DE PONTA-CABEÇA: SOLIDÃO

A coluna DE PONTA-CABEÇA desta segunda-feira traz uma REFLEXÃO sobre a ambiguidade do medo e da beleza da Solidão. Confira a seguir, reflita e tire as suas próprias conclusões.

Solidão

Pixabay

É incrível o medo que temos da solidão.

Viver cercados de pessoas nos dá certo alívio. Alívio em saber que os momentos são compartilhados, inclusive os de dor. Claro. Não queremos sofrer sozinhos, certo?

É aliviante saber que outras pessoas sentem ou já sentiram o que estamos sentido, agora, e que essa experiência será superada, visto que outros já superaram – por que nós também não?

Da mesma forma, não queremos comemorar sozinhos. Precisamos de alguém para confirmar que não é um sonho, para fazer um Hi-Five ou para nos admirar, nos elogiar e afagar nosso ego.

Parece até que fomos desenvolvidos geneticamente para viver em sociedade 24 horas por dia.

E fomos.

A convivência está marcada em nosso inconsciente coletivo. Por isso, a nossa necessidade de termos parceiros, de formarmos família, de fazermos atividades coletivas, de falarmos mesmo coisas desnecessárias, só porque o silêncio é ensurdecedor.

Não somente a humana, mas todas as demais raças têm a necessidade de viver em bando, tendo como causa, única e exclusiva, a sobrevivência.

Afinal, viver em bando significa, também, trabalhar sempre em equipe, o que é algo extremamente racional, pois não fomos presenteados com todas as habilidades e também definimos que tempo é dinheiro, correto?

Alguns sabem caçar melhor que outros e outros sabem cozinhar melhor que alguns. Alguns conseguem desenvolver melhores habilidades para correr, outros, para nadar. Alguns manejam melhor números, outros, palavras e há ainda quem maneje melhor ferramentas.

No entanto, o ser humano, de todas as raças (conhecidas), é aquele que mais facilmente se adapta.

Se quisermos, conseguimos fazer qualquer coisa. Qualquer coisa, mesmo.

Não necessariamente atingiremos a perfeição, mas, pelo menos, o “meia-boca”, pode apostar que sai. Nós somos máquinas, embora com pele, osso, sangue e, claro, as benditas emoções. Mas o que tivermos de fazer, se houver manual de instruções, nós faremos.

A cópia é garantida, já a personalização depende da criatividade.

É tão certo que tudo podemos que pessoas que vivem em ambientes extremamente quentes conseguem se adaptar e viver em ambientes extremamente frios ou pessoas que nunca pisaram na cozinha, aos 40, descobrem-se exímias cozinheiras ou pessoas que perderam seus empregos se reinventam para sobreviver e acabam tendo ainda mais sucesso do que costumavam ter.

Conseguiríamos desenvolver melhor muitas mais habilidades se nos distanciássemos um pouco do inconsciente coletivo; do saber que não precisamos fazer com as nossas próprias mãos, seguindo instruções, porque tem quem faça e que seja pago por isso; do saber que não podemos fazer porque é uma atividade para mulheres; do saber que não podemos fazer porque é uma atividade para homens; do saber que a inércia é mais agradável do que o movimento; do saber que a zona de conforto é a zona mais confortável; do saber que é mais fácil não podermos do que podermos.

Viver sozinho é, hoje, o limite crítico da sobrevivência. Na solidão, é preciso desenvolver habilidades. Não somente habilidades para executar tarefas que dependíamos de outras pessoas para fazer, é preciso aprender a ouvir, compreender e falar com nós mesmos.

De brinde, aprendemos a ouvir a natureza, a ver beleza nas atitudes mais simples e, de repente, não levamos as coisas mais tão a sério e o medo da solidão, agora, é insignificante, pois já aprendemos a apreciar a nossa própria companhia.

Autoria: Deborah Braga

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