ÚLTIMAS NOTÍCIA DESSE DOMINGO

Por Karina Trevizan, G1

 

A posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República completou um mês na quinta-feira (31) e, após os primeiros dias de mandato, economistas seguem acompanhando com atenção a condução da pauta econômica pelo novo governo.

Em novembro de 2018, 30 dias após a eleição do novo presidente, o G1 ouviu 6 economistas sobre suas expectativas a respeito da capacidade do governo de promover o crescimento da economia, conseguir aprovação de reformas, reequilibrar as contas públicas e gerar mais empregos. Na sexta-feira (1º), a reportagem ouviu novamente os mesmos profissionais.

Veja abaixo o que mudou nas expectativas dos economistas:

1 mês após a eleição de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o novo governo — Foto: Juliane Monteiro/G1

1 mês após a eleição de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o novo governo — Foto: Juliane Monteiro/G1

1 mês após a posse de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o governo — Foto: Alexandre Mauro

1 mês após a posse de Bolsonaro: economistas respondem sobre expectativas para o governo — Foto: Alexandre Mauro

Participaram do levantamento Alessandra Ribeiro (Tendências Consultoria), Alex Agostini (Austin Rating), André Perfeito (Necton), José Francisco de Lima Gonçalves (Banco Fator), Luís Paulo Rosenberg (Rosenberg Associados) e Marcel Caparoz (RC Consultores).

Além de responder “sim” ou “não” às perguntas, os economistas também fizeram análises sobre as questões levantadas. Veja abaixo:

Crescimento da economia:

Consumo das famílias representa fatia importante da economia brasileira — Foto: Celso Tavares/G1

Consumo das famílias representa fatia importante da economia brasileira — Foto: Celso Tavares/G1

Da mesma forma que no levantamento anterior, 5 dos 6 economistas entrevistados responderam que a expectativa é que a economia cresça durante o governo Bolsonaro.

Alex Agostini, da Austin Rating, afirma que o primeiro mês não trouxe motivos para alterar as previsões para o crescimento econômico dos próximos anos. “O governo não adotou nenhuma postura diferente até o momento”, comenta.

Alessandra Ribeiro, da Tendências, também afirma que não houve medidas do governo que mudassem suas estimativas. “No primeiro mês de governo, as sinalizações do encaminhamento da agenda econômica, do que é prioritário, veio em linha com o que a gente estava esperando.”

Já Luis Paulo Rosenberg, da Rosenberg Associados, avalia que as estimativas são baseadas na condução dos trabalhos da equipe econômica. “A gente vê um paradoxo. O governo revela sempre uma postura mais amadora, desconectada, com alguns personagens quase que bufões falando várias coisas retrógradas. Mas, ao mesmo tempo, vemos uma consistência perfeita entre discurso e postura da equipe econômica”, diz.

Marcel Caparoz, da RC Consultores, aponta que a expectativa de crescimento se apoia no fato de que “a confiança de todos os setores está em alta”. Agostini também comenta esse indicador. “Os indicadores antecedentes revelam maior confiança. Portanto, a economia, naturalmente, deverá crescer mais via demanda e investimentos.”

No entanto, Caparoz ressalva que a recuperação deve ser lenta, e afirma que “grandes investimentos só sairão do papel com uma sinalização mais efetiva por parte do governo”. Sobre essa questão, José Francisco de Lima Gonçalves, do Fator, diz: “eu não tenho dúvida de que o grau de incerteza que a gente vive inibe a maior parte das iniciativas.”

Gonçalves aponta ainda que o crescimento depende de uma série de fatores, e eles não estão relacionados ao governo. “Existe um pedaço de crescimento que vai acontecer praticamente independente do que o governo faça, que é uma recuperação que se relaciona com a estabilidade da inflação – e, portanto, juros baixos –, e o ainda elevadíssimo nível de ociosidade”, diz o economista.

André Perfeito, da Necton, acrescenta que o crescimento da economia será reflexo de uma “base de comparação muito baixa”, após as perdas da crise.

Rosenberg também comenta outro fator que deve ajudar a economia e que não depende do governo: a mudança do cenário externo neste começo de 2019. “Há um mês, a gente tinha a preocupação muito grande de que a economia norte-americana mostrava sinais de desaquecimento e o banco central (Fed) falava em subida de juros”, lembra ele. Na reunião deste mês, o Federal Reserve manteve a taxa de juros nos Estados Unidos e sinalizou que pode interromper (ou até reverter) o ciclo de altas.

Reformas econômicas

Cerimônia de posse dos Deputados Federais da 56º legislatura — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Cerimônia de posse dos Deputados Federais da 56º legislatura — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

No levantamento anterior, 2 economistas disseram que o novo governo não será capaz de levar adiante a aprovação de reformas econômicas. Um mês após a posse, o número mudou para 1.

O “capital político” de Bolsonaro após a vitória nas eleições é apontado como um dos pontos que pode ajudar na aprovação das reformas. “Um presidente eleito com a maioria do eleitorado traz um cacife muito polpudo”, diz Rosenberg.

“Mesmo com as investigações envolvendo assessores do senador Flávio Bolsonaro, o impacto sobre o governo Bolsonaro ainda é reduzido”, complementa Caparoz. Sobre essa questão, Rosenberg diz que “esses percalços consomem uma parte do dote inicial dele, é inegável. Mas, por outro lado, os acertos vão acrescentando fichas, e nesse ponto, por enquanto, ele (Bolsonaro) está no campo positivo.”

Agostini também diz que a série de denúncias sobre o filho do presidente “por hora, não deve afetar as relações com o Congresso de forma que o governo tenha que negociar as reformas estruturantes, como a da Previdência”.

Outro fator visto como positivo é a distância da nova corrida eleitoral (diferente da época em que Michel Temer tentava aprovar a reforma da Previdência, em ano de eleições).

Os analistas, no entanto, apontam que ainda há dúvidas sobre o tipo de reforma que será aprovada e seus efeitos sobre a economia.

“Do ponto de vista técnico, ainda tem muita discussão de para onde vai a reforma (da Previdência), mas isso é um limite político. Vai sair de uma maneira mais perto de desidratada ou fatiada? Ou do sonho do mercado financeiro?”, questiona Gonçalves.

Perfeito também levanta dúvidas. “Ainda tem vários pontos que são objetos para se pensar. A questão dos militares, por exemplo, se serão incluídos. Não vai ser tão fácil quanto o mercado está pensando.”

Reequilíbrio das contas públicas

O presidente da República, Jair Bolsonaro, cumprimenta o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a cerimônia de posse ministerial, no Palácio do Planalto, em Brasília — Foto: Eraldo Peres/AP

O presidente da República, Jair Bolsonaro, cumprimenta o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a cerimônia de posse ministerial, no Palácio do Planalto, em Brasília — Foto: Eraldo Peres/AP

Assim como no levantamento de novembro, 2 economistas não acreditam que o governo de Bolsonaro vá terminar com as contas públicas equilibradas. Os analistas apontam que o programa de privatizações deve ajudar nas contas do primeiro ano de governo Bolsonaro, mas os efeitos positivos dessas medidas são temporários.

“Devem conseguir muita receita vendendo ativos, e podem até conseguir zerar o déficit neste ano. Mas à custa de receitas não recorrentes. Não é uma coisa sustentável”, diz Perfeito.

“Se eles venderem os campos de petróleo ligados ao contrato de cessão onerosa com a Petrobras, talvez consigam reduzir muito o déficit primário. Vão soltar rojões e dizer que ‘basta ter vontade’. Mas no ano que vem não vai ter outro bloco desse pra vender”, concorda Gonçalves.

Mas Caparoz diz que há dúvidas inclusive sobre as chances de avanço da agenda de privatizações. “O recente desastre da Vale em Brumadinho pode dificultar a pauta de privatizações levantadas pelo ministro Paulo Guedes. Uma ala da oposição já tem levantado esta bandeira”, comenta.

Na discussão sobre o reequilíbrio das contas, Rosenberg acrescenta que a manutenção dos juros baixos deve ser outro fator de ajuda. “Os juros são a principal despesa do governo.”

Ribeiro estima que as contas públicas voltem a uma situação positiva apenas em 2026 – ou seja, após o fim do mandato de Bolsonaro. Mas ela acredita que o atual governo é que “vai implementar as bases para que isso aconteça, com medidas para fazer com que isso se materialize”.

Geração de empregos

Trabalho na indústria — Foto: Celso Tavares/G1

Trabalho na indústria — Foto: Celso Tavares/G1

Dos 6 entrevistados, 5 responderam que o novo governo conseguirá gerar mais empregos – mesmo cenário que na pesquisa anterior.

Rosenberg comenta os efeitos que a flexibilização das leis trabalhistas deve ter sobre a geração de vagas formais, lembrando a promessa de governo de criar a carteira de trabalho verde e amarela, com regras mais flexíveis.

“A sociedade sempre tem que escolher entre salários mais altos ou salários mais baixos com mais empregos. Isso é uma imposição aritmética. Não há como forçar o empresário a contratar o trabalhador que vai gerar um produto que traz menos retorno do que o que ele custa”, analisa Rosenberg.

Os economistas falam ainda sobre a importância da confiança na economia para que o mercado de trabalho se recupere com mais vigor. “A confiança elevada do empresário é chave para a retomada das contratações. Falta o governo entregar a sua parte, com reformas e reequilíbrio orçamentário”, opina Caparoz.

Também falando sobre a importância da confiança, Gonçalves explica que não basta o governo cortar os custos sobre a folha de pagamento para o empregador voltar a abrir vagas. “Se cortar a folha, aumenta a margem de lucro das empresas. Mas o que vão fazer com esse aumento? Contratar alguém se não têm convicção de para que lado (a economia) vai?”.

Ribeiro diz que, apesar da expectativa de geração de empregos, a projeção é que a taxa de desocupação recue de forma bastante lenta, pois, em momentos de recuperação, “muita gente que saiu do mercado de trabalho volta” a procurar ocupação.

A economista se refere ao que o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) contabiliza como “desalentados”. Perfeito também comenta essa questão: “a taxa de desemprego melhorou porque tem gente que não está procurando emprego”, diz.

Fonte: G1

Por G1

 


O avião que transportava o jogador argentino Emiliano Sala foi encontrado. A aeronave desapareceu há duas semanas enquanto sobrevoava o Canal da Mancha, entre a França e o Reino Unido.

Um comunicado do Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos da Grã-Bretanha (AAIB, na sigla em inglês) deve ser divulgado na segunda-feira (4) com detalhes da operação de resgaste do avião.

Emiliano Sala, em imagem de 25 de novembro — Foto: Jean-Francois Monier / AFP

“Posso confirmar que foi encontrado”, disse uma porta-voz para a agência AFP. Ela não deu detalhes sobre onde e quando a aeronave foi localizada.

De acordo com o canal de televisão Sky News, o avião está no fundo do Canal da Mancha.

A aeronave, um monomotor modelo Piper Malibu, desapareceu em 21 de janeiro depois de decolar do aeroporto de Nantes (França). O avião seguia para Cardiff, no País de Gales. O atacante argentino de 28 anos e o piloto David Ibbotson, de 59 anos, estavam a bordo.

As buscas pelo avião chegaram a ser encerradas em 24 de janeiro. Dois dias depois, a família do jogador disse que seguiria com as buscas utilizando recursos financeiros de uma campanha de realizada por meio internet.

David Mearns, cuja empresa Blue Water Recoveries foi contratada pela família do jogador, informou no Twitter que os destroços do avião foram localizados na manhã deste domingo (3).

David Mearns@davidlmearns

Wreckage of the plane carrying Emiliano Sala and piloted by David Ibbotson was located early this morning by the FPV MORVEN. As agreed with the AAIB they moved the GEO OCEAN III over the position we provided them to visually identify the plane by ROV.

Dias antes do acidente, Sala teve a transferência confirmada do Nantes para o Cardiff City FC – time que, apesar de representar a capital do País de Gales, joga a primeira divisão inglesa.

Voo vom o jogador Emiliano Sala desaparece — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Voo vom o jogador Emiliano Sala desaparece — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Fonte: G1

 

Por Letícia Carvalho, G1 DF

 


Inteligência Artificial — Foto: Alex Knight/Unsplash

Inteligência Artificial — Foto: Alex Knight/Unsplash

O pequeno aparelho que limpa o chão de casa e reconhece objetos e paredes, atendentes virtuais e até o garçom em forma de tablet para o jantar a dois. O check-in no aeroporto, a telefonista automática e até o “self-service” no restaurante são serviços, cada vez mais, mediados por robôs e/ou pela inteligência artificial.

Um estudo inédito feito com dados pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que essas máquinas movidas por tecnologia de inteligência artificial devem, nos próximos anos, ganhar ainda mais espaço – e seguir substituindo postos de trabalho.

Segundo a pesquisa, até 2026, 54% dos empregos formais do país poderão ser ocupados por robôs e programas de computador. A porcentagem representa cerca de 30 milhões de vagas. O trabalho, desenvolvido ao longo de 2018, avaliou uma lista de 2.602 profissões brasileiras.

10 profissões com maior risco de serem substituídas por robôs
Pesquisa avaliou as 2.602 profissões brasileiras
Porcentagem99,5599,5599,5299,5299,3699,3699,1399,1398,1198,1197,7297,7296,1796,1795,3795,3793,8793,8793,493,4TaquígrafoTorrador de caféCobrador de transpo…Recepcionista de ho…Cumim (auxiliar de …Salgador de aliment…Serrador de madeiraMestre de galvanopl…LeiloeiroGerente de almoxari…0100255075125
Fonte: Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB)
10 profissões com menor risco de serem substituídas por robôs
Pesquisa avaliou as 2.602 profissões brasileiras
Porcentagem0,380,380,390,390,470,470,580,580,610,610,840,840,960,960,980,980,980,9811Engenheiro de telec…PsicanalistaEngenheiros de sist…Conservador-restaur…Analista de suporte …Técnico de enferma…EstatísticoAgente de ação socialMédico oftalmologis…Artesão com materi…010,250,50,751,25
Fonte: Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB)

Levando em consideração o número de trabalhadores com carteiras assinadas no fim de 2017 – de acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho –, os pesquisadores chegaram ao resultado de que 25 milhões (57,37%) exerciam funções com probabilidade muita alta (acima de 80%) ou alta (60 a 80%) de automação naquele ano.

‘Robocalipse’?

Um dos professores responsáveis pelo levantamento, Pedro Henrique Melo Albuquerque, disse que cada vez mais os brasileiros estão entrando em uma nova fase do avanço da tecnologia sobre os postos de trabalho.

Primeiro, máquinas substituíram atividades mais simples, como funções em linhas de montagem de fábricas. Agora, com o avanço da robótica e da inteligência artificial, há uma ameaça cada vez maior a profissões que requerem habilidades complexas.

Esse cenário gerou duas correntes de pensamentos sobre o futuro das profissões. Uma pessimista, chamada popularmente de “robocalipse”, defende que a automação causará uma avalanche de desemprego.

A segunda, otimista, acredita que o desenvolvimento da inteligência artificial vai impor adaptação dos empregados, mas criará demanda para empregos em tarefas que não podem ser realizadas por robôs e profissionais mais criativos. O pesquisador Albuquerque integra essa corrente.

Inteligência artificial de robô de polimento de peças de automóveis percebe quando um humano se aproxima e, por segurança, para de funcionar — Foto: Reprodução

Inteligência artificial de robô de polimento de peças de automóveis percebe quando um humano se aproxima e, por segurança, para de funcionar — Foto: Reprodução

Habilidades como originalidade e inteligência social são características difíceis de se automatizar, segundo o estudo. Por isso, quanto maior a subjetividade e a complexidade da tarefa, menor a chance de um computador roubar a cena.

“Acredito na perspectiva positiva. Algumas profissões vão desaparecer, como aquelas que desenvolvem atividades rotineiras e que podem ser automatizadas, como ascensorista. Outras se adaptarão”, disse o professor.

Os gargalos

De acordo com Albuquerque, há ainda um empecilho presente nos países em desenvolvimento que dificulta o pleno avanço da automação. Para o docente, essas nações raramente coletam e disponibilizam dados de “qualidade” – componentes essenciais para alimentar as máquinas e, assim, ensiná-las suas funções.

Outro ponto a ser levado em conta é o ético-social. “Será que todo mundo ficaria confortável, por exemplo, andando em um carro sem o motorista? Em caso de um acidente, quem seria responsabilizado?”, pondera o pesquisador.

Clientes tiram fotos enquanto braços robóticos coletam pratos pré-embalados de acordo com os pedidos de jantar no novo restaurante de inteligência artificial Haidilao em Pequim, na China — Foto: Jason Lee/Reuters

Clientes tiram fotos enquanto braços robóticos coletam pratos pré-embalados de acordo com os pedidos de jantar no novo restaurante de inteligência artificial Haidilao em Pequim, na China — Foto: Jason Lee/Reuters

Metodologia

A base de dados usada no estudo da UnB foi a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Por meio das informações disponibilizadas pelo Ministério do Trabalho, os pesquisadores consultaram 69 acadêmicos e profissionais especialistas em aprendizado de máquina – uma forma de Inteligência Artificial na qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para fazer projeções ou identificar padrões e anomalias.

Esses profissionais, então, leram as atividades e as classificaram. Com essas classificações, o grupo da UnB usou técnicas de análise das descrições das profissões e modelos estatísticos para calcular os riscos associados a cada uma das ocupações.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília

 


Sergio Moro vai se reunir com governadores e secretários para discutir lei anticrime

Sergio Moro vai se reunir com governadores e secretários para discutir lei anticrime

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou em um vídeo publicado neste domingo (2) em uma rede social do governo que o projeto de lei anticrime a ser enviado ao Congresso Nacional terá “medidas bastante objetivas” e “fáceis de serem explicadas” contra corrupção, crime organizado e crimes violentos.

Moro apresentará e debaterá o projeto nesta segunda-feira (4) em uma reunião com governadores e secretários de segurança, em Brasília.

Segundo o Ministério da Justiça, a proposta será encaminhada para análise de deputados e senadores nos “próximos dias”.

Moro e equipe trabalham no projeto desde o final do ano passado, quando se iniciou o período de transição de governo.

O projeto da lei anticrime é um dos que integram a lista de metas prioritárias para os primeiros 100 dias do governo Jair Bolsonaro.

No vídeo publicado neste domingo, Moro não antecipou detalhes do projeto. De acordo com o ministro, será um texto “simples” e com “medidas bastante objetivas”.

“São medidas contra a corrupção, crime organizado e crime violento. Na nossa concepção, esses três problemas caminham juntos”, declarou.

Segundo ele, “é um projeto simples, com medidas bastante objetivas, bem fáceis de serem explicadas ponto a ponto, para poder enfrentar esses três problemas”.

Moro argumentou que o crime organizando “alimenta” a corrupção e o crime violento.

“Boa parte dos homicídios estão relacionados, por exemplo, à disputa do tráfico de drogas ou dívida de drogas”, disse.

A corrupção, na avaliação do ministro, “esvazia” os recursos públicos necessários para se implementar ações de segurança “efetivas”.

De acordo com Sérgio Moro, a “ideia principal” do projeto é “melhorar a qualidade de vida” dos brasileiros, que desejam “viver em um país mais seguro”.

O ministro ressalvou que o governo não tem condições de resolver todos os problemas, mas pode “liderar” o processo de mudança.

“A sociedade tem que ter presente que o governo não resolve todos os problemas, mas o governo pode ser um ator, pode liderar um processo de mudança”, declarou.

Fonte: G1

DOMINGO, 03/02/2019, 15:16

Política

Davi Alcolumbre, eleito presidente do Senado, é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal

O senador é acusado de crimes eleitorais, contra a fé pública e uso de documento falso na prestação de contas da campanha de 2014. Levantamento feito pela CBN nos gastos do parlamentar também chama atenção: entre 2015 e 2018, ele gastou mais de R$ 1,7 milhão com a cota de gabinete, a maior parte para divulgação da atividade parlamentar

Alcolumbre foi eleito presidente do Senado. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil (Crédito: )Alcolumbre foi eleito presidente do Senado. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil

POR BRUNNO MELO

Crimes eleitorais, contra a fé pública e uso de documento falso. São essas as acusações contra o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que constam em dois inquéritos contra ele no Supremo Tribunal Federal. É o que mostra o levantamento feito pela CBN nos processos envolvendo o nome do senador. Um deles, de número 4353, corre em segredo de Justiça e não é possível ter acesso a detalhes da acusação. O outro, registrado no STF com o número 4677, traz detalhes da denúncia encaminhada pelo Ministério Público Federal do Amapá sobre supostas irregularidades cometidas por Alcolumbre na campanha de 2014.

Segundo o inquérito, o então candidato ao senado utilizou notas fiscais frias para a prestação de contas. Os investigadores também apontam ausência de comprovantes bancários e contratação de serviços com data posterior à das eleições. De acordo com a acusação, cheques vinculados às contas da campanha eleitoral, emitidos nominalmente a empresas que teriam prestado serviços ao então candidato, foram na verdade endereçados a Reynaldo Antônio Machado Gomes, contador da campanha de David Alcolumbre. Parte desse dinheiro teria sido sacado em espécie na boca do caixa.

No STF, os dois inquéritos ainda estão na fase de diligências que devem ser conduzidas pela Polícia Federal e não há prazo para conclusão.

Outro dado que chama a atenção na prestação de contas de Alcolumbre na campanha de 2014 é doação recebida do grupo JBS. Foram R$ 138 mil no total. O senador presidiu a CPI do BNDES, que apurou irregularidades na empresa. Na época, ele negou qualquer interferência e alegou que os recursos foram recebidos dentro da lei. Para o cientista político Melillo Dinis, ainda é cedo para saber se as acusações vão atrapalhar a vida de Alcolumbre na presidência do Senado.

‘De todo modo, é importante avaliar qual é o sentido das acusações e dos processos e ao mesmo tempo vislumbrar se isso não é algo que vai prejudicá-lo ou deixá-lo à mercê da disputa com os senadores’, reflete.

No Senado, a prestação de contas de Alcolumbre também revela gastos expressivos. De 2015 a 2018, ele gastou R$ 1.746.000,00 da cota de gabinete. A maior parte, R$ 761 mil, com a divulgação da atividade parlamentar. Outros R$ 459 mil foram desembolsados pelos cofres públicos para pagar hospedagens, alimentação, locação de veículos e combustíveis para o senador.

Já em votações importantes, Davi Alcolumbre se posicionou de maneira controversa em algumas matérias. Votou contra o afastamento do então senador e agora deputado, Aécio Neves, e a favor do reajuste dos ministros do Supremo.

A relação do senador com familiares e aliados também é alvo de críticas. Alcolumbre tem como suplente o irmão, Josiel Alcolumbre. Também está lotada no gabinete dele com cargo comissionado a esposa do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzony, Denise Veberling.

A CBN conversou por telefone com o chefe de gabinete do senador Alcolumbre, Paulo Augusto de Araújo Boudens, que negou as acusações. Segundo ele, o parlamentar está ‘tranquilo’ em relação aos inquéritos no STF. Diante do pedido para gravar entrevista sobre o tema, Paulo desligou o telefone e não atendeu mais a reportagem.

Fonte: CBN

 

Sobe para 107 número de corpos identificados em Brumadinho

A Polícia Civil de Minas Gerais atualizou, no início da tarde de hoje (3), a relação de vítimas do desastre de Brumadinho já identificadas. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), 107 foram identificados até o momento.

De acordo com balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais, no total, 121 pessoas morreram com o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, ocorrido no dia 25 de janeiro. Outras 226 continuam desaparecidas e 395 pessoas foram localizadas pelas equipes de salvamento.

Segundo informações da corporação, a maioria dos corpos das vítimas já foi liberada pelo IML para sepultamento ou cremação. Somente 11 corpos de vítimas ainda permanecem no local, aguardando retirada por parte de parentes: Alexis Cesar Jesus Costa, Claudio Marcio dos Santos, Dennis Augusto da Silva, Izabela Barroso Camara, Lenilda Cavalcante Andrade, Leonardo Pires de Souza, Letícia Mara Anizio de Almeida, Lourival Dias da Rocha, Lucio Rodrigues Mendanha, Rodney Sander Paulino Oliveira e Sebastião Divino Santana.

As vítimas Letícia Rosa Ferreira Arrudas e Rangel do Carmo Januário deverão ser retiradas pelas funerárias designadas para seus enterros, de acordo com nota da assessoria da instituição.

Força-tarefa

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) informou, na manhã deste domingo, que 454 pessoas compõem, atualmente, a força-tarefa que atua nas buscas feitas na região da ocorrência. Ao todo, 332 são bombeiros – 228 deles de Minas Gerais, 64 são agentes da Força Nacional e 58 participam de forma voluntária. Quatorze cães farejadores auxiliam nos trabalhos, além de nove máquinas de retroescavadeira e anfíbio (equipamento que transita tanto na água quanto na terra), estas muito utilizadas em áreas onde a lama se encontra fluida e torna o deslocamento das equipes mais difícil.

Para facilitar as inspeções, a região afetada foi dividida em quadrantes de 50 mil metros quadrados, cada qual sendo coberto por uma parcela do efetivo. O Batalhão de Emergências Ambientais de Resposta a Desastres do CBMMG, por exemplo, tem se dedicado a vistoriar estruturas desmoronadas à procura de vestígios humanos, com a ajuda de bombeiros militares de São Paulo.

Recém-chegados ao município mineiro, os militares da Força Nacional, por sua vez, fazem buscas perto da base do Posto de Comando do CBMMG, no Córrego do Feijão.

Agência Brasil

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Foto: Pedro França/Agência Senado

A temperatura só aumentava no plenário do Senado quando o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) pediu a palavra, prometendo ser rápido.

​”Eu voto de acordo com o meu eleitor e com o meu seguidor. Fico triste porque eu tive que mudar a enquete três vezes em função de desistências de candidatos. É duro”, protestou o parlamentar novato.

Novo é também o vocabulário que apareceu na estreia da atual legislatura. A votação para escolher o presidente da Casa, vencida depois de muito rebuliço por Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi ilustrativa do lugar que as redes sociais ocuparão nos mandatos.

Além da divulgação que Kajuru fez da enquete com seguidores em seu Facebook (o apresentador disse que agiria conforme o resultado que desse lá), abundaram menções à internet nos discursos entre sexta-feira (1º) e sábado (2).

Em meio à discussão sobre voto secreto, com parte dos senadores revelando em público sua escolha, Mara Gabrilli (PSDB-SP) foi ao microfone confirmar que, independentemente de abrir sua decisão ao plenário, já tinha escancarado a opção na internet.

“Muito antes de sair o resultado que não houve, eu já tinha declarado nas minhas redes sociais”, falou ela, apoiadora de Davi.

Observação semelhante saiu da boca de Vanderlan Cardoso (PP-GO), cujo partido decidiu em novembro pelo voto em Esperidião Amin (PP-SC). “Naquele mesmo mês, coloquei nas minhas redes sociais o meu candidato e já também manifestando apoio ao voto aberto”, frisou.​

Alusões a redes sociais não são uma completa novidade no Congresso, mas tendem a ser mais comuns a partir das novas legislaturas que tomaram posse. No caso dos senadores, a estreia foi uma amostra do espaço que a comunicação direta com o eleitor deve ganhar de agora em diante.

Muitos dos novos parlamentares se tornaram conhecidos graças à internet e se elegeram de carona na popularidade que alcançaram com seus vídeos e postagens.

Nessa categoria estão, além de Kajuru (que se gaba de possuir “8,6 milhões de seguidores em 30 redes sociais”, nas suas palavras), nomes como Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Marcos do Val (PPS-ES), Capitão Styvenson (Rede-RN) e Major Olímpio (PSL-SP).

Na Câmara, onde a presença de crias do ambiente virtual é ainda mais significativa, deve ocorrer algo parecido, com políticos adotando um comportamento sensível em relação às redes, tanto como ferramenta para nortear seus mandatos quanto para prestar contas aos eleitores.

“Quero parabenizar a população brasileira por estar acompanhando essa sessão e estar fazendo uma grande campanha pelo voto aberto no Brasil”, disse Eduardo Girão (Pros-CE) na sexta, enquanto a eleição no Senado era um dos principais assuntos do Twitter.

Àquela altura, Renan Calheiros (MDB-AL) ainda figurava como o favorito e era alvo de críticas. A ofensiva contra ele ganhou força neste sábado, quando hashtags como #RenanCalheirosNao e #ForaRenan chegaram à lista de tópicos mais comentados.​

Em diferentes momentos ao longo dos dois dias de sessão, ataques ao Senado como instituição proliferaram nas redes, especialmente após a confusão envolvendo Kátia Abreu (PDT-TO), aliada de Renan, que subiu à mesa e levou a pasta com a ordem do dia.

“Nós estamos, diante da opinião pública, totalmente desacreditados”, lamentou Simone Tebet (MDB-MS) no início dos trabalhos neste sábado. “Nós estamos sendo comentário das redes sociais. E, sim, nós temos de dar valor a elas, porque quem ali está tuitando, quem ali está dizendo, é a população brasileira.”

À noite, com o campeão já anunciado, um de seus principais aliados, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), relacionou a vitória à mobilização virtual. “O resultado daqui não foi um resultado proclamado somente pela vontade dos membros desta Casa. Foi um resultado que veio de fora aqui para dentro, que veio das ruas, das urnas e das redes sociais.”

Kajuru, dirigindo-se ao já eleito presidente do Senado, tinha razões práticas para dizer que as redes interferiram na votação. Embora apoiasse Reguffe (sem partido-DF), foi de Davi na hora H por influência dos que o seguem.

“O senhor acabou convencendo o meu público, quase 9 milhões de seguidores, e o senhor obteve 77% dos votos. Eu obedeci aos meus eleitores, aos meus seguidores.”

Folhapress

 

Filme sobre ‘cura gay’ com Nicole Kidman tem lançamento cancelado no Brasil

O drama Boy Erased: Uma Verdade Anulada tinha estreia anunciada no Brasil para o dia 31 de janeiro pela Universal Pictures. A empresa, porém, cancelou o lançamento e deve divulgar o filme no País apenas para home video. A decisão pegou mal e o próprio Garrard Conley, ativista cujo livro inspirou o filme, falou em “censura”. A empresa alega que a decisão foi tomada “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria”.

Baseado no livro de memórias do ativista americano e dirigido por Joel Edgerton, o longa foi indicado para o Globo de Ouro nas categorias melhor ator de drama, pela atuação de Lucas Hedges, e melhor música para filmes (e acabou não levando nenhum dos dois, e também não levou nenhuma das esperadas indicações ao Oscar). Russel Crowe e Nicole Kidman completam o elenco.

A trama conta a história do jovem gay Jared Eamons (Hedges), filho de Marshall Eamons (Crowe), pastor de uma cidade conservadora do Arkansas, e da religiosa Nancy Eamons (Kidman). Segundo sinopse divulgada pela própria Universal, em dezembro de 2018, “quando confrontado pela família sobre sua sexualidade, (o personagem) se vê pressionado a escolher entre perder seus familiares e amigos ou se submeter a um programa de terapia que busca a ‘cura’ da homossexualidade”.

Garrard Conley – cujo livro Boy Erased foi lançado agora no Brasil pela editora Intrínseca – se mostrou descontente nas redes sociais com o ocorrido. “Boy Erased censurado no Brasil. Sentia que isso poderia acontecer e é muito triste que esse tipo de coisa esteja acontecendo num país tão maravilhoso”, escreveu.

Estadão Conteúdo

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Bolsonaro não tem sinais de infecção, diz novo boletim

O presidente Jair Bolsonaro apresentou evolução clínica estável no sexto dia após a operação para retirada da bolsa de colostomia, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Albert Einstein. Conforme a nota, o presidente não sente dor nem tem sinais de infecção.

“Hoje foi submetido à tomografia de abdômen, que descartou complicações cirúrgicas”, destaca o boletim. A equipe médica informa que a sonda nasogástrica não foi retirada e que Bolsonaro se mantém em jejum oral, com nutrição parenteral exclusiva (pela veia).

“Realiza fisioterapia respiratória e motora no quarto e segue com as medidas de prevenção de trombose venosa. Por ordem médica, o paciente segue com visitas restritas”, finaliza o boletim assinado pelos médicos Antônio Luiz Macedo, cirurgião, e Leandro Echenique, cardiologista, e Miguel Cendoroglo, Diretor Superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein.

O Planalto também se manifestou. Disse que o quadro de saúde do presidente está dentro do esperado pelos médicos, lembrando do fato de Bolsonaro ter passado por três cirurgias complexas e de longa duração nos últimos meses, depois da facada em ato de campanha em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro.

Ainda conforme o Planalto, está mantida a previsão de alta de 10 dias após a cirurgia, o que seria entre quarta e quinta-feira desta semana. Mas avaliações futuras determinarão a alta e o progresso de alimentação do presidente, destacou.

O Planalto foi questionado sobre a evolução dos movimentos intestinais do presidente, mas informou que isso não foi perguntado à equipe médica. Sobre a agenda, o Planalto manteve a afirmação de que os futuros encontros de Bolsonaro vão depender da liberação médica. No Twitter, Bolsonaro disse que vai “sair dessa”.

Estadão Conteúdo

 

Tragédia de Brumadinho espalha medo ao redor de outras barragens

A ameaça potencial às comunidades localizadas ao redor de barragens de mineração se tornou palpável após a tragédia de Brumadinho mostrar que a lama dos rejeitos de minério de ferro tem força para varrer bairros inteiros, deixando um rastro de morte. Na cidade histórica mineira de Congonhas, a comunidade Gualter Monteiro – residencial formado há três décadas, com 2 mil habitantes – é vista pela prefeitura como um risco iminente. Considerando bairros vizinhos, o total de vulneráveis a uma das maiores barragens da América Latina seria de 10 mil pessoas.

Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que a situação de comunidades próximas à mina Casa de Pedra, da CSN Mineração, está longe de ser caso isolado. O relatório mais recente do órgão aponta que 73 barragens do País são de risco médio ou alto – ou seja, exigem atenção maior do que a Casa de Pedra, classificada como de baixo risco pela agência reguladora, a exemplo do que ocorria com a da Vale em Brumadinho.

Uma pergunta que costuma surgir quando bairros inteiros ficam à mercê de um desastre é: será que essas pessoas não tinham noção do perigo? Embora a mina da CSN exista há bastante tempo, moradores de Gualter Monteiro dizem que, na época em que receberam a doação de terrenos da Prefeitura, no fim dos anos 1980, a operação era bem menor. Os lotes no “baixadão” eram apenas uma chance de ter casa própria.

‘Piscina’

Pioneiros do bairro, como a faxineira Vânia da Silva Costa, de 50 anos, dizem que o tamanho da barragem se multiplicou. Por vários anos, a água que escorria da mineração era opção de lazer “Era uma piscina que batia aqui na cintura. A gente levava os meninos lá para tomar banho”, diz Vânia, que vive na área há mais de 20 anos.

Embora a tensão tenha crescido desde a tragédia de Brumadinho, reuniões comunitárias visando à desativação da barragem da CSN ocorrem desde o ano passado. A Prefeitura de Congonhas afirma que o esvaziamento do depósito de rejeitos é uma bandeira da administração. E diz ter exigido que a CSN instalasse sirenes e placas de sinalização na região.

As placas verdes fixadas nos postes de luz, porém, recomendam algo que intuitivamente a população já faria: procurar um lugar mais alto caso o lamaçal desça o morro. Moradores das partes mais baixas teriam de correr quatro quadras ladeira acima para chegar ao terreno baldio sugerido como ponto de encontro. Idosos e deficientes, que não têm como fugir em disparada, estão se apegando à oração. “Minha mãe chora de noite e só reza”, diz Maria de Lourdes Oliveira, de 56 anos, que cuida da pensionista Elza, de 82 anos.

O temor de uma eventual tragédia fez a família mudar de bairro em 2018. Porém, desde o acidente de Mariana, o valor das casas em áreas de risco começou a despencar. Hoje, uma residência em Gualter Monteiro vale cerca de R$ 40 mil. Elza e Maria de Lourdes arrecadavam R$ 600 com a locação do imóvel próprio, mas tinham de pagar R$ 900 em outro lugar. “O dinheiro fazia falta”, conta a filha. “O jeito foi voltar.”

Embora a comunidade busque a desativação da barragem da Casa de Pedra, até esse tema virou fonte de temores. “A barragem de Brumadinho rompeu quando eles estavam fazendo a desativação – e se a mesma coisa acontecer aqui?”, questiona Antônio Maia, de 57 anos.

Procurada, a CSN não comentou. Uma fonte do setor lembrou que a companhia quer migrar para a mineração a seco – que dispensa água e, por consequência, barragens. Há expectativa de a companhia acelerar o processo após Brumadinho.

Sair ou ficar

O dilema de Congonhas é replicado em outras regiões de Minas Gerais. Um dos principais municípios da Grande BH, Nova Lima tem 90 mil habitantes e concentra 26 barragens. Nas últimas duas semanas, a tensão em bairros da cidade que são considerados áreas de risco também aumentou – a comunidade do Galo Velho, formada em parte por áreas de invasão, está localizada nas proximidades de uma planta de processamento de ouro da multinacional Anglo Gold Ashanti.

Não muito longe da casa de Olga Pires dos Reis, de 77 anos, a mineradora instalou em 2018 sirenes destinadas a alertar moradores sobre eventuais incidentes – a empresa explica que se trata de uma medida para cumprir uma recente mudança na legislação. A Anglo Gold também está rodando as residências da comunidade para realizar um cadastro dos moradores, mas nega a informação que circula no bairro de que planeje remover parte das famílias que vivem perto de suas barragens.

Depois da tragédia do último dia 25, Olga diz que voltou a se preocupar sobre a posição vulnerável da casa em que vive há 60 anos – e onde deu à luz seis de seus dez filhos. “Tenho muito medo. Se alguma coisa acontecer aqui, seríamos os primeiros a ser atingidos.”

Porém, como boa parte da família se instalou em terrenos próximos, a dona de casa acabou por desistir da mudança para continuar perto de quatro de seus irmãos, dos filhos e dos netos que moram no bairro do Galo. Na dúvida entre sair e ficar, a família aprofundou raízes: no momento Cátia, uma das filhas de Olga, constrói sua casa própria atrás da residência da mãe.

Mineradoras pautam fiscalização

Embora existam órgãos estaduais e federais para controlar os impactos ambientais da mineração, o setor vive uma espécie de autorregulação. “O governo divulga dados fornecidos pelas empresas. Não há gente suficiente para fiscalizar”, diz Marcelino Edwirges, presidente do Sindicato na Indústria da Extração do Ouro de Nova Lima e região.

Procurada para comentar as barragens de maior risco em Minas Gerais, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente destacou que a responsabilidade pela fiscalização é da Agência Nacional de Mineração (ANM). A secretaria lembrou que os próprios empreendedores têm de monitorar e garantir a segurança das barragens.

Procurada diversas vezes ao longo da semana por telefone e e-mail, a ANM não respondeu os contatos da reportagem.

Estadão Conteúdo

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EDITORIAL: Circo da eleição mostra que nem senadores levam a política a sério

POR BRUNO BOGHOSSIAN

O circo erguido na eleição para o comando do Senado prova que a briga pelo poder é sempre feia, mesmo que se tente disfarçá-la com ares moralizadores. A disputa que durou mais de 24 horas começou com uma trapaça, passou por uma suspeita de fraude e terminou com um cacique abatido.

Com o patrocínio do governo, Davi Alcolumbre (DEM) armou uma tramoia para capturar a presidência da Casa e entregá-la aos pés do Palácio do Planalto. Amarrou-se à cadeira e, para tentar derrotar Renan Calheiros (MDB), resolveu mudar as regras do jogo com a bola rolando.

O código do Senado diz expressamente que a eleição deve ser secreta, mas Alcolumbre decidiu que isso não importava e tentou fazer o voto aberto. O grupo do MDB bateu no Supremo Tribunal Federal de madrugada para manter o sigilo.

Renan quase foi vítima de uma arte que domina: a manipulação para preservar o poder. O desenrolar da história mostra que seu tempo passou.

A disputa chegou ao ponto do vexame com a cena infantil em que Kátia Abreu (PDT) roubou a pastinha do presidente da sessão. No dia seguinte, uma excelência tentou fraudar a eleição ao depositar dois votos na urna. Para o deboche ficar completo, o senador escalado para triturar as cédulas foi Acir Gurgacz (PDT) —que cumpre pena de prisão, mas dá expediente no Congresso.

Ao fim da tragicomédia, Davi venceu com o impulso dos calouros do Senado, que queriam destronar Renan. Os novos tempos da política, porém, caem podres quando abraçam o discurso demagógico rasteiro.

Lasier Martins (PSD), por exemplo, defendeu atropelar as regras do jogo porque as vozes nas redes sociais eram “a-vas-sa-la-do-ras”. Jorge Kajuru (PSB) disse que tudo se justificava porque não queria ser vaiado ao embarcar num avião.

As autoridades deveriam levar a sério o papel que desempenham no plenário. A responsabilidade é maior do que as curtidas nas redes sociais ou a tentativa desesperada de manter o poder a qualquer custo.

Folhapress

Fonte: Blog do BG

 

LOCAIS

DOMINGO DE DERROTA: Fátima Bezerra perde as duas eleições suplementares

A governadora Fátima Bezerra passou por um domingo de derrotas nas eleições suplementares de hoje. Os candidatos apoiados por ela tanto em Santa Cruz, como em Passa e Fica, perderam. Não teve palanque governista que desse jeito.

Fátima vinha gravando vídeos para os candidatos, desprendendo tempo, esforço político e ainda espaços na agenda tanto dela, quanto na do vice Antenor Roberto de olho nas eleições suplementares realizadas pela Justiça Eleitoral, mas os resultados foram de derrota. A vontade de vencer era grande, mas tudo ficou só na vontade.

Em Santa Cruz, o candidato Péricles Rocha, que tinha o apoio de Fátima, perdeu para Ivanildinho Ferreira, que tinha o apoio do deputado Tomba Farias. Foram 9.714 votos do eleito contra 9.094 do derrotado.

O resultado negativo também se repetiu em Passe e Fica, onde a governadora e sua estrutura declararam apoio a Cibelly Fonseca, o revés foi ainda maior. Quem venceu foi Celu Lisboa, sobrinho do ex-prefeito Pepeu Lisboa, com 4.086 votos contra 3.117 da candidata apoiada por ela.

Foi, literalmente, um domingo de derrotas para o palanque do Governo do Estado.

 

Ivanildinho é o novo prefeito de Santa Cruz

O advogado Ivanildinho Ferreira é o novo prefeito de Santa Cruz. A eleição de Ivanildinho confirma o prestígio do deputado estadual Tomba Farias (PSDB) no município, onde a sua liderança política foi essencial para a derrota do candidato adversário, Péricles Rocha apoiado por lideranças da política estadual, como a governadora Fátima Bezerra (PT), os senadores Jean Paul Prates (PT), Zenaide Maia (PROS) e os deputados estaduais Gustavo Carvalho (PSDB) e Ubaldo Fernandes (PTC).

O candidato Ivanildinho( PSB/MDB/PDT/DEM/SOLIDARIEDADE) venceu a eleição em Santa Cruz com 51,65% dos votos. O candidato Péricles Rocha(PSD/PT/PR/PV/PcdoB) obteve 48,35%. A abstenção foi 15,85%.

Após a apuração das urnas o prefeito eleito Ivanildinho Ferreira obteve 9.853 votos, contra os 9.255 sufrágios conferidos ao candidato Péricles Rocha.

Para o parlamentar, a vitória do seu candidato representa “ a vitória da verdade e do trabalho”, já que, na sua opinião, a população de Santa Cruz decidiu não abrir mão do ‘boom’ desenvolvimentista vivenciado no município. “Foi uma eleição diferente. A luta valeu à pena e por isso agradeço a Deus, à minha família e ao povo de Santa Cruz que optou pela continuidade do nosso trabalho e deu uma votação consagradora a Ivanildinho”, disse Tomba.

Destacando que a sua vitória é resultado da liderança política de Tomba Farias, o prefeito eleito disse que a sua gestão dará continuidade ao trabalho da ex-prefeita Fernanda Costa, cuja administração fez de Santa Cruz um município diferenciado no Rio Grande do Norte.

Celú Lisboa é eleito prefeito de Passa e Fica

O candidato Celso Lisboa, mais conhecido como Celú, foi eleito prefeito de Passa e Fica na eleição suplementar realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) neste domingo (3). A vice eleita é Maria de Lourdes Silva do Nascimento.

Celú foi eleito com 4.086. Ele disputou o pleito contra com Cibelly Fonseca, que tinha como candidato a vice Edson Pereira Padilha. Eles foram derrotados com 3.117 votos.

Estavam aptos a votar, 8.664 eleitores do município. Eles foram distribuídos em 27 seções eleitorais. Em Passa e Fica, 108 pessoas atuaram como mesários, sete como supervisores e outros servidores da Justiça Eleitoral acompanharam a eleição.

Fonte: Blog do BG

 

Por G1 RN

 


Barragens "sem dono" estão em fase de fiscalização — Foto: Anderson Barbosa/G1

Barragens “sem dono” estão em fase de fiscalização — Foto: Anderson Barbosa/G1

O Rio Grande do Norte tem 170 barragens sem donos identificados, segundo o relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), divulgado no ano passado. Entre elas, existem pelo menos nove estruturas com alto potencial de dano e alto risco. O órgão afirma que no caso de rompimento dessas barragens sem dono, a responsabilidade é do fiscalizador estadual, o Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn).

As nove barragens estão distribuídas em vários municípios do estado. Segundo o Igarn, as barragens não estão exatamente sem dono, mas na verdade não foi possível identificar o dono durante as inspeções dos técnicos.

Ainda de acordo com o Igarn, todas as estruturas possuem altura menor que 15 metros e capacidade inferior a 3 milhões de metros cúbicos. Por isso, elas não estariam inseridas na Lei de Segurança de Barragens (Lei 1233/10). Apesar disso, um cadastro está sendo realizado.

“O Igarn está realizando o cadastro das barragens do Estado e algumas ainda estão identificadas apenas pelas coordenadas geográficas, através de geoprocessamento. As atividades de cadastramento continuam e na sequência serão realizadas as visitas presenciais, quando serão identificados os proprietários”, informou o instituto, em nota.

O órgão ainda confirmou que, pela lei, tem o dever de fiscalizar os usuários de água e, constatada a infração, determinar as alterações que, caso não sejam cumpridas, deverão ser executadas pelo instituto.

As 9 listadas abaixo têm risco e potencial de dano altos:

  • Angicos II / Paraú
    Tipo: Dessedentação animal
    Capacidade: 413.000 m³
  • Barragem Baixio II / Jurucutu
    Tipo: Dessedentação animal
    Capacidade: 1.374.000 m³
  • Barragem Gavião / Lajes
    Tipo: abastecimento de água
    Capacidade: 300.000 m³
  • Barragem Walter Magno / Serrinha dos Pintos
    Tipo: Dessedentação animal
    Capacidade: 382.000 m³
  • Barra do Tapuia, em Sítio Novo
    Tipo: Dessedentação animal
    Capacidade: 2.116.000 m³
  • Barragem dos Tanques, em Campo Grande
    Tipo: Dessedentação animal
    Capacidade: 476.000 m³
  • Barragem do Escondido, em Patu
    Tipo: Abastecimento de água
    Capacidade: 119.000m³
  • Barragem Ferreira de Baixo, em Jardim de Piranhas
    Tipo: dessedentação animal
    Capacidade: 983.000 m³
  • Barragem Francisco Cardoso, em Currais Novos
    Tipo: Irrigação​
    Capacidade: 1.618.000 m³

Fonte: G1RN

 

Por Leonardo Erys, G1 RN

 


João Carlos Bessa Fernandes, de 17 anos, foi aprovado em medicina no Enem. A mãe dele é diarista — Foto: Cedida

João Carlos Bessa Fernandes, de 17 anos, foi aprovado em medicina no Enem. A mãe dele é diarista — Foto: Cedida

O estudante João Carlos Bessa Fernandes, de 17 anos, realizou o sonho de ser aprovado no curso de medicina no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no início deste ano. Aluno de escola pública durante toda a vida, o jovem nascido e criado na cidade de Taboleiro Grande, município de cerca de 3 mil habitantes na região Oeste do Rio Grande do Norte, passou em 7º lugar no curso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e manteve uma tradição familiar: ele é o 37º ‘Bessa’ a estudar para ser médico.

A tradição começou na década de 1990. E, desde 2004, a família aprova pelo menos um integrante nos cursos de medicina Brasil afora: são 15 anos seguidos. “Meu tio, Jacob, foi o primeiro a ser aprovado na família. Isso ainda na década de 1990. Desde a lá começou essa tradição. Neste ano, comemoramos 15 anos de aprovações consecutivas”, contou João Carlos.

Entre os parentes que passaram para a graduação durante todo esse período, estão tios e, principalmente, primos, explica João, que inclusive teve o primo Yuri César Bessa, de 22 anos, aprovado no curso numa faculdade particular de Mossoró também neste ano. No seio familiar mais próximo, no entanto, ele é o primeiro a ter a oportunidade de estudar medicina.

João Carlos Bessa (de verde) e o primo Yuri, também aprovado em medicina — Foto: Cedida

João Carlos Bessa (de verde) e o primo Yuri, também aprovado em medicina — Foto: Cedida

Filho do agricultor Carlos Bessa Cavalcante e da diarista Maria José da Silva Fernandes, o jovem fez o ensino fundamental na Escola Municipal Abraão Cavalcante Bessa e o médio na Escola Estadual José Cláudio Alves. E agora comemora a aprovação no colo da família. “Foi a maior felicidade da vida deles essa aprovação, já que eles nunca tiveram essa oportunidade de estudar”, comentou o jovem.

Apesar da origem humilde e da vida escolar no ensino público, ele confiava na aprovação. No ano passado, concluiu o ensino médio com 16 anos e passou em 3º lugar no curso de direito da UFRN, mas optou por não cursar e seguir o sonho. Assim, conseguiu uma bolsa em um cursinho particular em Fortaleza (CE) e se dedicou o ano inteiro para buscar a vaga em medicina. “Eu sempre fui bastante otimista. Mas é claro que sempre paira a dúvida depois que você faz o Enem. Mas eu sabia que estava me preparando”, disse.

Sobre as táticas de estudo para a aprovação no curso tradicionalmente mais concorrido da UFRN, João Carlos explica não ter tanto mistério. “Eu não tinha exatamente um plano. Minha estratégia era sentar a bunda na cadeira e estudar. Às vezes até 12 horas por dia”.

João Carlos Bessa Fernandes comemorou aprovação com o pai, que é agricultor — Foto: Cedida

João Carlos Bessa Fernandes comemorou aprovação com o pai, que é agricultor — Foto: Cedida

Fonte: G1RN

 

Por G1 RN

 


Me Leva Mamãe é o primeiro e único bloco infantil do pré-carnaval de Natal — Foto: Assessoria de Imprensa Feel Culture/Acarta Comunicação

Me Leva Mamãe é o primeiro e único bloco infantil do pré-carnaval de Natal — Foto: Assessoria de Imprensa Feel Culture/Acarta Comunicação

O Me Leva Mamãe, primeiro e único bloco infantil do pré-carnaval de Natal, reúne a criançada para uma prévia neste domingo (3), a partir das 15h, saindo da loja Spicy do shopping Midway Mall. A participação no evento é gratuita.

A folia conta com a presença da apresentadora infantil Gabi Paz, que carrega o título de madrinha mirim do bloco.

Pré-carnaval

O bloquinho sai às ruas de Natal no dia 10 de fevereiro, com concentração às 16h, em frente à sede do América Futebol Clube. O percurso será animado pela bandinha Clarim Kids, cantora Nanda Lynn e Companhia Era Uma Vez, além de contar com brincadeiras e oficinas da TimTim por TimTim, praça de alimentação e muitas surpresas.

Os ingressos já estão disponíveis AQUI ou na loja Spicy do Midway Mall, e podem ser adquiridos em pacotes promocionais para toda a família.

Clientes Unimed Natal também podem garantir um valor especial no ponto de venda físico. Para curtir a festa, os responsáveis receberão uma camisa do bloco e as crianças deverão comparecer fantasiadas.

Me Leva Mamãe é uma realização da Feel Culture e Mestiço Produções, com o patrocínio da Prefeitura de Natal, através da Lei Djalma Maranhão, e da Unimed Natal.

Fonte: G1RN

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