SEGURANÇA: EM 2018 MAIS DE 40 MIL CERTIFICADOS DE REGISTROS FORAM CONCEDIDOS A ATIRADORES ESPORTIVOS

Caro(a) leitor(a),

É muito claro e evidente que o brasileiro já não aguenta mais toda essa violência que vemos diariamente nas páginas policiais dos jornais e já está tomando providências para se proteger. O número de Certificados de Registro para atiradores esportivos concedidos no ano de 2016 pelo Exército foi de 19 mil contra mais de 40 mil em 2018, ou seja, praticamente dobrou a quantidade de CRs. Enquanto isso o projeto para mudança da legislação com o intuito de se liberar porte de arma se arrasta apenas como discussão entre os políticos e a sociedade e nada de concreto foi proposto efetivamente para mudar o quadro atual de 63 mil homicídios por ano.

TERÇA, 27/11/2018, 06:00

País

Em 2018, Exército concede número recorde de registros para atiradores esportivos

O Certificado de Registro, ou CR, é porta de entrada para compra e posse de armas de fogo legalizadas no país. De janeiro a novembro, cerca de 40 mil licenças já foram dadas para novos atletas de tiro, o maior número em cinco anos

Estande de tiro. Foto: Pixabay (Crédito: )Estande de tiro. Foto: Pixabay

Por PAULA MARTINI

O número de brasileiros reconhecidos pelo Exército como atiradores explodiu nos últimos anos, e já é recorde em 2018. Dados obtidos pela CBN indicam que, só este ano, a corporação concedeu cerca de 40 mil Certificados de Registro a atiradores esportivos, o número mais alto em cinco anos. O documento, também chamado de CR, é necessário para compra de armamentos por colecionadores de armas, caçadores e atiradores. Só em relação a 2016, quando 19 mil CRs foram emitidos para atiradores, o total deste ano dobrou.

As confederações de tiro prático e esportivo já vinham observando a tendência, como mostrou uma reportagem da CBN há duas semanas. As entidades apontam que o interesse pelo esporte e a busca por um hobby explicam a alta. O vice-presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Jodson Gomes, também destaca a medalha olímpica conquistada pelo brasileiro Felipe Wu, em 2016. Ele discorda que um possível afrouxamento das regras possa ter contribuído para o resultado.

“Continua do mesmo jeito. Temos uma legislação que é altamente restritiva em relação a qualquer tipo de pessoa, mas se ela estiver com toda a documentação e apresentar para o Exército, é claro que vai ter autorização para o seu CR, e depois, a pedir autorização para compra das armas. Então não é algo tão simples, tão célere assim.”

Além de apresentar documentos e laudos técnicos, também é preciso estar matriculado num clube de tiro pra conseguir a posse da arma como atirador. O número de autorizações a atividades desse tipo cresceu 220% em relação a 2014, quando 45 clubes, associações e entidades de tiro receberam registros. A prática também é regulamentada pelo Exército. A CBN entrou em contato com clubes que oferecem despachantes pra dar entrada no CR, como esse no interior de São Paulo que promete a entrega do documento em até 90 dias:

Clube: – Você já é atiradora?
CBN: – Não, nunca pratiquei
Clube: – O CR sai por R$ 2.100. Inclui a filiação de 2019 completa, laudo psicológico, capacitação de técnica de tiro, tudo incluso. CR entregue em suas mãos. É o primeiro documento que você tem que fazer para comprar a sua arma e virar um atleta, vamos dizer assim.

A prática não é ilegal, mas é vista com preocupação por alguns pesquisadores de segurança pública. O doutor em Sociologia pela USP e diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, critica a falta de transparência sobre as autorizações.

“Se existe um interesse nessa atividade esportiva, a gente precisa ter um registro. Eles estão registrados, participam de atividades? A melhor forma de encarar o problema é jogando luz em tudo que está envolvido. Mesmo contrariando todos os interesses, as evidências científicas são robustas em dizer que ‘mais armas, mais mortes’, mesmo sendo armas de origem legal.”

Procurado, o Exército disse que não há um estudo sobre as causas do aumento de pedidos. A corporação ressaltou que o combate a atos ilícitos é de competência dos órgãos de segurança pública. Já a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo disse que o Exército submete os atletas a avaliações de frequência a treinamentos e competições.

Fonte: CBN

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