PONTO DE VISTA: EX FUNCIONÁRIO DO BB QUE OCUPAVA O MESMO CARGO QUE O FILHO DE MOURÃO ESCLARECE EM DETALHES O QUE REALMENTE DEVE TER ACONTECIDO COM ESSA NOMEAÇÃO

O relato espontâneo e esclarecedor do senhor Marlon Derosa, ex-funcionário do Banco do Brasil e ocupante do mesmo cargo que o filho de Mourão ocupava até ser nomeado Assessor da Presidência, deve ser divulgado para que as pessoas saibam a verdade sobre os fatos e o verdadeiro motivo da nomeação de Antônio Hamilton Rossel Mourão para esse cargo. Temos o dever de colaborar nesse sentido para que a imagem desse novo governo não seja precocemente maculada e assim tenha a sua performance prejudicada. Por favor leia o artigo a seguir e tire suas conclusões.

O relato esclarecedor de um ex-funcionário do BB que ocupava o mesmo cargo do filho de Mourão

O cidadão Marlon Derosa, ex-funcionário do Banco do Brasil, faz um minucioso relato sobre a situação em que se envolveu o filho do vice-presidente da República General Hamilton Mourão.

Há cinco anos, Derosa era assessor empresarial, exatamente o mesmo cargo que Antonio Hamilton Rossell Mourão exercia antes da “promoção”.

Vale a pena ler. Veja abaixo a íntegra:

“Há 5 anos eu ocupava o cargo que o filho do Mourão acaba de largar – assessor empresarial (antigo sênior) em diretoria do BB.

Apesar do timing e a notícia trazer uma imagem ruim, é importante considerar a realidade que o caso se insere.

Acima do cargo do filho de Mourão existem poucos níveis hierárquicos: na ordem, salvo poucas exceções, vem cargos de: Gerente de Divisão, Executivo, Diretor e vice-presidente e Presidente. Ou seja, todos cargos gerenciais. Até existe o cargo de Assessor Master, mas até 2015 (quando eu saí), Ass. Master existia uns quatro ou cinco, apenas para alguns projetos especiais. Assim, na prática, Antônio Mourão ocupava na estrutura ordinária do BB, o mais alto cargo técnico.

O cargo imediatamente acima do que ele ocupava (Ger.Divisão) é considerado acessível apenas com um networking aliado a competência, em muitos casos, é ocupado apenas por política ou amizades, infelizmente.

Entre amigos, dizia-se que acima de assessor sênior existem “cotas” para pessoas portadores de competência, porque sentia-se que a maioria era definida apenas por indicação devido às amizade, “networking”, política, etc.

Ao mesmo tempo, é óbvio que o cargo de “Assessor Especial da Presidência” é “político” e “de confiança”, ainda mais no contexto da empresa que raríssimas vezes faz concorrência interna. Mas, creio que ninguém seria louco de assumir a presidência do BB e aceitar um assessor apenas por ser filho de alguém. Isso seria auto-sabotagem. Agora, concordo que foi um excesso de euforia desnecessário, pois para o grande público pega muito mal.

E mais, como buscava-se alguém especialista em Agronegócios, o nome teria que vir da diretoria que o filho do Mourão estava, há anos, estagnado na posição de sênior. Teria de ser feito então um grande esforço para driblar o nome dele e nomear um colega dele. Mas como ficaria o fator confiança? Se fosse procurar entre gerentes de divisão e executivos, teria um complicador, pois é possível que alguns tenham alinhamento alheio ao do novo presidente do BB; alguns podem ter chego lá por alinhamento ao PT, não sei. Não os conheço! mas são possibilidades.

De qualquer forma, teria que contornar o nome do Antonio Mourão dentro do contingente de maiores cargos da Diretoria de Agronegócio, que deve ter (estou chutando, pela minha experiência de BB em Brasília), uns 45 assessores sênior; 15 ger. divisão e uns 5 executivo (era assim na minha diretoria). Seria entre esses que teria que escolher.

Carreira em Y e diferença salarial

A diferença salarial entre os cargos é algo natural no BB. É comum gerente ganhar o dobro que seu subordinado e com dois níveis de alteração facilmente o salário triplica.

Para qualquer cargo que ele fosse promovido, seu salário passaria dos atuais 14 mil para uns 20 mil (ger. divisão), ou os mesmos 36 mil (pois Executivo ganha mais ou menos isso também). É a estrutura da empresa. As diferenças salariais são altas mesmo.

O BB diz que tem um plano de carreira em Y, ou seja, tanto em cargo técnico quanto em cargo gerencial deve-se ter as mesmas possibilidades de crescimento em termos de hierarquia e salário. Mas na realidade isso não funciona muito bem porque nos cargos técnicos a carreira fica estagnada no Assessor Sênior. Isso explica em parte o porquê de Antonio Mourão estar estagnado na carreira, talvez. Por esse problema, vi muitos bons técnicos que viraram gerentes medianos (ou medíocres) por terem ficado por 10 anos ou mais na posição de sênior e sem meios para continuar crescendo, vão para cargos gerenciais.

Então, podemos dizier que, se existe um cargo técnico acima de Assessor Sênior e Master (como disse, são pouquíssimos Ass. Master que existem), é exatamente o cargo de Assessor da Presidência, que obviamente, demanda altíssimo grau de confiança.

Concorrências internas por processo seletivo e indicação

Assim como a “cota para portadores de competência” em níveis acima do Ass. Sênior (e até assessor Sênior é um cargo semi-político/networking), podemos dizer que no BB existe cota para vagas a serem preenchidas com processo seletivo formal.

Eu fiquei 8 anos na empresa, fui do primeiro cargo até sênior e NUNCA FIZ UMA ENTREVISTA FORMAL. A estrutura da empresa é assim. Embora o BB seja visto até fora do Brasil como referência em Recursos Humanos, na prática, um percentual baixíssimo das vagas de Brasília são preenchidas por processo seletivo. Predomina a indicação entre gestores, muitos são realmente indicados por sua competência, alguns indicados pelo relacionamento, amizades ou mesmo política.

O que está em jogo?

A oposição óbvio que gostou da notícia. Mas apoiadores de Bolsonaro sabem que há muito mais em jogo. Entrar na onda de mimimi por essa nomeação eu acho desnecessário. A notícia virou trend no mesmo dia em que o Chanceler confirmou que não iremos manter o pacto de imigração da ONU, por exemplo.

Eu não apoio Bolsonaro para que ele faça nomeações mais justas, mas porque é a única opção para se contrapor a nova ordem mundial, a ideologia de gênero, aborto, o único disposto a enfrentar 60 mil assassinatos ao ano etc etc.

A popularidade do governo e a força de seus defensores será enfraquecida a cada episódio como esse. Depois de diversos episódios assim, em algum tempo, a oposição terá mais capacidade de balançar as estruturas com uma FAKE NEWS completamente inventada ou com algum neocon que de fato fizer uma grande burrada. Esse é o sonho da esquerda. Para boa parte do eleitorado que elegeu Bolsonaro, infelizmente, a aversão aos privilégios e a corrupção são maiores que sua aversão ao assassinato de milhares de brasileiros inocentes, ao aborto e muitos crimes piores. Isso é um prato cheio para a oposição e um eventual retorno de governantes do grupo do teatro das tesouras.”

da Redação

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