PONTO DE VISTA: O SUS É APENAS A PONTA DO ICEBERG NO OCEANO DE DESPERDÍCIOS NESTE PAÍS

PONTO DE VISTA

Caro leitor(a),

Quanto mais eu vivo, vejo e aprendo as coisas chego a conclusão de que este país é o mais rico do mundo. Não tem pra Estados Unidos, Japão, Alemanha, nem pra ninguém. A começar pelas riquezas naturais, tais como:

  • A amazônia é pulmão do mundo. A água que evapora da floresta amazônica num único dia tem um volume maior do que todo o rio Amazonas;

  • O Brasil detêm 98% das reservas mundiais de um mineral chamado NIÓBIO que é o principal elemento utilizado nas naves espaciais e vai ser utilizado em tudo que tiver tecnologia daqui pra frente e mal começou a explorar essa reserva; sem falar numa quantidade assustadora de outros minérios que temos no sub-solo brasileiro, cujo lider em exploração é o petróleo e ainda tem todo um pré-sal a ser explorado;

  • A fauna e a flora nem se fala! Nós somos o país com a maior biodiversidade do mundo;

  • As maiores reservas de água estão aqui. 

Bem, eu poderia ficar citando inúmeras coisas em que o Brasil é o mais ou o maior. Mas vamos nos fixar apenas no que hoje já é produzido de riquezas no país para constatar que rola muito, mas muito dinheiro. Acontece que esse dinheiro é pessimamente gerido e é exatamente isso que essa reportagem sobre o SUS nos mostra com todas as letras, com R$ 22 bilhões anuais indo pro ralo. E isso em apenas um setor da administração pública. Imaginem o que não vai embora pelo ralo no total?

SÁBADO, 22/09/2018, 06:00

Bem-estar & Saúde

Ineficiência causa prejuízo de R$ 22 bilhões anuais aos SUS

O subfinanciamento e a má-gestão do Sistema Único de Saúde são os principais problemas apontados por especialistas ouvidos pela CBN. Ouça a primeira reportagem especial sobre os 30 anos do SUS, marcados por avanços e contradições.

Atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (Crédito: )

Atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

POR RODRIGO SERPA (rodrigo.serpa@cbn.com.br)

‘Eu tô com problema na coluna, tô na fila no Paranoá há mais de três anos, tem cinco mil pessoas na minha frente. Ou seja, não vou conseguir a consulta jamais’.

Esse é o relato de Elisabeth, de 53 anos, dona de casa.

Mas há outros tipos de experiência com a mesma estrutura comandada pelo governo:

‘Eu precisei fazer um transplante de fígado. Dia 17 fez três anos que eu fui transplantada. Se eu não tivesse condições de fazer pelo SUS seria muito difícil, porque é uma cirurgia caríssima, mais de R$ 100 mil’, diz a secretária Margarida, de 60 anos.

Duas faces de um mesmo sistema: o SUS, que completa 30 anos.

Elisabeth é vítima de um dos maiores problemas do Sistema Único de Saúde no Brasil: as imensas filas de espera. ‘Já dei o caso como perdido. Pode olhar aí quantas pessoas têm, esperando horas e horas e, atendimento, nada’, critica.

Já Margarida foi beneficiada por uma das principais virtudes do SUS, o modelo de transplante de órgãos, onde 90% das cirurgias no Brasil são feitas na rede pública. Contradições que marcam o maior sistema de saúde gratuito do mundo, reconhecimento da Organização Mundial da Saúde. ‘O transplantado tem que usar os imunossupressores que eu também retiro na rede pública, e é pelo SUS. Não posso me queixar de nada, nunca me faltou o medicamento’, afirma.

O SUS foi criado juntamente com a Constituição de 1988. De lá pra cá, o Brasil garantiu acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela OMS. E também a assistência integral e de graça para pessoas com HIV, pacientes renais crônicos, com câncer, tuberculose e hanseníase. Além disso, expandiu a atenção primária, o que reduziu as mortes infantis, doenças cardiovasculares e infecciosas.

Hoje, sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde – mais de 150 milhões de pessoas. Avanços de um sistema que, nem sempre se mostra eficiente, diz a coordenadora do programa de gestão em saúde da Fundação Getúlio Vargas, Ana Maria Malik:

‘O brasileiro tá muito mais bem servido do que estava 30 anos atrás. Extinguir o SUS é um atentado. O SUS é um direito que a população brasileira conseguiu e não vai abrir mão.’

União, Estados e municípios investem, por ano, cerca de R$ 240 bilhões no sistema público de saúde. Dados da OMS mostram que o investimento do Brasil é de 6,8% do orçamento, quase a metade da média mundial, que é de 11,7%.

Além da questão orçamentária, um estudo do Banco Mundial constatou que a ineficiência de parte do SUS é fruto, principalmente, da má-gestão e falta de planejamento. Por ano, são 22 bilhões de reais que vão pelo ralo. Dinheiro público que poderia ser investido para melhorar o atendimento, ressalta o economista Edson Araújo, responsável pela área de saúde do Banco Mundial:

‘O principal fato de ineficiência é o número de hospitais pequenos no Brasil. Aproximadamente 80% dos hospitais têm até 100 leitos. São altamente ineficientes, alto custo fixo e produzem poucos serviços’, alega.

Fonte: CBN

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