Lilla explica. “A Mente Naufragada — Sobre o Espírito Reacionário” (Record, 126 páginas, tradução de Clóvis Marques) e “O Progressista de Ontem e o do Amanhã — Desafios da Democracia Liberal no Mundo Pós-Políticas Identitárias” (Companhia das Letras, 104 páginas, tradução de Berilo Vargas), de Mark Lilla, entram na minha lista para leituras frequentes.

Fonte: Revista Bula

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