CULTURA: SÉRIE 60 ANOS DE BOSSA NOVA – 4ª REPORTAGEM

Na 4ª e última reportagem sobre os 60 anos de Bossa Nova artistas de vários cantos do mundo tentam explicar o porquê da longevidade do sucesso.

A bossa nova além das fronteiras

Sessenta anos depois, a bossa nova continua sendo o ritmo brasileiro mais cultuado no exterior. E, na última reportagem da série sobre os sessenta anos do movimento musical nascido na Zona Sul do Rio de Janeiro, artistas de vários cantos do mundo tentam explicar o porquê da longevidade do sucesso.

 

O japonês Takeo Tsutsui aprendeu a tocar bossa nova. Foto: divulgação (Crédito: )

O japonês Takeo Tsutsui aprendeu a tocar bossa nova. Foto: divulgação

POR GABRIEL SABOIA

Um ritmo que parece desconhecer idiomas, sotaques e fronteiras. Sessenta anos depois, aquela poesia feita por Tom e Vinícius – que encantou os principais expoentes do jazz nos anos 60 -, segue cruzando o oceano e continua como a música brasileira mais difundida no exterior. Mas, como explicar o sucesso da Bossa Nova mundo afora tanto tempo depois? Em busca de uma reposta, nós fomos ao outro lado do mundo, no Japão, onde a batida inventada por João Gilberto nunca saiu de moda e até inspirou japoneses a aprender a falar português. O violonista Takeo Tsutsui tenta explicar o porquê de o ritmo seguir no topo das paradas de sucesso de Tóquio até os dias de hoje.

“Eu queria tocar músicas como jazz, funk e soul. Todos eles têm harmonias e ritmos sofisticados. Mas em nenhum outro estilo consigo tocar sozinho. Por isso a bossa nova tem tudo o que preciso. Tem um som suave e simpático que combina perfeitamente com o sentimento dos japoneses. Eu ainda não encontrei um japonês que não goste de bossa nova”, afirma.

Na Ásia, na América ou na Europa. São poucos os que não conhecem alguma música composta por aquele grupo de jovens da Zona Sul carioca. Um levantamento da revista americana Billboard, feito no ano 2000, apontou “Garota de Ipanema” como a segunda música mais executada da história, atrás apenas de Yesterday, de Paul McCartney. Fã assumido da bossa nova, o guitarrista italiano Eddy Palermo ressalta outro ponto que pode explicar a longevidade do sucesso: para ele, a bossa nova consegue mexer com o imaginário das pessoas.

“Eu cresci ouvindo o jazz norte-americano, com pianistas como Erroll Garner e Oscar Peterson. Mas também com a bossa nova de Tom Jobim e Roberto Menescal. O jazz me instigou, mas a bossa me fez fechar os olhos e viajar com a imaginação. De tal forma que quando eu fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez, ele era exatamente como Tom Jobim havia descrito em suas músicas”, confessa.

E, se no Brasil o ritmo já não aparece nas listas das músicas mais tocadas, ele continua funcionando como uma das principais marcas da identidade nacional, e está presente nos grandes concertos, no cinema e – por que não? – nas salas de espera também. É a essa “bossa” que, tanto tempo depois, continua sendo “nova”, que artistas e fãs, do mundo inteiro, celebram os seus 60 anos.

Fonte: CBN

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