PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTA SEGUNDA-FEIRA

Por G1

 

Em entrevista exclusiva ao Fantástico, Sérgio Moro afirmou que ministro do novo governo que sofrer denúncia ‘consistente’ de corrupção deve ser afastado. O juiz da Lava Jato também falou sobre as críticas que recebeu ao aceitar o convite de Bolsonaro para o Ministério da Justiça, da agenda anticorrupção, posse e porte de armas, minorias e redução da maioridade penal. Leia os principais pontos da entrevista no G1 e reveja a entrevista na íntegra. Passadas as eleições, um núcleo de inteligência da Justiça Eleitoral vai apurar 25 mil indícios de irregularidade em contas de campanhas; veja quais são as principais suspeitas. O Enem acabou ontem, mas nada de folga: vestibulando terá Unesp, Unicamp e Fuvest ainda este mês. Veja o calendário de provas e saiba tudo do 2º dia do exame em todo o país. O que é notícia nesta segunda-feira:

Moro

Moro: 'Não assumiria papel de ministro da Justiça com risco de comprometer minha biografia'

Moro: ‘Não assumiria papel de ministro da Justiça com risco de comprometer minha biografia’

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, deu entrevista exclusiva ontem à noite ao Fantástico em que disse que ministro do novo governo que vier a sofrer denúncia ‘consistente’ de corrupção deve ser afastado. Ele também afirmou que considera a lei atual muito restritiva para posse de arma em casa, que o combate ao crime deve evitar confronto armado e que maiores de 16 anos já têm ‘compreensão que é errado matar’; veja principais temas e assista à íntegra da entrevista.

Futuro governo

Economista Paulo Guedes, em imagem de 6 de agosto, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) — Foto: Sergio Moraes/Reuters

Economista Paulo Guedes, em imagem de 6 de agosto, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) — Foto: Sergio Moraes/Reuters

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, avançou na montagem de sua equipe no governo Bolsonaro, informa Cristiana Lôbo. Ele acertou a presença de nomes já conhecidos na administração federal: Ivan Monteiro deve continuar na Petrobras, Joaquim Levy deve assumir o BNDES, e Mansueto Almeida pode continuar na Secretaria do Tesouro, que já ocupa no governo Temer.

Raio-x do Enem

Caderno de provas azul do segundo dia de Enem 2018 — Foto: G1/G1

Caderno de provas azul do segundo dia de Enem 2018 — Foto: G1/G1

Doze das 90 questões do 2º dia do Enem 2018 exigiram dos estudantes mais tempo do que o disponível para concluir a prova. É o que aponta a média de um levantamento feito pelo G1 com dez cursinhos pelo Brasil. Veja o raio-x da prova, levando em consideração tempo exigido, importância dos textos-base, assuntos abordados e qualidade das questões.

O gabarito oficial só será divulgado na quarta-feira, mas enquanto isso no G1 os estudantes já podem conferir o gabarito extraoficial e a resolução comentada de todas as questões.

Ainda hoje, o G1 também terá um programa ao vivo, às 14h, em que os professores explicam as 10 questões mais difíceis e polêmicas do Enem.

Eleições 2018

A fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Técnicos do Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral, que reúne diversos órgãos de fiscalização, identificaram até o fim de outubro 25.064 indícios de irregularidades nas prestações de contas dos candidatos nas eleições deste ano. O cruzamento de informações resultou em suspeitas que envolvem R$ 53 milhões em gastos e doações, a maioria por suposta burla à proibição de doação por empresas.

Tragédia em Niterói

Corpos de vítimas de deslizamento em Niterói, no RJ, começam a ser enterrados

Corpos de vítimas de deslizamento em Niterói, no RJ, começam a ser enterrados

Devem ser enterrados hoje os corpos de outras vítimas do deslizamento que atingiu imóveis no Morro da Boa Esperança, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Ao todo, 15 pessoas morreram na tragédia; 11 delas foram enterradas ontem. Mais de 20 famílias continuam desabrigadas.

Mensagens apagadas

Em parceria com o Google, WhatsApp irá mudar configurações de backup e por isso usuários que quiserem salvar suas conversas precisam fazer um backup antes de segunda-feira (12). — Foto: AFP

Em parceria com o Google, WhatsApp irá mudar configurações de backup e por isso usuários que quiserem salvar suas conversas precisam fazer um backup antes de segunda-feira (12). — Foto: AFP

Você usa WhatsApp e tem o sistema operacional Android no seu celular? Então, é melhor fazer uma cópia de segurança das suas mensagens o quanto antes. A partir de hoje, todas as mensagens de WhatsApp que não estejam guardadas serão apagadas para quem não usa o sistema operacional da Apple, o iOS. A má notícia é que, se você não fez uma cópia de segurança das mensagens nos últimos 12 meses, o WhatsApp apagará todas as suas mensagens antigas, assim como todos os vídeos e fotos. Entenda melhor aqui e saiba como fazer uma cópia de segurança.

Gols da rodada

Gols do Fantástico: Palmeiras empata e segue líder do Brasileirão com 5 pontos de vantagem

Gols do Fantástico: Palmeiras empata e segue líder do Brasileirão com 5 pontos de vantagem

Fonte: G1

Senado articula barrar Escola sem Partido e ‘agenda da bala’

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa o Foto: Jonas Pereira / Jonas Pereira/Agência Senado

Com a perspectiva de um novo governo patrocinando projetos polêmicos — como a liberação do porte de armas , o enquadramento de movimentos sociais na Lei Antiterrorismo e oEscola sem Partido —, parlamentares de diferentes partidos se articulam para tentar fazer do Senado a “casa do equilíbrio” da República. Temendo a radicalização nessas pautas, até senadores de PT e PSDB admitem se alinhar na votação dos projetos.

As costuras passam pela escolha do presidente do Senado, no ano que vem. Diferentes lideranças defendem um senador de perfil moderado, sem alinhamento direto com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas que não faça parte da oposição a ele. Por trás desse discurso, a articulação é para chegar a um nome com força para pôr freio a eventuais extremismos na agenda do governo que provoquem tensionamentos sociais.

— Há muitos senadores novos cuja opinião não conhecemos, mas o consenso entre os partidos é a favor de uma Casa moderada, que não faça oposição sistemática. O governo foi eleito e o Brasil tem de ir para frente. Tudo aquilo que for de interesse do país, vamos votar a favor. Mas, também agiremos para que questões mais radicais sejam contidas aqui e a gente mantenha o equilíbrio — diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Assessores dos partidos na Casa calculam que, entre os 81 senadores, Bolsonaro tem, por ora, uma bancada de cerca de 20 parlamentares de partidos como o PSL, PSC, PTB e Podemos alinhados a ele. A tentativa da legenda do presidente eleito é aumentar esse número.

A intenção das lideranças que defendem a necessidade de ter um Senado capaz de barrar radicalismos é formar maioria junto com a “oposição ferrenha” a Bolsonaro, e com senadores independentes, que admitem apoiar o presidente eleito em parte da agenda econômica, mas não os projetos considerados conservadores.

Oposição dividida

Com pretensão de se diferenciar do PT, o bloco em gestação liderado pelo PDT, que reúne PPS, PSB e Rede, pretende fazer uma “oposição propositiva”.

— Vamos ter de aceitar a agenda do Executivo, porque ele foi referendado pelas urnas. Obviamente, não faremos uma aprovação automática. Vamos aprimorar, questionar pontos e, com certeza, evitar essas maluquices — diz o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE).

O PSDB deve se reunir até o fim do ano para decidir sua posição sobre o governo. Independentemente disso, Tasso diz que senadores do partido admitem conversas até com o PT em pautas com radicalismos:

— Com o PT, temos visões bastante diferentes na linha econômica. Mas, em matéria de comportamento, é bem possível e provável que haja alinhamento.

Os petistas também estão abertos a esse diálogo. O senador Humberto Costa (PT-PE) disse à revista ÉPOCA que “não vê problema de termos as mesmas posições (de senadores de partidos como PSDB e DEM) num enfrentamento a Bolsonaro”.

A tentativa de dar ao Senado a feição de “poder moderador” passa pelas articulações em torno do comando da Casa. A preferência é por um nome que chegue com o discurso de que não atrapalhará o governo em pautas importantes para o país, mas que dê aos senadores a segurança de que enfrentará o grupo de Bolsonaro quando necessário.

Um dos nomes cotados por esses senadores contrários às pautas radicais é o de Renan Calheiros (MDB-AL). Publicamente, ele já tenta se colocar como um agregador. Questionado pelo GLOBO sobre a agenda conservadora, ele desconversou, dizendo que “é preciso esperar os novos senadores” e que a Casa pode colaborar com as propostas que “façam mudanças que o Brasil quer”.

— O papel do novo governo é preponderante. O Parlamento deve fazer um planejamento das matérias que devem ser votadas. Isso amadurece o Parlamento. Quando necessário, é possível recorrer a referendos, como fiz (como presidente do Senado, em 2005) sobre a vendas de armas.

Judiciário preocupado

Senadores relatam que, alarmados com essas propostas, representantes do Judiciário têm manifestado a eles a necessidade de que o Senado seja uma “casa de contenção”. O temor é de que o Judiciário se fragilize caso tenha de assumir o papel de derrubar projetos aprovados.

Composto por políticos mais experientes do que os deputados, o Senado tradicionalmente atua como uma casa de mais moderação. Sob a presidência do próprio Renan, entre 2013 e 2016, deixou na gaveta projetos polêmicos pautados pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), como a redução da maioridade penal e a terceirização irrestrita. O atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), manteve a mesma linha.

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Ex-chefe do Ministério Público do Rio que foi preso pagou R$ 200 mil em dinheiro vivo por casa em Búzios

O ex-procurador-geral de Justiça do Rio Cláudio Lopes declarou, em depoimento, que pagou uma parcela de uma casa em Búzios, litoral do Rio, com R$ 200 mil em dinheiro vivo. Cláudio Lopes foi preso na quinta-feira, 8 em sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, acusado de participar do esquema de propinas liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

O depoimento foi prestado em 28 de setembro. O ex-procurador-geral de Justiça contou que os R$ 200 mil eram fruto de uma ‘atividade que exercia, desde 1991, no magistério, mais especificamente na área de cursos preparatórios para concursos’.

A casa, segundo o Ministério Público do Rio, custou R$ 500 mil em janeiro 2011. Como procurador-geral, Lopes chefiou a instituição no Estado do Rio entre 2009 e 2012.

A vendedora do imóvel em Búzios também prestou depoimento. Ela contou que ‘estranhou o fato de o comprador desejar pagar parte da casa em dinheiro’.

“A depoente se dirigiu ao banco e teve contato com o comprador da casa; que se recorda que Claudio comprou o imóvel de Búzios, pagando parte em dinheiro e parte em cheque; que o dinheiro foi depositado imediatamente na conta corrente da declarante, assim como a parte que foi paga em cheque”, narrou.

Pouco mais de um ano após a compra da casa, Cláudio Lopes ‘justificou’ a aquisição em correspondência enviada a seus pares em 24 de setembro de 2012. Na ocasião, o então procurador-geral de Justiça citou a Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Integrantes do Ministério Público e da Defensoria Pública no Estado do Rio de Janeiro (Coomperj).

“Adquiri esse ano uma pequena casa em Búzios, financiada pela Coomperj, com desconto em folha de pagamento e fruto da verba recebida pela PAE, que fui o primeiro Procurador-Geral a instituir e que pago em condições e valores sem paralelo no Brasil”, declarou.

Na avaliação do atual procurador-geral de Justiça em exercício Ricardo Ribeiro Martins, a mudança nas versões de 2012 e de 2018 ‘revela inconsistência’ das explicações de Claudio Lopes.

“E pior: apresentou a inverossímil afirmação que, em pleno século XXI, na cidade do Rio de Janeiro, considerada uma das mais violentas do mundo, manteve R$ 200 mil em espécie dentro sua residência, durante mais de cinco anos, uma vez que afirmou que deixou de dar aula em quantidade significativa em 2005”, apontou Ricardo Ribeiro Martins.

Em outubro, Cláudio Lopes foi denunciado pelo próprio órgão por formação de quadrilha, corrupção e quebra de sigilo funcional. No mesmo processo, que tramita em segredo de Justiça, também foram denunciados o ex-governador Cabral, o ex-secretário estadual de governo Wilson Carlos e Sérgio de Castro Oliveira, suposto operador financeiro de Cabral.

O ex-procurador-geral é acusado pelo ex-secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e pelo ex-subsecretário executivo da mesma pasta, Cesar Romero, de ter vazado para ambos a realização de uma operação de busca e apreensão que seria realizada na casa de Romero, a pedido do Ministério Público, em novembro de 2010.

A busca foi feita, mas não foram encontrados documentos comprometedores porque no dia anterior Romero destruiu o material que poderia incriminá-lo, usando até um triturador de papel, segundo contou à Justiça.

Segundo um ex-operador do ex-governador do Rio, Carlos Miranda, o ex-procurador também recebeu mesada a mando de Cabral, enquanto este governava o Estado do Rio e Lopes chefiava o Ministério Público. Para não fiscalizar adequadamente o governo, o então procurador-geral teria recebido R$ 150 mil por mês ao longo de toda sua gestão. Nesse período, a investigação de denúncias graves deixou de avançar e acabou interrompida.

Cláudio Lopes ingressou no Ministério Público do Estado do Rio em 1987. Passou pelas comarcas de Campos dos Goytacazes e São João da Barra, e em janeiro de 1995 assumiu a Promotoria de Justiça junto à 36ª Vara Criminal do Rio, onde permaneceu até julho de 2001. Em seguida foi promovido a procurador de Justiça. No final de 2008 venceu a eleição para procurador-geral de Justiça no biênio 2009-2011, tendo obtido 321 votos, apenas quatro a mais que o segundo colocado, Eduardo Gussem.

Disputou novamente a eleição para o biênio seguinte e foi reconduzido ao cargo com 483 dos 850 votos possíveis. Vencer a eleição não é garantia de ocupar o cargo, já que a nomeação cabe ao governador do Estado, que pode escolher qualquer nome entre os três primeiros colocados na eleição. Então governador, nas duas ocasiões Cabral respeitou a tradição e nomeou o mais votado.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO PROCURADOR

A reportagem está tentando localizar a defesa de Claudio Lopes. O espaço está aberto para manifestação.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Temer quer fim de auxílio-moradia antes de sancionar reajuste do STF

O presidente Michel Temer quer que o Supremo Tribunal Federal (STF)acabe com o auxílio-moradia antes que ele sancione o reajuste salarial dos ministros da Corte e da Procuradoria-Geral da República. Um auxiliar direto de Temer disse ao Estadoque o presidente ainda não decidiu se sanciona ou veta o reajuste e que aguarda o fim formal do auxílio-moradia, prometido como uma compensação ao aumento de 16,4%.

O fim do benefício foi um compromisso assumido pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, para convencer o Congresso Nacional a dar aval ao aumento. Segundo senadores, ele se comprometeu a abolir também outros penduricalhos. Dias Toffoli ainda não definiu uma data para levar o tema ao plenário. O auxílio-moradia vigora desde 2014 com base em duas liminares do ministro Luiz Fux, relator do caso no STF. Ele ainda não liberou as ações para julgamento. O Estado apurou que Toffoli estaria aguardando a sanção do projeto para pautar o julgamento do auxílio-moradia no plenário da Corte. Na última quinta-feira, o ministro disse que conversaria com Fux sobre o tema.

Em entrevista à Record TV, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que “não tem outro caminho” se não o veto. “Se o governo Temer quiser, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ele pode vetar esse reajuste porque, afinal de contas, essa é a classe que mais ganha no Brasil. Não sou o Temer, se fosse, você sabe qual seria minha posição”, disse Bolsonaro. “Complica para a gente, quando fala em fazer reforma da Previdência, tirar dos mais pobres e aceitar um reajuste como esse. Não tem outro caminho no meu entender, até pela questão de dar exemplo. Falei antes da votação que é inoportuno, o momento não é esse para discutir esse assunto”, completou o presidente eleito.

Teto. Com o reajuste, o salário dos 11 ministros e da procuradora-geral da República Raquel Dodge passará de R$ 33,7 mil mensais para R$ 39,2 mil, com efeito de elevar o teto do funcionalismo público nacional.  O projeto foi aprovado na última quarta-feira (dia 7) por 41 senadores (a maioria da base governista, entre eles aliados de Bolsonaro), e 16 contrários (a maioria de esquerda). Só um se absteve, José Maranhão (MDB-PB), que ingressou com pedido para levar o reajuste com urgência ao plenário um dia antes da votação.

O aumento foi encaminhado por pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e recebido na Casa Civil na mesma noite de quarta-feira. Agora, Temer tem quinze dias, até 22 de novembro, decidir se sanciona ou veta os dois projetos de lei que determinaram o reajuste. Na hipótese de o presidente não se manifestar, os projetos são considerados sancionados tacitamente, indo à promulgação pela Presidência da República ou pelo presidente do Senado.

O impacto nas contas públicas com o efeito cascata para outros órgãos da União e Estados é estimado em pelo menos R$ 4,1 bilhões. O governo Temer orientou voto favorável. Senadores emedebistas defenderam que a medida não causará aumento para além do teto de gastos, que só permite a reposição da inflação, e que Judiciário e Ministério Público terão de remanejar gastos.

Sem interlocutor no Congresso, Bolsonaro não conseguiu barrar a aprovação, que marcou um revés também ao futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Na véspera, ele pressionara Eunício Oliveira a aprovar a reforma da Previdência e defendera publicamente uma “prensa” nos parlamentares. Em entrevista exclusiva ao Estado, Eunício reagiu: “Não estou preocupado se Bolsonaro vai gostar ou não. Não aceito que digam que o Congresso tem de levar prensa. Aqui tem a liberdade de cada um botar o dedinho e votar sim, não ou abstenção”.

ESTADÃO CONTEÚDO

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Economia dá sinais de recuperação após as eleições

O fim das incertezas eleitorais começa a mudar o humor de empresários e investidores no Brasil. Nas últimas duas semanas, desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente da República, empresas começam a retomar planos engavetados nos últimos meses, seja de investimentos, fusões e aquisições e lançamento de ações no mercado (IPOs). Alguns anúncios de investimento já foram feitos apenas alguns dias depois do anúncio de Bolsonaro como próximo ocupante do Palácio do Planalto. Mas o otimismo vem com um alerta: é necessário avançar com as reformas econômicas.

Na última semana, o empresário Carlos Wizard Martins – ex-proprietário da escola de inglês Wizard e hoje dono da rede Sforza, que inclui negócios como as redes Mundo Verde, KFC e Pizza Hut – disse que pretende desembolsar R$ 1,6 bilhão nos próximos anos. Outro negócio que circulava nas rodas de conversa de bancos de investimento havia meses teve o contrato de compra assinado apenas alguns dias depois do fim das eleições: a aquisição de 22% da rede Madero pelo fundo americano Carlyle. O aporte, de R$ 700 milhões, veio após 24 meses de “jejum” do fundo no País.

Grandes bancos brasileiros melhoraram suas perspectivas para a economia do País: o Bradesco agora prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vá crescer 2,8% no ano que vem (antes, projetava 2,5%), enquanto o Itaú Unibanco elevou sua perspectiva para 2,5% (ante 2%, anteriormente). O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, diz que o humor do mercado mudou nas últimas semanas: “Vemos um claro aumento das consultas para fechamento de operações, dado que a sensação é que os mercados de renda fixa e variável reabriram para as empresas brasileiras”.

Ânimo. Se nos bancos comerciais há otimismo, em alguns bancos de investimento a sensação é que o próximo ano guarda grandes possibilidades. No banco Brasil Plural, a estimativa de expansão do PIB para 2019 foi revisada para 3,5%. Para que essa meta seja atingida, porém, ressalva o presidente da instituição, Rodolfo Riechert, é necessário que a reforma da Previdência seja aprovada. De acordo com o executivo, a Previdência virou um “símbolo” da retomada do Brasil. Por isso, em sua opinião, o combate ao déficit previdenciário deve ser a “prioridade zero” da nova administração.

O Brasil Plural está trabalhando na abertura de capital do banco BMG, uma das primeiras ofertas iniciais de ações que foram confirmadas para o mês de dezembro. E Riechert diz que, desde o fim de outubro, projetos que estavam em “banho-maria”, incluindo o auxílio para o IPO de duas empresas de tecnologia de médio porte, voltaram a ficar quentes. “Também fomos procurados por gestoras de fundos imobiliários querendo ampliar sua plataforma aqui o Brasil”, diz o executivo.

Embora concorde que o humor do mercado tenha mudado para melhor, o chefe de fusões e aquisições do escritório Pinheiro Neto Advogados, Fernando Alves Meira, diz, porém, que há “certo exagero”, principalmente por parte de bancos de investimento. “Há quem aposte em 30 aberturas de capital na Bolsa no ano que vem. Não estou tão otimista”, diz. Apesar disso, ele acredita que, com medidas como a reforma da Previdência e a independência do Banco Central, há condição para a economia brasileira consolidar um crescimento de 2,5% a 3% nos próximos anos, “sem muita surpresa negativa”.

O sócio da gestora Vinci Partners, José Guilherme Souza, diz que alguns indicativos demonstram um cenário um pouco mais favorável a novos negócios. Ele destaca que, até as eleições, era difícil até marcar uma conversa com um investidor estrangeiro. Com o fim das indefinições políticas, a gestora já foi procurada por um fundo soberano para falar sobre novas estratégias no mercado brasileiro e tem reuniões marcadas para o fim do mês com investidores estrangeiros. “Isso já um bom sinal, depois da paralisia que vivemos no pré-eleição.”

Entidades. A retomada do otimismo também pode ser verificada nos índices de confiança do mercado. Medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador de expectativa do consumidor registrou em outubro o maior patamar desde 2014. Os empresários da indústria também voltaram a demostrar mais otimismo no mês passado, depois de registrar queda em setembro.

“Percebemos muita gente ainda em compasso de espera, mas o fato de ter um presidente e um Congresso definido já ajuda a destravar alguns investimentos”, diz a economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti. Segundo ela, até as eleições, os varejistas estavam evitando fazer até mesmo reformas urgentes. “Agora, pelo menos, essas obras estão começando a ser feitas”, completa Marcela, destacando que um movimento mais forte de retomada de investimento só virá com as medidas concretas que venham a ser adotadas pelo novo governo.

O presidente da Associação Nacional dos Revendedores de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz, afirma que o humor no setor melhorou bastante com o fim das eleições, incentivando algumas empresas a desengavetar projetos. “Nossa expectativa é crescer neste ano 6,5% e 10% em 2019. O fim das eleições dissipou uma apreensão grande que tomava conta dos empresários.”

ESTADÃO CONTEÚDO

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Sergio Moro vai virando um Posto Ipiranga do B

Já se sabia que Paulo Guedes será, sob Jair Bolsonaro, o Posto Ipiranga da Esplanada dos Ministérios, mentor de todas as soluções na área econômica. Tomado pelo conteúdo de suas entrevistas, Sergio Moro parece ambicionar a condição de Posto Ipiranga do B, dono das respostas ético-jurídicas do futuro governo.

Na sua entrevista mais recente, Moro disse que atuará como conselheiro de Bolsonaro quando estiver em jogo a idoneidade de outros ministros. Denunciados por corrupção devem ser demitidos? “Se a denúncia for consistente, sim”, declarou o futuro ministro da Justiça ao programa Fantástico.

Moro prosseguiu: “Eu defendo que, em caso de corrupção, se analise as provas e se faça um juízo de consistência, porque também existem acusações infundadas, pessoas têm direito de defesa. Mas é possível analisar desde logo a robustez das provas e emitir um juízo de valor. Não é preciso esperar as cortes de Justiça proferirem o julgamento.”

“Eu não assumiria um papel de ministro da Justiça com o risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico”, afirmou Moro, ao reiterar que obteve de Bolsonaro o compromisso de que o novo governo não oferecerá escudo a suspeitos de corrupção. Cinco dias antes, em entrevista coletiva, Moro dissera que sua presença no governo dissiparia até os receios de retrocesso democrático.

”Eu não vejo em nenhum momento um risco à democracia e ao Estado de direito”, dissera Moro. “No entanto, (…) existem alguns receios a meu ver infundados. E a minha presença no governo também pode ter um efeito salutar de afastar esses receios infundados, porque, afinal de contas, sou um juiz, sou um homem de lei. Então, eu jamais admitiria qualquer solução que fosse fora da lei, como também o presidente eleito.”

Antes de renunciar aos seus 22 anos de magistratura, Moro usufrui de férias. Foi a forma que encontrou para manter os vencimentos enquanto se prepara para assumir as novas atribuições, em janeiro. Seria recomendável que o quase ex-juiz incluísse entre suas prioridades a leitura do ”Testamento Político” do cardeal Richelieu. A obra é rara, difícil de encontrar. Mas vale o esforço.

Mal comparando, Armand-Jean du Plessis, o Richelieu (1585-1642), foi um Posto Ipiranga hipertrofiado do rei Luís 8º da França. Era o conselheiro número um. Faltando-lhe tempo para a íntegra, Moro pode começar a leitura do “testamento” pela “seção 6″. Ali, Richelieu anota que todo soberano deve eleger entre os seus conselheiros aqueles que tenham ”autoridade superior” sobre os demais.

O autor esclarece: ”É fácil de representar as qualidades que deve ter esse principal ministro; é difícil de as achar todas num mesmo homem […]. A felicidade ou a desgraça dos Estados depende da escolha que se fizer.” Intuitivamente, Bolsonaro encosta suas deficiências não em um, mas em dois postos Ipiranga.

Na ”seção 7”, Richelieu trata das inevitáveis ”conspirações” a que está sujeito o ministro predileto. ”Imita-se nisto a pedra jogada do alto de uma montanha. Seu primeiro movimento é lento, e quanto mais ela desce, mais peso toma, redobrando a velocidade da queda […]. É muito difícil parar uma conspiração que, não tendo sido contida no nascedouro, já esteja muito crescida.” Como juiz, Moro mandava nos autos. Ministro, descobrirá que são traiçoeiros os baixios de um governo.

Chegando ao quarto capítulo do ”Testamento” de Richelieu, Moro lerá que o conselheiro-mor do soberano precisa ”dormir como um leão, sem fechar os olhos […], para prever os menores inconvenientes que podem advir”. Naquilo que diz respeito ”à conduta dos homens”, é preciso ”abrir duplamente os olhos”.

Avançando até o capítulo sétimo, Moro perceberá que, num ponto, o pensamento de Richelieu coincide com o seu: ”Se a máscara com que a maior parte dos homens cobre o rosto […] faz-nos desconhecidos a tal ponto que, sendo postos nos grandes cargos parecem tão maliciosos quanto aí esperava-se que fossem virtuosos […], é preciso prontamente reparar o engano”.

Ironicamente, coube a Paulo Guedes fazer a primeira sondagem sobre a disposição de Sergio Moro de trocar a Lava Jato pela pasta da Justiça. O contato ocorreu pouco antes do segundo turno, em 23 de outubro. No dia seguinte, por uma dessas trapaças do destino, procuradores do Ministério Público Federal em Brasília abriram investigação contra Guedes.

Apura-se a suspeita de que o guru econômico de Bolsonaro tenha obtido “benefícios econômicos” a partir de ”crimes de gestão temerária ou fraudulenta” de investimentos com recursos de fundos de pensão de estatais. Guedes nega os malfeitos. Deveria ter prestado depoimento no último dia 6 de novembro. Mas a coisa foi adiada.

Supondo-se que Moro vai a Brasília com a disposição de ”dormir como um leão, sem fechar os olhos”, é presumível que inclua no seu radar o inconveniente de uma hipotética denúncia formal da Procuradoria contra Guedes. Deve torcer pelo arquivamento. Do contrário, a gestão Bolsonaro viveria dias surreais. O capitão teria de buscar no Posto Ipiranga ético-jurídico conselhos sobre a conveniência de manter ou demitir o Posto Ipiranga econômico.

Em momentos assim, ensinou Richelieu na ”seção 2” do ”Testamento”, o conselheiro do soberano talvez descubra o seguinte: ”Nada há mais perigoso num Estado do que pôr em grande autoridade certos espíritos que não têm luzes suficientes para se conduzirem por si mesmos e pensam, entretanto, ter demais para necessitarem de conselho alheio”.

JOSIAS DE SOUZA

Fonte: Blog do BG

 

LOCAIS

Não é verdade que José Dirceu fixará residência em Natal e participará do governo Fátima

O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, não fixará residência em Natal, ao contrário do que vem sendo disseminando em grupos de WhatsApp.

O boato surgiu no fim de semana e ligou Dirceu à equipe de Fátima Bezerra. O rumor chegou a ganhar até espaço em blogs, levantando questionamentos sobre a participação do ex-ministro no governo Fátima.

A fake news dava conta de que Dirceu já havia alugado uma casa do ex-governador Fernando Freire para viver em Natal. O fato não procede.

Tanto a assessoria de Fátima, como a do PT, procuradas pelo blog, negam a informação.

Neste fim de semana, a coluna Expresso, da Época, publicou o que a proximidade entre ambos já chamou a atenção de petistas. Mas a governadora eleita sabe que colocar Dirceu no seu governo, de alguma forma, será um desgaste enorme.

Dirceu, além disso, deve retornar para a prisão com a confirmação, no STF, da condenação que o levou à cadeia. Dirceu foi condenado a quase 31 anos de prisão.

Fonte: Blog do BG

 

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