PERFIL: CONHEÇA MELHOR QUEM É O GENERAL MOURÃO FUTURO VICE-PRESIDENTE DO BRASIL

Considero o Jair Messias Bolsonaro um dos homens mais inteligentes desse país. Pelo simples fato de reconhecer as suas limitações. Isto é sinal de que está num bom nível de AUTOCONHECIMENTO.

Você pode perguntar: Como você chegou a essa conclusão?

Eu respondo. Pela equipe de governo que ele está escolhendo nós podemos chegar a conclusão que a sua inteligência é acima da média. Só as pessoas com esse atributo não têm medo de se cercar de pessoas mais tecnicamente mais qualificadas e tão inteligentes quanto ela.

Entre admiradores e desafetos: conheça o general Hamilton Mourão

Vice-presidente eleito, general Mourão, com seus posicionamentos, foi acumulando admiradores

PUBLICADO EM 18/11/18 – 03h00

Lucas Ragazzi

Antônio Hamilton Mourão iniciava sua carreira no Exército Brasileiro quando as movimentações da Intentona Comunista surgiam no Nordeste e no Rio de Janeiro. A revolta de tenentes, liderada por Luiz Carlos Prestes, visava destituir o presidente Getúlio Vargas e implementar um governo socialista no Brasil, em 1935. O movimento fracassou diante da própria desorganização e da reação de outras partes do Exército. Entre os legados do episódio, marcou-se o ferrenho viés anticomunista deixado naquela geração de combatentes.

Oitenta e três anos depois da Intentona, a veia de repúdio ao comunismo naquela geração parece ainda refletir em seus descendentes, entre eles o general da reserva e agora vice-presidente eleito, Hamilton Martins Mourão, 65, filho de Antônio Hamilton Mourão.

Membro das Forças Armadas desde 1972, Mourão escalou rápido entre as patentes e se tornou general. Hoje, é visto por interlocutores das instituições militares como o principal líder do Exército – à frente, por exemplo, do próprio comandante da corporação, o general Eduardo Villas Boas.

Mesmo ocupando cargos altos, Mourão nunca se privou de dar demonstrações de insatisfação com governos e contra a esquerda. Em 2015, quando era chefe do Comando Militar do Sul, um dos maiores do país, acabou exonerado do cargo após criticar a gestão Dilma Rousseff (PT) durante uma palestra ministrada no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), em Porto Alegre.

“Neste momento de crise, toda consciência autônoma, livre e de bons costumes precisa despertar para a luta patriótica, contribuindo para o retorno da autoestima nacional, do orgulho de ser brasileiro e da esperança no futuro”, afirmou, à época, Mourão. A fala foi interpretada pelo governo como uma ameaça – e até mesmo uma convocação para um golpe.

Dois anos depois, atuando na Secretaria de Finanças do Exército, o general voltou a causar dores de cabeça ao governo federal, agora comandado por Michel Temer (MDB). Em palestra ao grupo Terrorismo Nunca Mais, Mourão fez críticas ao emedebista, que enfrentava, na semana, uma votação no Congresso sobre uma denúncia de corrupção feita pelo Ministério Público Federal (MPF). “Não há dúvida de que estamos vivendo a famosa ‘sarneyzação’. Nosso atual presidente (Temer) vai, aos trancos e barrancos, buscando se equilibrar, e, mediante o balcão de negócios, chegar ao final de seu mandato”, afirmou o general, que acabou novamente exonerado do cargo em retaliação do governo.

Com seus posicionamentos, Mourão foi acumulando admiradores dentro e fora do Exército. No início de 2018, foi convidado por partidos para disputar o governo de São Paulo, do Distrito Federal e a própria Presidência da República.

O acordo com o PRTB, de Levy Fidelix, se deu meses depois, após Fidelix jurar independência ao general nas escolhas em sua candidatura. No entanto, com a consolidação do nome de Jair Bolsonaro (PSL) como presidenciável, Mourão passou a retirar seu nome da disputa.

Instrutor de Mourão no curso de cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e hoje seu amigo pessoal, o general da reserva Marco Felício conta que fez o possível para tentar convencê-lo a prosseguir como candidato à Presidência. “Batalhei, fui até Brasília… Mas ele se viu em uma situação na qual não queria prejudicar Bolsonaro. É um homem muito leal”.

Na indecisão da escolha do vice de Bolsonaro, o nome de Mourão surgiu para apaziguar os ânimos entre vertentes do PSL que preferiam o de Janaina Paschoal e outras lideranças, que optavam pelo do empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Na articulação, ficou acordado que Bolsonaro apoiaria o candidato do PRTB ao governo de São Paulo, Rodrigo Tavares, genro de Fidelix.

Para Felício, Mourão sempre se destacou por ser culto – motivo pelo qual entende que a vice-presidência é pouco para ele. “Sempre foi um camarada arrojado, de coragem moral e muito culto. Lia muitos livros já na Aman. Até por isso, não pode ficar desperdiçado como vice. É muito capaz e deveria atuar também no Ministério da Defesa ou até como um coordenador de ministérios”, defende o general da reserva, para depois concluir, fazendo referência ao futuro ministro da Economia, Paulo Guedes: “Estão dando quatro ministérios àquele economista. O Mourão também precisa ter espaço assim”.

Polêmicas. Se as críticas ao governo ditas enquanto general da ativa lhe custaram cargos, durante a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, o general Mourão também chamou atenção. Logo na semana de sua confirmação como vice, o militar deu uma declaração que caiu mal no próprio comitê: a de que a cultura brasileira havia herdado “a indolência do indígena e a malandragem oriunda do africano”.

Pouco depois, chamou o 13º salário de jabuticaba, uma “invenção brasileira”, e declarou que famílias sem a presença do pai e do avô são “fábricas de elementos desajustados”. Por conta das polêmicas, a própria campanha de Bolsonaro pediu que Mourão evitasse falas fortes até o fim do pleito. Em agosto, porém, um novo dissabor atingiu-o.

O coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior foi à imprensa denunciar que, em 2012, Mourão teria favorecido a empresa espanhola Tecnobit a desenvolver o Simulador de Apoio de Fogo (SAFO), mesmo o projeto tendo sido reprovado sete vezes por Pierrotti, que, à época, era supervisor operacional. Mourão negou o caso e ingressou com uma ação criminal contra Pierrotti.

Distorções. Na avaliação do general Marco Felício, a esquerda brasileira costuma distorcer as falas de Hamilton Mourão. “Mudam tudo para prejudicá-lo, mesmo quando ele tem razão”, afirma.

‘Mourão sabe quando ficar na dele’

Jair Bolsonaro e o general Hamilton Mourão se conheceram justamente durante o curso da Aman, no Rio de Janeiro – à época, o futuro vice-presidente estava uma turma acima da frequentada pelo presidente eleito. Durante as últimas décadas, os dois mantiveram contato. Enviados de Mourão costumavam recorrer ao deputado federal sobre pautas que envolviam a carreira dos servidores militares.

Apesar de Mourão ser superior na hierarquia militar a Bolsonaro, interlocutores acreditam que não haverá problemas na relação entre os dois em Brasília. “Eles vão se entender muito bem, tenho certeza. Os dois estão agora em uma função civil e não levarão a hierarquia militar para o governo. As divergências serão tranquilas. Mourão é um camarada que absorve bem os trancos”, argumenta o general da reserva Marco Felício.

O militar também afirma que o vice-presidente eleito saberá quando e em quais situações deverá se posicionar. “Mourão não é bobo, tem coragem para falar, mas sabe quando ficar na dele. É um estrategista muito inteligente e que será essencial ao país”, completa Felício.

Fonte: va.newsrepublic.net

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