LAVA JATO: A OPERAÇÃO CAPITU UM DESDOBRAMENTO DA LAVA JATO ACABA DE DESMANTELAR DE VEZ O ESQUEMA DE EDUARDO CUNHA

A Operação Capitu detectou que o ex-deputado Eduardo Cunha continuava agindo o seu esquema de corrupção da cadeia. Desta vez o esquema foi definitivamente desmantelado e as consequências pode ser o agravamento de sua pena com mais anos de prisão em regime fechado. Vejamos o que vai acontecer.

QUARTA, 14/11/2018, 09:45

Política

Eduardo Cunha comandou esquema de corrupção dentro do Ministério da Agricultura

A Operação Capitu, da PF de Minas Gerais, identificou que o ex-deputado era o principal articulador de um esquema de corrupção para beneficiar a JBS. A investigação é um desdobramento da Lava-jato. O vice-governador mineiro, Antônio Andrade (MDB) e Rodrigo Figueiredo, ex-Secretário de Defesa Agropecuária, teriam sido indicados para o Ministério da Agricultura em 2013 a pedido de Cunha para garantir que os pedidos da empresa fossem atendidos.

Eduardo Cunha é acusado de receber propina. Foto: Agência Brasil (Crédito: Reprodução/Flickr)

Eduardo Cunha é acusado de receber propina. Foto: Agência Brasil

Crédito: Reprodução/Flickr

POR LAURA MARQUES (laura.marques@cbn.com.br)

O ex-presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, do MDB, teria comandado o esquema de corrupção no Ministério da Agricultura a favor da J&F, a controladora da JBS, até mesmo de dentro da prisão, de acordo com as investigações da Operação Capitu.

O ponto de partida da Polícia Federal foi a delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, que culminou na prisão de 16 pessoas.

Informações obtidas pela CBN apontam que Rodrigo Figueiredo, ex-Secretário de Defesa Agropecuária, era o principal interlocutor entre políticos e executivos das empresas. Ele teria sido nomeado para o cargo por indicação de Eduardo Cunha, que continuou comandando os crimes mesmo dentro da cadeia. As investigações apontam, ainda, que Figueiredo recebia um “mensalinho” de R$ 250 mil por mês dos executivos da JBS para garantir favorecimento à empresa nas políticas públicas.

Atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade ocupou o cargo de ministro da Agricultura entre 2013 e 2014 também por indicação de Eduardo Cunha. Lembrando que o MDB – à época o partido dos dois – era o principal aliado do PT no governo Dilma Rousseff. Eduardo Cunha também teria convocado deputados para aprovar projetos de lei.

Membros do primeiro escalão do ministério teriam exigido R$ 2 milhões do então presidente da J&F, Joesley Batista, para mudar a normatização de exportação de despojos, que são os restos bovinos. Além de R$ 5 milhões para proibir o uso de vermífugos de longa absorção na carne. As duas medidas beneficiavam as empresas exportadoras de proteína animal do Grupo J&F.

Apenas o doleiro Lúcio Funaro teria recebido um total de R$ 7 milhões em propina, através de suas empresas, emitindo notas fiscais por serviços não prestados. Depois estes valores eram lavados por outros doleiros e suas empresas e repassados a Eduardo Cunha, Antônio Andrade e Rodrigo Figueiredo. Duas redes de supermercados e seis escritórios de advocacia de BH eram utilizados nesse processo.

Cunha e Figueiredo seriam os principais responsáveis por distribuir o dinheiro a políticos do MDB e do “Centrão” com objetivo principal de financiar as campanhas eleitorais.

O delegado responsável pelas investigações em BH, Mário Veloso, afirma que fatos ocorridos este ano mostraram a necessidade das prisões cautelares.

“Nos últimos 15 dias, antes da deflagração da operação, Rodrigo Figueiredo deu uma frase que ele tinha influência dentro do gabinete do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastacimento, e ele estaria tentando participar da equipe de transição do presidente eleito. Diz ele que chegou a entregar um currículo pelos responsáveis, mas não foi escolhido, queria deixar isso bem claro. E ele também havia sido nomeado no cargo de assessor no Ministério da Saúde, demostrando que tinha ainda influência dentro do grupo dos políticos investigados, que era o PMDB da casa”, afirmou o delegado.

O advogado de Joesley Batista no caso, André Calegari, alega que tudo que foi apurado na Operação Capitu já tinha sido narrado nas colaborações premiadas com a Procuradoria-Geral da República.

“Tudo isso tinha sido entregue em um anexo narrado pelos colaboradores à PGR. Não há omissão. Os colaboradores deixaram 13 depoimentos para o delegado, inclusive um com todos os colaboradores em conjunto”, disse.

“Tudo isso já tinha sido entregue em anexos narrados pelos colaboradores à PGR, ou seja, esse inquérito requenta fatos pretéritos. Não há nada de omissão. Aliás, não vi o delegado apontar nenhuma omissão. Embora ele fale a palavra omissão, não há nada de omissão. Ademais, também os colaboradores prestaram três depoimentos para este delegado, inclusive um deles, com todos os colaboradores em conjunto, o Sr. Joesley, o Sr Denilton e o Sr. Ricardo Saud, na presença do delegado. Ora, se houve qualquer omissão, o melhor momento para esclarecer isso seria aquele”, disse.

Os advogados de Antônio Andrade alegam o mesmo. A defesa de Eduardo Cunha afirmou que ele nunca prestou depoimento sobre o assunto e está a disposição para esclarecimentos. O advogado de Rodrigo Figueiredo não se manifestou até o fechamento da reportagem.

O delegado Mario Veloso afirma que as informações apuradas na Operação Capitu não tinham sido reveladas nas delações.

Nessa segunda-feira, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Néfi Cordeiro, liberou 18 investigados no caso. Ele entendeu que o suposto crime e a destruição de provas ocorreram há quase cinco anos e, portanto, não são fatos recentes e não justificam a prisão temporária. Eduardo Cunha é o único que continuou preso, mas, devido a outros crimes.

Fonte: CBN

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