PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTA SEGUNDA-FEIRA

Por G1

 

Bolsonaro e sua equipe de transição seguem alinhavando o futuro governo. A missão agora é buscar maioria no Congresso para assegurar governabilidade e aprovação dos projetos. Na Polônia, começou a conferência sobre o clima, a COP 24. Há desafios e o G1 vai explicar pontos importantes das negociações. O que é notícia nesta segunda-feira:

INTERNACIONAIS

Conferência do Clima

Começaram neste domingo em Katowice, na Polônia, as negociações anuais da ONU sobre o clima. Neste ano, a principal tarefa da COP 24 será estabelecer o “livro de regras” do Acordo de Paris, ratificado em 2015. Naquele ano, 195 países se comprometeram a adotar medidas para limitar o aquecimento da Terra a até 2ºC. O G1 ouviu especialistas para apontar os principais desafios dessas negociações. Saiba o que está em jogo.

Trégua

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita na mesa), e o presidente da China, Xi Jinping, juntamente com as delegações dos dois países, durante jantar após a cúpula do G20 em Buenos Aires — Foto: Saul Loeb / AFP Photo

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita na mesa), e o presidente da China, Xi Jinping, juntamente com as delegações dos dois países, durante jantar após a cúpula do G20 em Buenos Aires — Foto: Saul Loeb / AFP Photo

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, concordaram em dar uma trégua na guerra comercial que travam há meses. Eles jantaram em Buenos Aires, após o encontro do G20. Trump vai suspender durante 90 dias seu plano de subir as tarifas americanas sobre produtos chineses. Em troca, Pequim se compromete a aumentar as compras de produtos americanos e a analisar “mudanças estruturais” em sua política econômica.

Saiba mais:

Desligou no fim de semana?

– Encontro do G20: reunidos em Buenos Aires, os líderes das principais economias do mundo assinaram um comunicado em que defendem uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirmam que o Acordo de Paris é “irreversível”. O governo dos EUA, no entanto, incluiu no texto sua decisão de abandonar o pacto.

Líderes mundiais posam para foto durante a abertura do G20, em Buenos Aires, na sexta-feira (30) — Foto: Reuters/Andres Martinez Casares/Pool

Líderes mundiais posam para foto durante a abertura do G20, em Buenos Aires, na sexta-feira (30) — Foto: Reuters/Andres Martinez Casares/Pool

– Paris em chamas: no sábado, um novo protesto dos “coletes amarelos” terminou em confrontos com a polícia e vandalismo na capital francesa. Quase 300 pessoas foram detidas e mais de 100 ficaram feridas. Carros foram queimados e lojas, depredadas por mascarados vestidos de preto. O presidente Emmanuel Macron, que estava na Argentina para o G20, retornou ao país ontem e avalia medidas para evitar novas cenas de violência. O movimento começou com protestos contra o aumento dos combustíveis e cresceu alimentado pela insatisfação com a situação econômica do país. Entenda por que o colete amarelo virou um símbolo das manifestações.

Bombeiros tentam apagar chamas de carro após protesto em Paris — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

Bombeiros tentam apagar chamas de carro após protesto em Paris — Foto: REUTERS/Stephane Mahe

 

NACIONAIS

Negociação política

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, receberá nesta semana mais de 100 parlamentares de 4 partidos (MDB, PRB, PR e PSDB) para reuniões no gabinete de transição, em Brasília. O objetivo é buscar maioria parlamentar no Congresso para garantir a aprovação de projetos como a reforma da Previdência. Até agora, Bolsonaro vinha priorizando as negociações com bancadas temáticas (ruralistas e evangélicos, por exemplo) para a formação do ministério.

Brasileirão

Com direito a público recorde e Bolsonaro no estádio, o campeão Palmeiras derrotou o Vitória e ergueu a taça com 80 pontos. É a 2ª melhor campanha da era dos pontos corridos em campeonatos com 20 equipes.

Bolsonaro entrega taça do Campeonato Brasileiro a Bruno Henrique, capitão do Palmeiras — Foto: Reprodução/TV Globo

Bolsonaro entrega taça do Campeonato Brasileiro a Bruno Henrique, capitão do Palmeiras — Foto: Reprodução/TV Globo

Sport e América-MG se uniram a Vitória e Paraná no grupo dos rebaixados. O time pernambucano derrotou o Santos, mas caiu devido à combinação de resultados. O Grêmio bateu o Corinthians e garantiu vaga direta na Libertadores, junto com Palmeiras, Flamengo e Internacional. O São Paulo perdeu para a Chapecoense, terminou em 5º e terá que enfrentar a fase prévia, que também terá o Atlético-MG.

Veja a classificação final e quem vai disputar a Copa Sul-Americana em 2019.

Assista abaixo aos gols do Fantástico:

América-MG, Sport e Vitória se unem ao Paraná e são rebaixados no Brasileirão

América-MG, Sport e Vitória se unem ao Paraná e são rebaixados no Brasileirão

Curtas e Rápidas:

– Marginal Pinheiros: a Prefeitura de SP conseguiu erguer a parte do viaduto que cedeu no dia 15 de novembro. A operação usou macacos hidráulicos para erguer a pista. Agora, será possível analisar melhor o estado da estrutura para iniciar os reparos necessários. O trecho continua interditado.

Prefeitura de SP usa macacos hidráulicos para erguer viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros — Foto: Reprodução/GloboNews

Prefeitura de SP usa macacos hidráulicos para erguer viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros — Foto: Reprodução/GloboNews

Hoje é dia de…

  • Dia Nacional de Combate à Pirataria e a Biopirataria
  • Dia do Delegado de Polícia

Fonte: G1

RJ gasta R$ 3 milhões mensais com salários de 21 investigados por corrupção, vários deles presos

O número de contracheques é considerável; o valor neles, também. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que o estado gasta R$ 3 milhões brutos por mês com o pagamento de salários de 21 integrantes de seu primeiro escalão sob suspeita de corrupção — nenhum está no exercício de sua função (três são aposentados). A lista inclui parlamentares da Assembleia Legislativa (Alerj), conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e membros do Executivo. O dinheiro custearia mensalmente, por exemplo, três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Ou bancaria, com troco, a folha dos 790 funcionários ativos lotados na Secretaria de Segurança, de R$ 2,3 milhões.

As remunerações de oito das 29 pessoas pesquisadas pelo GLOBO não constam de portais de transparência dos órgãos em que estavam lotadas ou não foram informadas por eles. É o caso de Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016, que não recebe aposentadoria como ex-governador, benefício que existia por lei até 2002. No Senado, onde ficou quatro anos (2003 a 2006), ele não está na lista de beneficiados. E, na Alerj, onde cumpriu três mandatos (1991 a 2002), não requereu a pensão vitalícia a que teria direito, segundo o superintendente do Instituto de Previdência da Alerj (Ipalerj), Nelson Alves Pereira:

— Por lei, a pensão para deputados acabou em janeiro de 1999. Cabral teria direito, pelos oito anos de mandato até o benefício ser extinto. Mas optou por pedir de volta o que tinha contribuído para o Ipalerj.

Segundo a assessoria de imprensa do governo, ainda não há uma decisão sobre o corte de vencimentos do governador Luiz Fernando Pezão (R$ 19.681,33), preso na última quinta-feira na Operação Boca de Lobo, embora o Ministério Público Federal e a Polícia Federal (PF) ainda não tenham apresentado provas materiais de seu envolvimento direto com o recebimento de propinas. O seu secretário de Obras, José Iran (com vencimentos de R$ 16.579,79 em outubro), detido na mesma ocasião, foi exonerado na sexta-feira..

Legislação Permite

Professora do Insper, a especialista em Direito Penal Marina Coelho Araújo explica que o fato de os investigados estarem recebendo, mesmo sem trabalhar, não afronta a legislação:

— Existe a presunção de inocência. É preciso esperar os processos transitarem em julgado.

Alvos das operações Cadeia Velha e Furna da Onça, os deputados Jorge Picciani e Paulo Melo (MDB) recebem pensão vitalícia. Por oito anos de mandato antes de o benefício ser cortado, cada um faz jus a 30% do subsídio de deputado (R$ 7.596,67 de R$ 25.322,25).

Com nove deputados presos e um impedido de entrar no Palácio Tiradentes, é na Alerj, aliás, que a conta fica mais salgada: chega a R$ 2,64 milhões brutos o gasto mensal com pessoal desses dez gabinetes. Isso porque, os deputados suspeitos tiveram as remunerações mantidas, e os funcionários deles permanecem nos cargos.

Pelo regimento interno da Alerj, só o Conselho de Ética pode propor a cassação de um parlamentar. O que já foi feito com relação aos detidos. Na última quarta-feira, no entanto, não houve quorum no Conselho para a escolha do relator do processo.

No TCE, a realidade é um pouco diferente. Desde março de 2017, quando cinco conselheiros e um ex-conselheiro foram presos durante a operação Quinto do Ouro, os gabinetes estão lacrados. Servidores cedidos de outros órgãos foram devolvidos, e comissionados não dispensados passaram a trabalhar com os conselheiros substitutos.

Soltos, os seis afastados aguardam que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decida sobre a denúncia do MPF. Enquanto isso, recebem. Quatro, inclusive, têm adicional e abono de permanência. Já julgado e condenado a prisão domiciliar e prestação de serviços comunitários, o ex-conselheiro Jonas Lopes teve seus vencimentos cortados. O TCE-RJ informou que é preciso uma decisão judicial para que os salários sejam suspensos.

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Mãe é condenada por fazer filha de 5 anos comer cocô em Mato Grosso

Os desembargadores da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso mantiveram a condenação de uma mãe pelo crime de tortura-castigo ao fazer a filha comer as próprias fezes.

O caso aconteceu no município de Juara, 709 km a médio-norte de Cuiabá, quando a criança tinha cinco anos de idade.

Segundo consta no recurso de Apelação nº 63906/2018, a criança possuía um problema em fazer suas necessidades fisiológicas na roupa e a mãe frequentemente batia nela e a punia esfregando o cocô no corpo da criança.

Após uma denúncia anônima, o Conselho Tutelar flagrou o crime na casa da família, encontrando a criança ‘com o rosto todo cheio de fezes humana com cheiro muito forte, com a roupa toda suja de fezes, e com marcas de agressão no braço direito e na mão esquerda e com várias marcas de agressão na perna direita e no bumbum’, conforme descreveu o relatório de visita das conselheiras.

Ao apelar da sentença, a mulher buscava a desclassificação do crime de tortura para maus-tratos e reconhecimento da atenuante da confissão espontânea, uma vez que ela assumiu os fatos.

Na análise do recurso, o desembargador Marcos Machado negou o pedido. Segundo a Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Machado considerou presentes os elementos da tortura-castigo.

“Os atos de agredir, esfregar e submeter criança sob sua guarda a comer as próprias fezes não se apresentam compatíveis com caráter disciplinar, visto que ausente finalidade de educação, bem como desproporcional e desarrazoado a cunho corretivo”, ponderou o magistrado.

Em relação à atenuante da confissão espontânea, o desembargador destacou que foi reconhecida e aplicada pelo juiz da causa, ‘devidamente compensada com as agravantes de motivo fútil, crime cometido contra descendente e prevalecimento de relações domésticas’.

A pena foi readequada para privativa de liberdade a 3 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime aberto.

FAUSTO MACEDO / ESTADÃO

Lula está sendo pressionado para concordar com prisão domiciliar

O ex-presidente Lula está recebendo pressão de amigos, correligionários e familiares para concordar com o pedido de uma prisão domiciliar.

O petista sempre rechaçou a ideia, com o argumento de que faz questão de ter a inocência reconhecida.

TEM QUE SER

De acordo com interlocutores, ele segue resistindo à hipótese. Mas pessoas que o visitam estão dispostas a insistir nela.

PASSADO

A chance de Lula obter o benefício de cumprir o restante de sua pena em casa surgiu em junho, quando o advogado Sepúlveda Pertenceentregou um memorial aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fazendo o pedido. Lula, no entanto, repeliu a ideia.

PRESENTE

Mesmo que o ex-presidente agora concorde e que o pleito seja novamente apresentado, não é seguro que será atendido pelo tribunal.

MÔNICA BERGAMO

 

‘Nossa fórmula de gestão não tem cargos’, diz Onyx sobre relação de Bolsonaro com partidos

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse ao blog neste domingo (2) que, nas conversas que ele e o presidente eleito, Jair Bolsonaro, terão com as bancadas nesta semana, o governo eleito mostrará que “está se criando uma nova fórmula de relacionamento”, “sem distribuição de cargos”.

“Nas conversas, juntamente com o presidente, vamos mostrar e apresentar como vai ser daqui para frente – diferentemente do que aconteceu nas últimas três décadas, o toma lá, dá cá. Estamos criando uma nova forma de relacionamento, inventando uma fórmula, que não tem cargos”, afirmou.

Bolsonaro receberá MDB, PRB, PR e PSDB para começar negociações com partidos. Até então, a prioridade do presidente eleito era negociar com bancadas temáticas no Congresso.

Segundo Onyx, ele será o responsável pela articulação política do governo. O futuro ministro da Casa Civil disse que esta “nova fórmula” passará pelo atendimento por bancadas e estados, apesar de registrar que vão “respeitar” líderes partidários. “Vamos dialogar com todos”, disse.

Perguntado pelo blog como o governo pretende negociar de forma diferente com partidos que têm práticas fisiológicas, como PR e MDB, ele respondeu: “Foi esta prática que trouxe o Brasil para o momento que ele está hoje. Não vai ter cargos, estamos conversando com as bancadas. Os líderes gostaram. Vamos cuidar dos parlamentares, eles serão respeitados”.

Uma das estratégias do novo governo será prestigiar parlamentares em obras nos seus estados, em suas bases eleitorais. “Terão atendimento criterioso nos programas do governo federal, a construção da parceria se dará previamente, a cada circunstância. Parlamentares serão convidados a serem padrinhos de projetos estruturantes, por exemplo, de estradas nos seus estados”, declarou.

Onyx montou duas secretarias na Casa Civil: uma para cuidar da Câmara e a outra, do Senado, que serão compostas por ex-parlamentares.

Disputa no Congresso

Sobre o comando no Congresso, ele chamou de “intriga” o bastidor de que ele estaria trabalhando contra a candidatura à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) – do mesmo partido que o ministro – à Presidência da Câmara.

“Intriga. Não tem fundamento. Eu disse ao Rodrigo, junto com [o futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência] Gustavo Bebianno, que não haverá interferência do governo”, afirmou.

Ele disse que, no Senado, o governo irá pelo mesmo caminho. “Temos esta tranquilidade”, ressaltou.

G1 / ANDRÉIA SADI

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Associações do judiciário pedem compensação por fim de auxílio-moradia

Associações de categorias ligadas ao Poder Judiciário discutem formas para recuperar, ao menos em parte, perdas que teriam sido provocadas pelo fim do auxílio-moradia e cogitam a criação de um benefício adicional, com a justificativa de compensar a redução de valores nos vencimentos dos servidores. Caso avance, a sugestão deve ser levada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Os órgãos serão responsáveis por regulamentar casos em que o auxílio-moradia será permitido, após o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, revogar na semana passada liminares de 2014 que garantiram o pagamento do benefício sem restrições.

A decisão de Fux fez parte de um acordo com o presidente Michel Temerque sancionou reajuste de 16,38% para o salário dos ministros do STF – base para o restante do funcionalismo público. Associações de classe, porém, reclamam que a revisão é insuficiente para recompor a perda nos vencimentos com o fim do auxílio-moradia, que não sofre descontos por ser verba indenizatória. Já sobre o valor a mais no salário, incidem tributos.

“O que nós podemos ter, como uma regra de transição pelo menos, é algum tipo de pagamento de auxílio que complementasse as despesas, para pelo menos manter a irredutibilidade dos valores”, disse ao Estado o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mendes. Segundo ele, a proposta ainda não está fechada.

Outra sugestão em fase de debate é de replicar regras do pagamento de auxílio-moradia previstas no Estatuto dos Servidores Públicos Federais. Instituído em 1990, o estatuto define o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.

O debate é feito num contexto em que as categorias se dizem vítimas de um tratamento desigual, tanto em direitos como da opinião pública, em relação a outros servidores contemplados com auxílio-moradia. “Ainda não se tem nada de concreto, mas certamente essa é uma das hipóteses que tem de ser avaliada. Porque não faz sentido também que o servidor da Justiça tenha direito maior que o próprio juiz. Isso aconteceu até 2014”, afirmou Mendes.

Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti disse que a solução ideal é aquela que uniformize as carreiras da magistratura e do Ministério Público. “O Estatuto dos Servidores tem alguns valores de auxílio-moradia menores do que é pago para juízes. Já que a questão é impacto econômico, se for uma discussão de colocar um valor mais baixo, a gente pode fazer.”

No caso do MP, porém, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recorreu para que a decisão de Fux não seja aplicada aos procuradores e promotores.

Segundo apurou o Estado, o CNJ já deu início ao processo para cumprir a decisão de Fux de regulamentar o pagamento do benefício. Enquanto isso, no CNMP ainda não houve avanço. Mesmo assim, as associações têm procurados conselheiros do CNMP para discutir a questão.

Nesta segunda, 3, e terça-feira, 4, o presidente do STF, Dias Toffoli, e alguns conselheiros do CNJ estarão reunidos na 12.ª edição do Encontro Nacional do Poder Judiciário, em Foz do Iguaçu (PR), evento visto como oportunidade para as associações abrirem diálogo com membros do conselho.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Governadores eleitos assumem sob a ameaça de ‘bombas fiscais’

A dramática situação financeira dos Estados não impediu que deputados armassem verdadeiras “bombas fiscais” para os governadores eleitos que vão assumir seus mandatos a partir de 1.° de janeiro. Em ao menos quatro Estados e no Distrito Federal, tramitam nos Legislativos estaduais ou já foram aprovados após o resultado das urnas projetos que, se somados, impactam em R$ 1,1 bilhão por ano os cofres públicos.

Em Minas, a Assembleia Legislativa aprovou há 13 dias um aumento de salário para os servidores públicos que terá impacto anual de R$ 122,5 milhões. O reajuste já foi sancionado pelo governador em exercício, desembargador Nelson Missias de Morais. Fernando Pimentel (PT), governador do Estado, está em viagem em caráter pessoal ao exterior. O vice, Antônio Andrade (MDB), e o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (MDB), substitutos diretos de Pimentel, também estão em viagem. No mês passado, já havia sido aprovada a transferência para o governo de uma dívida de R$ 100,7 milhões de fundações associadas à Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).

“Não nos parece um momento adequado. O Estado já está absolutamente falido”, disse o vereador de Belo Horizonte Mateus Simões (Novo), coordenador da transição. O deputado estadual André Quintão (PT), líder do governo, afirmou que a aprovação dos reajustes representou uma questão legal, de data-base, e só não ocorreu antes por causa do período eleitoral.

No Rio Grande do Sul, o governador eleito, Eduardo Leite (PSDB), tenta convencer chefes dos outros Poderes a desistirem da proposta de reajuste salarial de 5,58% dos servidores, em análise na Assembleia. O impacto seria de R$ 132 milhões ao ano. O argumento usado por Leite é a dificuldade do Estado em contrair mais um gasto.

Atrasos. O governo mineiro tem atrasado o pagamento de salários e o repasse de recursos para os municípios do Estado. Também não sabe quando e como vai reunir receita para saldar o 13.º salário do funcionalismo deste ano. No Rio Grande do Sul, o problema ainda é o 13.º referente a 2017, que não foi pago de forma integral. Alguns governadores defendem a privatização de serviços públicos para fazer frente às despesas.

Ao avaliar as contas estaduais de 2017, o Tesouro Nacional classificou o quadro como “insustentável”. Pelos dados do órgão, 14 Estados estouraram o limite de comprometimento de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O campeão foi Minas Gerais (79,18% são comprometidos com salários e aposentadorias de servidores). Como resultado, o déficit orçamentário de 2017 dos Estados apresentou piora em R$ 12,5 bilhões em relação a 2016, fechando o ano com déficit de R$ 20,3 bilhões – pior resultado do triênio 2015-2017.

“Infelizmente é uma prática que faz parte da nossa cultura política. A LRF foi uma tentativa de colocar um freio nisso, mas existem muitos subterfúgios para driblá-la”, diz o cientista político Rodrigo Prando, professor do Mackenzie.

Para o também cientista político Humberto Dantas, da USP, os Legislativos funcionam com uma lógica corporativista. “Muitas dessas pautas são relativas a gastos e benefícios para alguns setores do serviço público ou grupos de pressão com poder econômico.”

Em Goiás, o Legislativo discute a adoção do Orçamento Impositivo, que obriga o governador a executar emendas parlamentares. O impacto pode passar de R$ 300 milhões. O governador eleito, Ronaldo Caiado (DEM), disse aos deputados ser favorável, mas ressaltou as dificuldades atuais. “Essa é uma prerrogativa dos deputados, eu tenho direito apenas de expor a eles a realidade do momento.”

No DF, a licitação para a contratação de planos de saúde e odontológicos para servidores públicos locais é tratada como uma possível “pauta-bomba” pela equipe do governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB). Seriam necessários R$ 40 milhões para subsidiar o benefício. “Estou resolvendo isso na base do diálogo com o governador Rodrigo Rollemberg”, afirma Ibaneis.

Em SP, PEC dobra valor de emendas legislativas

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), vai encontrar na Assembleia Legislativa uma lista com 14 propostas que poderão ter reflexo direto no orçamento do Estado em 2019, previsto em R$ 229 bilhões.

O projeto de maior impacto é o que tramita com apoio da maioria das bancadas porque tem potencial de aumentar o capital político dos parlamentares. Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo deputado estadual Jorge Caruso (PMDB) que propõe dobrar, pelo segundo ano consecutivo, o valor das emendas impositivas – cotas do Orçamento que dependem de indicação parlamentar para serem executadas.

Pela lei atual, os deputados estaduais paulistas dispõem de 0,3% da receita corrente líquida do Estado em emendas impositivas. Hoje, este valor equivale a cerca de R$ 4,5 milhões por deputado. A proposta é elevar essa cota individual para 0,6% já a partir do ano que vem, aumentando o valor para R$ 9 milhões. Se aprovada, a proposta geraria um impacto de R$ 423 milhões no orçamento do Estado.

Outro projeto que preocupa a base de Doria é o que propõe a redução da diferença salarial entre 1.° e 2.° tenentes da Polícia Militar – que exercem as mesmas funções, mas recebem remuneração 30,03% menor. Essa mudança acarretaria uma despesa extra anual de R$ 200 milhões.

Tramita ainda em caráter de urgência um Projeto de Lei Complementar que institui o Prêmio de Incentivo à Qualidade para os servidores da Secretaria da Fazenda. O impacto nesse caso seria menor: R$ 10 milhões por ano, de acordo com cálculo feito pela bancada do PSDB na Assembleia paulista.

“Vamos analisar com critério os projetos, aprovando o necessário, mas analisando também a saúde financeira do Estado”, afirma o líder do PSDB, deputado Marco Vinholi.

ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte: Blog do BG

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