DE PONTA-CABEÇA: UM ARTIGO PARA REFLEXÃO, DE DEBORAH BRAGA, PADRÃO

Na coluna DE PONTA-CABEÇA desta segunda-feira, Deborah Braga faz uma REFLEXÃO sobre os padrões que são definidos pela sociedade e questiona o que é normal, em PADRÃO. Convido o leitor a ler, refletir e tirar as suas próprias conclusões.

 

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Foto: Desconhecido.

Toda vez que pronuncio a palavra normal, pergunto-me se era realmente isso o que eu queria dizer. Porque normal é absolutamente relativo. E, de fato, depende do seu referencial. Claro que existe todo um aspecto cultural e de legislação por trás de cada um de nós. Mas certos comportamentos saem completamente do escopo cultural ou constitucional. Ou até mesmo ético.

Por exemplo, usar uma meia diferente da outra em cada pé, simultaneamente. Alguém diria, certamente, que elas estão trocadas. Mas quem definiu que elas estão trocadas? Talvez, a indústria viu por bem fabricar meias aos pares, já que temos dois pés? Mas as meias não se diferenciam por pé, correto? E se a indústria optou por fabricar meias aos pares com o intuito de vender sempre pelo menos duas meias e, portanto, sempre faturar mais?

O que eu poderia fazer com uma única meia? Usá-la com qualquer outra que eu achasse bonita. Afinal, quem define como devo me vestir? A indústria da moda define padrões, lança-os para a sociedade e, sublinarmente, afirma que se você não se veste assim ou assado, você não está combinando ou não está em harmonia ou não está de acordo.

De fato, quando vemos o Falcão vestido daquele jeito, parece assustador. Mas vamos fingir que não existem padrões ou que os padrões, agora, são vender meia em unidade e usar cores chamativas com xadrez, listrado, tudo misturado (inclusive, um pouco disso já tem voltado como “tendência” no mundo da moda, não é mesmo?). Será que continuaríamos vendo o Falcão da mesma forma? E, mais, será que esse personagem existiria? Ou será que existiria, mas ele se vestiria segundo os padrões atuais? E o brega, na verdade, seria a forma como os “normais” se vestem hoje?

Algumas pessoas afirmam que ser heterossexual é obviamente o normal porque só o homem e a mulher juntos podem reproduzir. Partindo-se do princípio de que a Terra precisa ser povoada, até pode ser sensato pensar na heterossexualidade como normalidade. Mas digamos que as afirmações preocupantes sobre a redução dos recursos naturais e a superpopulação mundial sejam verdadeiras. Não seria sensato pensar que deveríamos reduzir as nossas procriações? E que, talvez, o homossexual, agora tenha um papel fundamental nesse freio reprodutivo? E que, talvez, o homossexual também seja uma solução para uma redução acelerada dos órfãos no mundo?

Sabe por que ficamos abasbacados com a autenticidade das crianças? Porque elas ainda não entendem de padrões. Ou, pelo menos, não completamente. Se você nunca colocar açúcar no suco de uma criança, ela vai entender que aquele é o sabor normal do suco e quando ela experimentar um suco adoçado, irá estranhá-lo e, provavelmente, reprová-lo. Se você nunca diferenciar uma pessoa negra de uma pessoa branca na frente de uma criança, ela vai entender que o branco e o negro se distinguem exatamente da mesma forma que todas as pessoas são diferentes umas das outras. Se você nunca fizer distinção entre feio e bonito na frente de uma criança, ela somente julgará a beleza pela essência.

Ah, as crianças! Não erraram ao afirmarem que as crianças são o futuro. Já, nós, adultos, estamos fadados ao padrão.

 

Autoria: Deborah Braga

Este post tem 2 comentários

  1. Ótima reflexão para começarmos a semana. Bom dia!

    1. Bom dia, Leila, é um prazer contribuir. Ótima semana!

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