ECOLOGIA & MEIO AMBIENTE: BATERIA DE SAL VAI TORNAR OS VEÍCULOS ELÉTRICOS MAIS BARATOS

TERÇA, 07/08/2018, 06:00

Ecologia & Meio Ambiente

Baterias mais modernas devem deixar carros elétricos mais baratos

Os carros elétricos fazem parte da rotina de pesquisadores brasileiros, debruçados em projetos que lidam, principalmente, com novas formas de abastecimento. Entre elas, a “bateria de sal”, testada na usina de Itaipu. Empreendimentos imobiliários já oferecem vaga com tomada para recarga de veículos elétricos. É o que você vai conhecer hoje, no segundo capítulo da série de reportagens “Carro: o futuro é elétrico”.

Ônibus elétrico transporta alunos na UFSC.Foto: Soninha Vill/ GIZ. (Crédito: )

Ônibus elétrico transporta alunos na UFSC.Foto: Soninha Vill/ GIZ.

Por Chico Prado (chico.prado@cbn.com.br)

O programador Vitor Ruiz, de 31 anos, comprou um apartamento ainda na planta, na Zona Sul de São Paulo. Os atrativos na hora de fechar o negócio foram os de um imóvel ecologicamente correto. Água de reúso, espaço para instalação de placas de energia solar e ponto de recarga para carro elétrico. Isso chamou a atenção do Vitor.

“Com certeza é uma possibilidade para poder comprar um carro elétrico no futuro. Só de pensar que eu não preciso adaptar nada no meu condomínio, na minha casa, para conseguir carregar ou ter que procurar um ponto externo, me faz cogitar realmente comprar um carro elétrico num futuro próximo. Eu não sei quanto custa um carro elétrico no Brasil. Eu sei que não é preço de carro de entrada.”

Não é barato.

Um carro elétrico ou híbrido, com dois motores, um deles movido a gasolina, tem preço inicial em torno de R$ 120 mil.

Em todo o Brasil, a frota de modelos 100% elétricos não passa de trezentas unidades.

As variáveis que formam o preço são muitas.

Uma delas é a bateria de lítio tubular, item fundamental mas que encarece ainda mais os carros e ocupa mais espaço.

O grafeno, uma das formas cristalinas do carbono, tem sido testado com a promessa de armazenar 45% a mais de energia que as tradicionais, com autonomia para até 250 quilômetros.

Na usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, o sal é a principal matéria prima de um protótipo de bateria desenvolvido há cerca de um ano, com testes previstos para o primeiro semestre de 2019.

O engenheiro coordenador da pesquisa, Márcio Massakiti, diz que o modelo será bem menor e mais barato.

“Cloreto de sódio, que é o sal de cozinha, e o níquel. Quimicamente é a mesma coisa, porém a geometria dela propícia uma redução de custo de duas a três vezes. Ou seja, vai custar metade ou um terço da célula tubular. Ela tem um formato de um disco de aproximadamente dez centímetros de diâmetro e uns dois centímetros de altura.”

Na Universidade Federal de Santa Catarina, a recarga de veículos elétricos é feita com placas solares.

É assim que há 12 anos um ônibus transporta alunos pelo campus.

Coordenado pelo engenheiro Ricardo Ruther, o projeto também testa, com bons resultados, o uso das placas para abastecer um carro elétrico.

“Não existe problema de área disponível no telhado de uma casa para receber essa nova demanda. No lugar onde você trabalha, por exemplo, no lugar onde você vai fazer compras, quando você vai ao cinema. Todas essas vagas de veículos poderiam ser cobertas com placas fotovoltaicas, gerando sombra para o carro, além de toda energia que o carro precisa, já que o carro passa mais de vinte horas por dia parado. E a área ocupada pelo carro é suficiente para você ter uma cobertura solar pra atender integralmente o consumo de energia desse carro.”

A recarga de carros elétricos tem sido alvo de experiências em rodovias brasileiras.

Na via Dutra, entre São Paulo e Rio, uma montadora e uma empresa de energia portuguesa inauguraram seis pontos de abastecimento, com distância máxima de 120 quilômetros entre cada um.

Os carros disponíveis hoje têm autonomia mínima de 160 quilômetros.

Outro projeto, uma parceria entre a usina de Itaipu e a Companhia Paranaense de Energia, prevê a instalação de dez eletropostos ao longo dos 700 quilômetros entre Paranaguá e Foz do Iguaçu.

 

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