RETROSPECTIVA: VEJA AQUI UMA RETROSPECTIVA DA TRAJETÓRIA DO JUIZ SÉRGIO MORO E COMO GANHOU PROJEÇÃO MUNDIAL

São pouquíssimas as pessoas no mundo que conseguem atuar com disciplina, parcimônia, correção, modéstia, humildade, simplicidade e não violência que conseguem a projeção mundial que o juiz Sérgio Moro conquistou. Na história da humanidade civilizada é possível contar nos dedos das duas mãos. Como exemplo temos, claro em primeiro lugar, Jesus Cristo e na sequência nomes como: Buda, Mahatma Ghandi e Martin Luther King Junior. Por isso publico aqui um pouco da sua trajetória para que as pessoas conheçam com mais profundidade a essência deste homem único.

Por Aline Pavaneli, G1 PR e RPC Curitiba

 

Sérgio Moro, que atualmente trabalha na 13ª Vara Criminal de Curitiba – especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro – ficou conhecido nacionalmente por ser o juiz responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

Antes da operação, ele trabalhou no caso Banestado e atuou como auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber, em 2012, no caso do Mensalão do PT.

Moro nasceu em 1972, em Maringá, no norte do Paraná. Na cidade, ele se formou em direito na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

É casado com a advogada Rosêngela Wolf Moro, com quem tem dois filhos.

Antes de se tornar juiz, Moro teve uma curta carreira como advogado. Em 1996, aos 24 anos, passou no concurso para juiz federal.

Em 1997, começou o mestrado em Direito do Estado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que concluiu em 2000. Em 2002 obteve o título de doutor pela mesma instituição.

Segundo o currículo Lattes do magistrado, ele deu aula entre 2007 e 2016 como professor adjunto de Direito Processual Penal na UFPR. Atualmente, é professor da graduação e da pós-graduação do Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba).

O currículo também informa que ele cursou um programa de estudos sobre lavagem de dinheiro na Escola de Direito de Harvard, em 1998.

Em abril deste ano, ele voltou à universidade, onde participou de um painel sobre crimes de “colarinho branco”. Na ocasião, Moro disse que a lei e a democracia estavam sendo fortalecidas no Brasil.

Em 2018, recebeu o título de Doctor of Laws, honoris causa, pela University of Notre Dame du Lac, South Bend, Indiana.

Lava Jato

Após aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para assumir o Ministério da Justiça, a partir de 2019, o juiz federal Sérgio Moro emitiu uma nota, informando que “com certo pesar” vai abandonar a magistratura após 22 anos.

“A perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”, diz a posição oficial dele.

Moro diz ainda que vai se afastar imediatamente de novas audiências, mas que a Operação Lava Jato segue em Curitiba com outros juízes.

Juiz Sérgio Moro, ao lado de Paulo Guedes, deixa a casa de Jair Bolsonaro, no Rio — Foto: Henrique Coelho/G1

Juiz Sérgio Moro, ao lado de Paulo Guedes, deixa a casa de Jair Bolsonaro, no Rio — Foto: Henrique Coelho/G1

Relembre

A Operação Lava Jato, que teve a 1ª fase deflagrada em 17 de março de 2014, começou com a investigação de lavagem de dinheiro em um posto de combustíveis e chegou a um esquema criminoso de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras. Posteriormente, a ação alcançou outras estatais.

O doleiro Alberto Youssef, um dos alvos da Lava Jato que ficou mais conhecido após acordo de delação premiada, já tinha sido investigado em outro processo sob responsabilidade do juiz, referente ao caso Banestado.

Entre 2003 e 2007, a investigação apurou evasão de divisas por meio de doleiros. Na operação, Youssef também tinha colaborado com a Justiça.

Em mais de quatro anos de Lava Jato, o magistrado já sentenciou 46 processos, que condenaram 140 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entre os políticos condenados 13ª Vara Federal de Curitiba estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB).

Doleiros, ex-diretores da Petrobras e empresários ligados a grandes empreiteiras do país também já foram condenados por Moro.

Momentos de crise

Em março de 2016, após retirada do sigilo de escutas telefônicas envolvendo o ex-presidente Lula e autoridades, incluindo a então presidente Dilma Rousseff, Moro enviou ofício ao STF no qual pediu “respeitosas escusas” à Corte pela consequência da decisão.

No documento, o juiz afirmou que a decisão foi tomada com base na Constituição e que os diálogos revelaram uma tentativa de obstruir a Justiça.

Posteriormente, o STF anulou a validade jurídica da escuta telefônicaque interceptou conversa entre Lula e Dilma Rousseff.

À época, o ministro Teori Zavascki considerou que Sérgio Moro não tinha competência para analisar o material, por envolver a presidente da República, que só pode ser investigada pelo Supremo. Além disso, o ministro considerou irregular a divulgação das conversas.

Em julho deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um procedimento para apurar a conduta de Moro após uma guerra de decisões envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e um pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O desembargador Rogério Favreto, plantonista do TRF-4, mandou soltar Lula em 8 de julho. Em seguida, Moro contestou a decisão e disse que o desembargador não tinha competência para sobrepor a decisão da 8ª Turma da Corte que confirmou a condenação do ex-presidente.

O pedido foi feito a partir de representação apresentada pelos deputados federais do PT Paulo Pimenta (RS), Wadih Damous (RJ) e Paulo Teixeira (SP), que afirmram que a medida foi política e tinha o objetivo de prejudicar campanhas do Partido dos Trabalhadores. Os parlamentares pediram, ainda, que o juiz seja punido.

Em resposta, o juiz da Lava Jato afirmou que não quis influenciar as eleições ao divulgar trechos da delação de Palocci e que não pode interromper o trabalho devido ao pleito.

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Fonte: G1

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