PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTA TERÇA-FEIRA

Por G1

 

Bolsonaro discursa em Davos. O objetivo: atrair mais investimentos para o Brasil. As movimentações para a eleição no Congresso. Abertas as inscrições para o Sisu 2019. E o Oscar pode ir para… Sai hoje a lista dos indicados para o prêmio da Academia. O que é notícia nesta terça:

INTERNACIONAIS

Fórum Econômico Mundial

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chegou ontem à Suíça para participar do Fórum de Davos — Foto: Alan Santos/PR

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chegou ontem à Suíça para participar do Fórum de Davos — Foto: Alan Santos/PR

Começa hoje o Fórum Econômico de Davos, na Suíça. O encontro, que reúne a elite política e econômica mundial, tem a proposta de discutir a globalização, em meio a preocupações como a guerra comercial, tensões políticas e Brexit. Trump, Xi Jinping, May e Macron estão entre os que não vão comparecer.

Discurso de Bolsonaro

Davos será palco do 1º discurso internacional de Bolsonaro como presidente do Brasil. A fala no Fórum Mundial será por volta das 12h30 (horário de Brasília). Na pauta, o interesse de restabelecer a confiança do mundo com o Brasil.

O que esperar:

  • Ao desembarcar ontem na Suíça, Bolsonaro já disse que o recado que dará à elite financeira mundial em Davos será ‘curto e objetivo’;
  • ‘Sem viés ideológico’: segundo o presidente, a intenção do discurso é mostrar que “o Brasil está tomando medidas” para fazer com que os negócios “voltem a florescer” com o mundo;
  • Sem improviso: segundo o colunista João Borges, Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro passaram os últimos 15 dias lapidando cada frase do texto;
  • O presidente vai dizer que o Brasil fará reformas, como a da Previdência, e defender que são essenciais para o equilíbrio das contas públicas;
  • Tom liberal: Bolsonaro deve destacar também que o Brasil é favorável às privatizações e aberto a investimentos privados;
  • Moro também falará no Fórum sobre as três prioridades da gestão dele à frente do Ministério da Justiça: combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes de violência.

A agenda do presidente prevê ainda hoje uma reunião privada com o professor Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial; uma reunião do Conselho Internacional de Negócios; e a participação no jantar oferecido por Schwab.

E o Oscar pode ir para…

A lista dos indicados ao Oscar 2019 sai a partir das 11h20 (horário de Brasília). A cerimônia acontecerá no dia 24 de fevereiro no Teatro Dolby de Hollywood. De acordo com outras premiações que são “termômetros” do evento da Academia, entre os principais concorrentes estão:

  • “Green Book – o guia”
  • “Nasce uma estrela”
  • “Vice”
  • “A favorita”
  • “Um lugar silencioso”
  • “Bohemian Rhapsody”
  • “Roma”

NACIONAIS

Presidente em exercício

O vice-presidente, Hamilton Mourão, após assumir interinamente a presidência ontem — Foto: Romério Cunha/VPR

O vice-presidente, Hamilton Mourão, após assumir interinamente a presidência ontem — Foto: Romério Cunha/VPR

Enquanto isso, aqui no Brasil, o presidente em exercício Hamilton Mourão participa da passagem de Comando do 2° Regimento de Cavalaria de Guarda no Rio e recebe o presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) em Brasília.

Eleição no Congresso

Os presidentes de PT, PSB e PSOL se reunirão em Brasília para discutir a formação de um bloco de centro-esquerda para se opor ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição na Casa, informa Andréia Sadi. O PT admite, até, fechar acordo com PP e MDB, a quem o partido fez oposição durante o governo Michel Temer.

Desafio Natureza

Área onde o lixo de Noronha é tratado: são 220 toneladas, em média, por mês — Foto: Fábio Tito/G1

Área onde o lixo de Noronha é tratado: são 220 toneladas, em média, por mês — Foto: Fábio Tito/G1

Fernando de Noronha é conhecida como paraíso. Mais recentemente, a ilha virou o refúgio queridinho dos famosos, que conjugam o verbo “noronhar-se” em legendas no Instagram. O que as fotos lindas não mostram é que, para se manter um “paraíso”, é preciso muito trabalho e cuidado. Com 100 mil visitantes por ano – recorde alcançado em 2018 -, o arquipélago que pertence a Pernambuco tem de lidar com os impactos desse turismo. Um deles é o lixo. Noronha, que é um parque nacional, marca a estreia da série “Desafio Natureza” do G1, que terá reportagens especiais sobre as questões ambientais que desafiam esses destinos e dará dicas de como cada um pode ajudar a amenizar esses problemas.

Sisu 2019

Vagas do Sisu 2019 estão abertas — Foto: Reprodução/MEC

Vagas do Sisu 2019 estão abertas — Foto: Reprodução/MEC

Começaram na madrugada as inscrições para o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que reúne 235.461 vagas em 129 instituições de todo o país, neste primeiro semestre. Para participar é preciso ter feito o Enem 2018. Saiba aqui como se inscrever.

Carnaval silencioso

Grupo de teatro brasiliense coloca nas ruas de Brasília, há quase uma década, o bloco 'Carnaval Silencioso'; participantes usam fone de ouvidos durante a festa — Foto: Estúdio Carbono/Thiago Sabino/Divulgação

Grupo de teatro brasiliense coloca nas ruas de Brasília, há quase uma década, o bloco ‘Carnaval Silencioso’; participantes usam fone de ouvidos durante a festa — Foto: Estúdio Carbono/Thiago Sabino/Divulgação

É com fones de ouvido e quase na surdina que foliões de Brasília usam um bloco fora de época para protestar e questionar a Lei do Silêncio imposta no DF, que restringe o volume de quem faz música na capital federal. Ao longo do desfile, os foliões saem pela noite bailando sob a mesma batida, diante de uma Brasília atônita pela cena inusitada.

Tem um caráter de denúncia. Mesmo sendo risível, porque a gente ri muito durante a performance, não deixa de ser um ato político. Pensar que a vida precisa estar nas ruas e não nos apartamentos”, disse um dos organizadores, Leonardo Shamah.

Copinha

Serão conhecidos hoje os finalistas da Copa São Paulo de Futebol Jr., o mais famoso torneio de futebol das categorias de base do Brasil:

  • 19h15: São Paulo x Guarani
  • 21h30: Corinthians x Vasco

Como em todos os anos, a final será no dia 25 (sexta-feira), em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, no tradicional estádio do Pacaembu.

Curtas e rápidas…

Previsão do tempo

Veja a previsão do tempo para terça (22)

Veja a previsão do tempo para terça (22)

Fonte: G1

 

Mãe de MC Melody culpa marido por sexualização da filha: ‘Fui contra’

Mãe de MC Melody culpa marido por sexualização da filha: 'Fui contra'
© Leo Franco / AgNews

 

A mãe de MC Melody, de 11 anos, quebrou o silêncio sobre a filha dizendo que é contra a sexualização da funkeira mirim e da irmã, Bella Angel, de 14 anos, que também é cantora. Em entrevista exclusiva ao jornal ‘Extra’, Glória Severino culpou o marido, Thiago Abreu, pelas decisões tomadas em relação à carreira das duas.

“Nunca fui a favor (da sensualização). Sempre fui contra. Reclamava quando elas usavam roupas curtas, mas elas batiam o pé e o pai também. Nunca consegui ser presente nessa questão da carreira das duas porque estava trabalhando. De repente, comecei a ver minhas filhas com muita exposição e erotização. Reclamava muito. O problema é que ele (Thiago) nunca me escutou”, afirmou.

Thiago e Glória são casados há 16 anos. Embora ainda vivam sob o mesmo teto, a mãe disse que vai pedir o divórcio, pois o marido mantém um relacionamento extraconjugal. “Sempre deixei ele (Thiago) à frente da carreira delas. Ele é um bom pai, mas começou a mudar o estilo da Melody principalmente depois desse relacionamento. Tudo passou a piorar do meio do ano passado para cá”, relatou.

Até agora é o pai que cuida da carreira das meninas e a mãe disse que sempre foi deixada de lado nas decisões. “As crianças ficam contra mim porque o pai apoia tudo o que elas fazem e eu não. Elas dizem que se a carreira delas acabar, a culpa é minha. Minhas filhas não estão emocionalmente bem. Sempre me senti chantageada”, revelou.

Segundo a reportagem, Glória deseja supervisionar a carreira das filhas após o término. “Estou levando a culpa (pela sensualização das meninas) e não fui eu que fiz nada disso. Quero direcionar minhas filhas, coisa que ele nunca me deixou fazer. Elas precisam ter uma estrutura maior, a mãe do lado. Eu apoio minha filha cantar, mas não essa sensualização. Vamos trabalhar dentro da lei”, afirmou.

NOTÍCIAS AO MINUTO

 

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Políticos da Assembleia do Rio movimentaram R$ 740 milhões

A movimentação financeira “suspeita” de políticos e ex-deputados estaduais do Rio de Janeiro soma mais de R$ 740 milhões. É o que aponta relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, que andou monitorando a Assembleia Legislativa do Estado. O número 1 entre os suspeitos, Jorge Picciani movimentou R$478 milhões, sendo R$26 milhões nas próprias contas.

Políticos do MDB, partido de Picciani e do filho Rafael (que movimentou R$9,3 milhões), são responsáveis por R$553 milhões suspeitos.

Fabrício Queiroz, ex-funcionário do senador eleito Flávio Bolsonaro, teria movimentado R$7 milhões em três anos, de 2014 a 2017.

Flávio Bolsonaro não é citado pelo Coaf na lista dos 27 deputados e ex-deputados que realizaram movimentações financeiras suspeitas.

O Coaf é órgão de inteligência, não investiga. Ele repassa informações que apura para órgãos como o Ministério Público Federal ou Estadual.

CLÁUDIO HUMBERTO

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Não é só Flávio Bolsonaro. Outros 26 deputados são investigados por improbidade no RJ

O procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, afirmou que Flávio Bolsonaro ( PSL -RJ) e os outros 26 deputados estaduais com assessores citados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ) são alvo de investigações na área cível.  Gussem rebateu as acusações da defesa de Flávio Bolsonaro, que, no pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou estar sendo formalmente investigado pelo órgão. Segundo ele, nenhum dos deputados constam como investigados em procedimentos criminais. A defesa do senador eleito afirmou ao Supremo que não incluir o nome de Flávio no rol de investigados foi um expediente usado pelo MP-RJ para manter o procedimento sob sua jurisdição.

— Não foi artifício (não torná-los investigados), muito pelo contrário. Foi um cuidado com o nome desses deputados — disse o procurador-geral.

O chefe do Ministério Público do Rio, porém, negou que os  parlamentares sejam alvo de procedimentos  na área criminal. Nesses casos, ele explicou que, até o momento, as investigações dizem respeito a fatos – as movimentações atípicas de servidores da Alerj identificadas pelo Coaf. No Flávio Bolsonaro, o procedimento segue em curso mesmo com a decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender as investigações do caso Queiroz. Isso porque o procedimento questionado pelo senador eleito corria na esfera criminal.

Gussem ainda afirmou que o relatório do Coaf listando movimentações de R$ 7 milhões em três anos na conta de Queiroz não integra os autos da investigação sob seu comando. O procurador-geral de Justiça rebateu a alegação de que houve quebra de sigilo no caso e abonou a atuação do Coaf.

— Dentro dos protocolos existentes o Coaf observou rigorosamente a lei existente — garantiu.

O procurador-geral disse que o Ministério Público do Rio não vai se manifestar nos autos do processo de Flávio Bolsonaro no Supremo. E aguardará a manifestação do relator, o ministro Marco Aurélio Mello, que afirmou “jogar no lixo” pedidos como esse.

Gussem ainda defendeu autonomia para os órgãos de investigação, acusados de seletividade pelo grupo político do presidente Jair Bolsonaro no episódio envolvendo Queiroz:

— Se queremos ter um país íntegro, limpo e diferente, temos que prestigiar os órgãos de controle.

O GLOBO

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Flávio Bolsonaro muda estratégia de comunicação

O senador eleito Flávio Bolsonaro tem sido aconselhado a não dar mais detalhes sobre a sua movimentação bancária. Em conversas reservadas, o filho de Jair Bolsonaro foi advertido de que já está diplomado como senador e, portanto, qualquer contradição poderá levá-lo ao Conselho de Ética. Mentir é um dos motivos de cassações de mandatos. Ele foi lembrado de que Renan Calheiros se complicou ao mostrar recibos para justificar pagamentos no caso Mônica Veloso. Renan renunciou à presidência do Senado e levou 11 anos até ser absolvido.

Um amigo da família Bolsonaro conta que Flávio é considerado o mais ponderado dos filhos. O problema, diz, é o entorno dele. A estratégia da comunicação será mostrar que seguir os mais radicais pode ser um tiro no pé.

A defesa de Fabrício Queiroz analisa ingressar na Justiça para impedir a imprensa de divulgar novos relatórios do Coaf com a movimentação financeira dele. Argumentará que o documento é sigiloso. Queiroz movimentou em 3 anos R$ 7 mi.

 

Outra estratégia dos defensores do ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj é periciar todas as transações suspeitas apontadas pelo Coaf. Em casos de outros clientes, os advogados já encontraram erros na papelada.

COLUNA DO ESTADÃO

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Investidores veem risco de reforma da Previdência travar no Congresso

No discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial, o presidente Jair Bolsonaro vai falar da importância da reforma da Previdência para o País, mas investidores internacionais têm dúvidas se o novo governo conseguirá apoio do Congresso Nacional para aprová-la.

Essa desconfiança foi expressa ontem pelo diretor adjunto do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria Milesi-Ferretti, a jornalistas brasileiros, em Davos. “Na área fiscal, a reforma da Previdência é importante, mas pode não passar pelo Congresso”, disse Milesi-Ferreti.

O executivo de um banco suíço de investimentos diz que não vê mudanças no Congresso brasileiro a ponto de garantir a aprovação da reforma. Ele lembrou da dificuldade que Michel Temer teve quando tentou, sem sucesso, mudar as regras de aposentadoria no País.

A proposta começou com uma economia de R$ 800 bilhões em 10 anos. Com as modificações feitas para conseguir aprovar o texto no Congresso, esse ganho foi desidratado para menos de R$ 400 bilhões e virou motivo de incerteza entre os investidores diante da perda de força do seu impacto para as contas públicas e para a sustentabilidade da Previdência.

Agora, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, estuda entre as propostas uma reforma que tenha impacto de até R$ 1 trilhão em dez anos – o que, segundo esse investidor, também é um fator de incerteza.

Em conversas informais na véspera da abertura, investidores também manifestaram preocupação de que as denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do presidente, minem o capital político de Bolsonaro entre os parlamentares justamente no momento de votação da proposta.

A expectativa em Davos é de que Bolsonaro e Guedes avancem em detalhes da proposta durante o evento. Um assessor do presidente que está em Davos informou ao Estadão/Broadcast que essa é uma possibilidade. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, disse, no entanto, que os detalhes serão dados no Brasil, por ser um assunto que interessa mais aos brasileiros do que à comunidade internacional. “Todos sabem que estamos estudando. Mas isso é para apresentar no Brasil.”

Bolsonaro recebeu a proposta na última quinta-feira e aproveitou a viagem para discutir a estratégia com seus ministros. Um ministro que integra a comitiva do presidente disse que os militares vão entrar na reforma da Previdência em linha com as declarações presidente em exercício Hamilton Mourão.

Ontem, em Brasília, ele defendeu um período de transição para aumentar de 30 para 35 anos o tempo mínimo de serviço para que militares se aposentem. Além disso, voltou a propor o fim do pagamento integral de pensão por morte de integrantes das Forças Armadas. Ele negou que haja resistência a esses temas. “São assuntos que estão sendo discutidos. Militar não resiste, militar é tranquilo, são os mais fáceis”, declarou.

Mourão disse que a proposta de reforma da Previdência deverá ser apresentada pelo governo só depois das eleições para a presidência da Câmara e do Senado. E negou que o caso envolvendo Flávio Bolsonaro atrapalhe a negociação da proposta no Congresso. “Isso não tem influência.”

Ontem, Guedes disse ao governador de São Paulo, João Doria, que a reforma é “prioridade absoluta” e pediu apoio para que o texto seja votado no primeiro quadrimestre deste ano. Os dois se encontraram rapidamente no hotel onde estão hospedados em Davos. Ao chegar para a reunião do fórum, Bolsonaro disse que está lá para mostrar que “o Brasil mudou”.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Patrimônio dos 26 mais ricos do mundo é igual ao da metade mais pobre

As 26 pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza dos 3,8 bilhões mais pobres, que correspondem a 50% da humanidade. Os dados, referentes a 2018, fazem parte do relatório global da organização não governamental Oxfam, lançado hoje (21), às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que se inicia amanhã (22) em Davos, na Suíça. Os números indicam que a riqueza está ainda mais concentrada, pois, em 2017, os mais ricos somavam 43.

A fortuna dos bilionários aumentou 12% em 2018, o equivalente a US$ 900 bilhões, ou US$ 2,5 bilhões por dia. A metade mais pobre do planeta, por outro lado, teve seu patrimônio diminuído em 11% no mesmo período. Além disso, desde a crise econômica iniciada em 2007, o número de bilionários dobrou no mundo, passando de 1.125 em 2008 para 2.208 no ano passado. O relatório indica ainda que os homens têm 50% mais do total de riqueza do mundo do que as mulheres.

Intitulado Bem Público ou Riqueza Privada?, o documento chama atenção para a necessidade de investimentos em serviços públicos, com destaque para educação e saúde, como forma de diminuir as desigualdades no mundo. “Como metade do planeta vive com menos de US$ 5,50 por dia, qualquer tipo de despesa médica empurra essas pessoas para a pobreza. Garantia de serviço público de saúde é a garantia estável e sustentada para quem está na base da pirâmide”, exemplificou Rafael Georges, coordenador de campanha da Oxfam Brasil.

Taxação

Como forma de redistribuição de riquezas, o relatório propõe uma taxação de 0,5% sobre a renda de bilionários que fazem parte do 1% mais rico do mundo. Segundo a organização, os recursos arrecadados seriam suficientes para incluir 262 milhões de crianças que estão fora da escola atualmente e também providenciar serviços de saúde que poderiam salvar a vida de mais de 3 milhões de pessoas.

“A retomada [do crescimento econômico], ao longo dos últimos dez anos, favoreceu o topo da pirâmide, não foi redistributiva, foi concentradora. O sistema tributário tem um papel central nessa concentração, na medida em que reduz as alíquotas máximas para quem é muito rico. Esse movimento ocorreu em todo o mundo”, avaliou o coordenador.

A Oxfam avalia que os governos contribuem para o aumento das desigualdades ao não taxarem os muito ricos e as grandes corporações e ao não investirem de forma apropriada em saúde e educação. Segundo a organização, no Brasil, os 10% mais pobres da sociedade pagam mais impostos proporcionalmente do que os 10% mais ricos, o mesmo ocorre no Reino Unido.

“Diferentemente dos países desenvolvidos, o Brasil é um país que apoia muito a sua carga tributária nos impostos indiretos, e isso acaba pesando mais no bolso da classe média e dos mais pobres. Todo mundo que compra o mesmo produto, paga a mesma carga. O ideal seria equilibrar isso, jogar mais a tributação para renda e patrimônio e diminuir a carga do consumo”, propôs Georges.

A organização destaca que, entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o que menos tributa renda e patrimônio. Enquanto no Brasil a cada R$ 1 que é arrecadado, R$ 0,22 vêm de impostos sobre a renda e do patrimônio, na média dos países essa parcela equivale a R$ 0,40 para cada R$ 1 pago em tributos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 59,4% da arrecadação vêm de impostos sobre a renda e o patrimônio da população.

Aumento da concentração

Georges avalia que dois fatores explicam, em parte, a concentração de riqueza no mundo: a guerra fiscal internacional e a existência de paraísos fiscais. “Existe uma dificuldade dos sistemas políticos, seja nacional ou internacional, de implantar medidas sérias de redistribuição. Em particular na questão tributária existe uma corrida para trás”, apontou. Para o coordenador da Oxfam Brasil, a guerra fiscal internacional – similar ao que ocorre entre os estados brasileiros em relação ao ICMS – “joga contra” a possibilidade de redistribuição de riquezas.

Outra parte, segundo ele, é explicada pela existência de paraísos fiscais. “Enquanto tiver países onde não se cobra nenhum tipo de tributo e se oferecem garantias de sigilo e de ocultamento de propriedade e de patrimônio, vai ter incentivo para que ninguém queira redistribuição de seu patrimônio e sua renda. A economia sempre vai ter uma válvula de escape que vai preservar uma espécie de elite global”, avaliou.

Agência Brasil

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Comprador de imóvel de Flávio Bolsonaro confirma ter pago parte em dinheiro

O ex-jogador de vôlei de praia Fábio Guerra afirmou nesta segunda-feira, 21, que pagou cerca de R$ 100 mil em dinheiro ao senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) pela compra de um apartamento na zona sul do Rio de Janeiro, em 2017.

A declaração de Guerra corrobora a versão dada por Flávio Bolsonaro neste domingo, 20, para os 48 depósitos de R$ 2 mil feitos em sua própria conta entre junho e julho de 2017 em um caixa eletrônico da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A movimentação foi considerada atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cujo relatório foi anexado ao inquérito que investiga suspeita de prática de lavagem de dinheiro ou “ocultação de bens, direitos e valores” no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj.

Em entrevista às emissoras de TV Record e Rede TV, Flávio afirmou que recebeu “em cash” os R$ 96 mil que ele mesmo depositou em sua conta como parte do pagamento de um imóvel que vendeu por R$ 2,4 milhões na capital fluminense.

Segundo Flávio Bolsonaro, ele havia comprado o mesmo imóvel da construtora PDG ainda na planta por um valor um pouco superior a R$ 1 milhão. A quantia, de acordo com ele, foi financiada pela Caixa Econômica Federal.

Reportagem da TV Globo mostrou que um outro trecho do relatório do Coaf destacou como movimentação atípica na conta de Flávio Bolsonaro a compra de um título da Caixa no valor de R$ 1.016 839.

O senador eleito afirmou que decidiu vender o imóvel porque a entrega dele atrasou. Ele enfatizou que a compra ocorreu com recursos lícitos obtidos com a sua atuação empresarial – ele é sócio de uma loja de chocolate em um shopping na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e tem salas comerciais alugadas na capital.

À reportagem, o comprador do imóvel de Flávio Bolsonaro confirmou ter pago cerca de R$ 100 mil em dinheiro pelo apartamento, mas não deu mais detalhes da transação. Ele disse ter ido ao banco nesta segunda-feira para obter os extratos da compra do imóvel. O advogado do ex-jogador de vôlei de praia deve emitir uma nota à imprensa com mais informações sobre o caso.

Investigação

Os dados do Coaf integram uma investigação do Ministério Público do Rio sobre a suspeita de prática de lavagem de dinheiro ou “ocultação de bens, direitos e valores” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, iniciada há seis meses. Entre os alvos está o ex-assessor Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão em transações suspeitas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em dezembro.

Neste domingo, o jornal O Globo mostrou que um relatório do Coaf apontou que as movimentações financeiras nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj, atingiram R$ 7 milhões entre os anos de 2014 e 2017.

À TV Record, Flávio disse que Queiroz apresentou uma “explicação plausível” logo após a divulgação dos dados e que espera que seu ex-assessor esclareça logo o assunto às autoridades.

Segundo reportagem da TV Globo, após análise do relatório de inteligência financeira (RIF) das movimentações bancárias de Queiroz, o MP do Rio pediu o novo relatório ao Coaf sobre as contas de Flávio Bolsonaro em 14 de dezembro e foi atendido no dia 17, um dia antes do deputado estadual ser diplomado senador. Portanto, segundo o MP, ele não tinha foro privilegiado na ocasião.

Após saber da existência desse relatório sobre sua movimentação financeira, Flávio Bolsonaro pediu a suspensão da investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que o MP do Rio não tinha competência para investigá-lo porque ele já tinha prerrogativa de foro com a diplomação como senador. O pedido foi atendido pelo ministro Luiz Fux. Agora, cabe ao ministro Marco Aurélio Mello, relator do processo no Supremo, analisar o caso depois que o tribunal retomar as suas atividades, em 1.º de fevereiro.

Na entrevista exibida neste domingo, Flávio Bolsonaro disse que não acionou o STF querendo foro privilegiado, mas apenas saber de quem é a competência para investigar o caso.

“Não pedi foro privilegiado ao STF. O que fiz foi uma reclamação, que é o remédio jurídico correto, para perguntar ao Supremo Tribunal Federal, obedecendo a uma decisão do próprio STF, que lá atrás decidiu sobre o foro e tem uma vírgula que diz assim: caso a caso o Supremo Tribunal Federal dirá qual é o foro competente. Se é o Rio de Janeiro, o MP do Rio, ou se é Brasília, o MP Federal. Então, a decisão que o Supremo vai tomar é para onde é que tenho que prestar os esclarecimentos”, afirmou Flávio Bolsonaro. “Não tenho nada para esconder de ninguém. Tem origem. Não tem origem ilícita”, afirmou.

Estadão Conteúdo

 

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