PONTO DE VISTA: SÉRGIO MORO NÃO PODE SER CHAMADO DE SANTO, MAS DE SALVADOR DA PÁTRIA PODE.

PONTO DE VISTA

Caro(a) leitor(a),

Se engana profundamente quem pensa que o hoje ministro Sérgio Moro é menino bobo ou marinheiro de primeira viagem dentro da política brasileira. O artigo a seguir nos ajuda a recordar a trajetória deste paladino da justiça, que na surdina veio conseguindo alterar dispositivos da nossa legislação e assim alcançar toda essa revolução dentro da política e da justiça brasileira. Sérgio Moro é um homem altamente inteligente, capacitado, obstinado e sabe exatamente o que pretende e onde pode chegar, sempre respeitando o arcabouço jurídico e a ética. Salvou o Brasil duas vezes mais recentemente. A primeira quando liberou a gravação de Dilma e Lula, no caso da nomeação para ministro da casa civil e a segunda quando, de féria, interveio na suspensão de um habeas corpus para Lula. Nos dois episódios ele, mais uma vez, mudou a história dessa nação. Tudo dentro da lei e da ética.  Por isso concordo com o jornalista Mateus Colombo Mendes que assina esse artigo quando diz que “o destino de uma nação mudou graças a ações aparentemente comedidas e simplórias…”, deste fenomenal articulista e acima de tudo ético cidadão que como poucos se preocupa, de verdade, com o destino dessa grande nação.

Como a simplória ida de Sérgio Moro ao Congresso em 2004 mudou a história do Brasil…

MORO E A ARTE DO POSSÍVEL

Chamaram-me a atenção repercussões críticas de que o pacote anti-crime de Sérgio Moro foi muito comedido. Pessoalmente, concordo. POR MIM, pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados seriam realidade; e, com toda certeza, em alguns meses fariam os índices de criminalidade tender a zero. Repito: POR MIM. Mas numa democracia a coisa é diferente – especialmente numa democracia jovem e cambaleante como a nossa, ainda muito distante da maturidade necessária para executar medidas as mais eficientes e justas.

Enquanto a maturidade não chega, temos de nos lembrar sempre que “a política é a arte do possível”. Sérgio Moro é mestre nessa arte. E é por isso que confio no seu pacote e nos seus próximos passos.

O entendimento geral é de que Moro surgiu com a Lava Jato e deve sua notoriedade à atuação nos processos ligados à operação que mudou a História do Brasil. Nada mais equivocado.

Em 2004, quando era juiz da única vara especializada em crimes de corrupção, saiu de Moro a ordem para prender dezenas de doleiros ligados ao escândalo do Banestado. E a História do Brasil começou a ser mudada: alguns dos detidos lavavam o dinheiro do Mensalão; sem esses operadores (entre eles, Alberto Youssef), o esquema começou a fazer água; a propina parou de chegar aos partidos e políticos comprados pelo PT; foi aí que Roberto Jefferson detonou o esquema.

Percebendo, porém, que as investigações do Mensalão não dariam em nada, o então juiz Moro foi ao Congresso sugerir mudanças nos regramentos da lavagem de dinheiro e da delação premiada. As alterações garantiriam todo o sucesso das ações da Lava Jato.

Em 2013, a PF pegou Youssef de novo. E o resto (prisões de poderosos, queda de presidente, derretimento de um partido e o fim do maior esquema de corrupção jamais visto) é história.

O destino de uma nação mudou graças a ações aparentemente comedidas e simplórias, como a prisão de um punhado de doleiros e alterações em dois dispositivos legais.

Dentro da arte do possível, Moro mudou a História. É por isso que seu aparentemente comedido pacote Anticrime merece nossa confiança.

Mateus Colombo Mendes

Jornalista. Bacharel em Letras.

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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