COMPORTAMENTO: MARIE KONDO – A ORGANIZAÇÃO E OS SEUS EFEITOS

Na coluna COMPORTAMENTO desta quinta-feira, Deborah Braga fala sobre um programa de televisão que tem transformado a vida de algumas pessoas, através da arrumação de suas casas, e levanta os efeitos que essa organização pode trazer, fazendo uma REFLEXÃO sobre as nossas reais motivações. Confira a seguir. 

Arrumação com Marie Kondo: 5S e efeitos

Grist / Gary Gershoff / WireImage / Getty Images

O programa apresentado por Kondo

Marie Kondo, empresária e escritora japonesa, é especialista em organização pessoal. Na série da Netflix, Tidying Up (em português, A Magia da Arrumação), Marie ensina as pessoas a usarem o seu método, que promete não somente uma casa com menos coisas, como também uma mente mais limpa.

Os métodos Kondo-5S

O método utilizado por Marie Kondo, em outras palavas, é o método 5S, um programa de gestão de qualidade, que visa aperfeiçoar aspectos como organização, limpeza e padronização. Desenvolvido no Japão, hoje, está implantado em inúmeras empresas no mundo inteiro. Os 5S fazem referência às palavras japonesas:

  • Seiri : Utilização – separar o necessário do desnecessário e se livrar do que é inútil
  • Seiton: Organização – colocar cada coisa em seu lugar, de forma a tornar a procura eficaz
  • Seisō: Limpeza – limpar e cuidar do ambiente
  • Seiketsu: Padronização – criar regras a serem seguidas
  • Shitsuke: Disciplina – cumprir as regras e incentivar a melhoria contínua

O que dizem os estudos dos efeitos da organização

Embora os 5S sejam uma ferramenta muito importante e passível de ser aplicada em todas as áreas da nossa vida, uma matéria escrita por Sarah Griffiths, publicada pela BBC, nessa última quarta-feira, Can decluttering your house really make you happier?, aborda o método de Marie Kondo de diferentes pontos de vista, a refletir se existe realmente benefício e o quanto ele pode nos trazer felicidade.

O artigo fala que um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Yale usou exames cerebrais para mostrar que, para pessoas com distúrbio, jogar objetos ativa uma parte do cérebro que também é responsável pelo processamento da dor.

Apesar disso, outros vários estudos apresentados por Sarah apontam que ambientes bagunçados:

  • aumentam o nível do hormônio do estresse cortisol
  • tornam mais difícil adormecer
  • tornam mais difícil a interpretação de emoções
  • nos tornam propensos a consumir junk food

Essa última afirmação faz bastante sentido para mim, pois é muito clara a minha disposição para cozinhar quando tudo está limpo e organizado. Mas quando vejo as panelas sujas, sinto resistência, pois sei que, para cozinhar, terei que lavar a louça antes. E isso, realmente, parece mais difícil do que colocar um congelado no microondas.

O artigo também apresenta estudos que dizem que ambientes organizados:

  • nos ajudam a pensar com mais clareza
  • nos ajudam a encontrar coisas mais facilmente
  • nos dá a sensação de que somos capazes de atingir metas
  • aumenta a nossa autoestima

E traz a advertência de que arrumações envolvem um sistema de recompensas, que libera o neurotransmissor dopamina e nos dá a sensação de prazer.

Então, atenção!

Precisamos prestar atenção a nossa motivação em organizar ambientes. Excessos e recompensas por novas compras não são bom sinal, podemos estar confundindo o sentimento com um sintoma. Além disso, livrarmo-nos de itens que não usávamos mas que realmente nos importavam, pode trazer arrependimento.

Implantar esse programa nas nossas casas, pode surtir efeito em diferentes áreas das nossas vidas. Em um de seus livros, Kondo cita a declaração de um de seus clientes: “Seu curso me ensinou a ver o que eu realmente preciso e o que não preciso. Então, eu me divorciei. Agora me sinto muito mais feliz.”

Que?

Arbitrariamente ao que era de se esperar, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Minnesota descobriu que um ambiente bagunçado pode nos tornar mais criativos, enquanto ambientes ordenados nos tornam mais propensos a confirmar as expectativas tradicionais.

Já dizia Albert Einstein – proprietário de uma escrivaninha evidentemente bagunçada: “Se uma mesa desordenada é sinal de uma mente desordenada, de que, então, uma mesa vazia é sinal?”

E agora?

Em meio a tantos estudos, com tantos resultados diferentes, fica difícil tomar uma decisão, não é mesmo? O importante é que saibamos qual a nossa motivação, se é que existe uma. Ambientes organizados podem trazer tanto satisfação quanto desagrado. Assumir que todo mundo precisa adotar, necessariamente, o Marie-Kondo-modo-de-ser-organizada talvez seja presunção, ainda mais, em todas as esferas da vida. Existem pessoas e pessoas, profissões e profissões, relações e relações. Identificar-se com a mudança é o primeiro passo.

Autoria e tradução: Deborah Braga

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