CULTURA: SÉRIE 60 ANOS DE BOSSA NOVA – 2ª REPORTAGEM

Continuando a nossa homenagem a Bossa Nova vamos reviver o grande hit Garota de Ipanema.

A Garota de Ipanema e do mundo

O segundo episódio da série sobre os 60 anos da bossa nova mostra como o ritmo ganhou o mundo e a admiração de artistas como Frank Sinatra a partir dos anos 1960, quando a Zona Sul do Rio começou a ficar pequena para aquela música inventada por Tom, Vinícius e João Gilberto.

 

Vinicius de Moraes e Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema. Foto: Arquivo Pessoal (Crédito: )

Vinicius de Moraes e Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema. Foto: Arquivo Pessoal

Por Gabriel Sabóia

Era como se tudo conspirasse para que o Brasil fosse visto como o país do futuro. Na economia, havia a euforia do fim da Segunda Guerra, enquanto Pelé e Garrincha traziam a Copa do Mundo. E, se o país estava na moda, por que não olhar pra música feita por aqui?

Foi com esse espírito que os americanos prestaram atenção à trilha sonora do filme “Orfeu do Carnaval”, feita por Tom Jobim, que trazia a música “Corcovado”. O sucesso foi imediato e os principais ícones do jazz passaram a regravar a música brasileira.

“Soft samba”, “brazilian jazz” ou simplesmente “bossa nova”. Aquele ritmo precisava ser apresentado ao mercado internacional. E, pra isso, foi montado um espetáculo no Carnegie Hall, em 1962. O músico Carlos Lyra, que se apresentou naquela noite, fala sobre a repercussão daquele show:

“Quando chegamos lá, nós encontramos uma plateia enorme de artistas que tinham sido convidados. Eram compositores, músicos e arranjadores. Eles assistiram o concerto e abriram as portas para entrevistas e shows, abrindo as portas do mundo para a bossa nova”.

Depois disso a bossa nova não pertencia à Copacabana ou Ipanema. O ritmo era do mundo, embora os seus principais expoentes nunca tenham perdido o apreço pelas mesas dos bares e pelas garotas que passavam num “doce balanço a caminho do mar”.

E foi naquele mesmo ano que Tom e Vinícius se encantaram pela modelo Helô Pinheiro. Mais de cinco décadas depois, a eterna Garota de Ipanema lembra de como ficou sabendo que havia inspirado a obra-prima da dupla:

“Eles já eram personalidades da MPB, mas eu não os conhecia pessoalmente. Eu soube pelo fotógrafo Elaine Caire, que veio ao meu encontro entusiasmado contar que estava no Bar Veloso e ouviu Tom e Vinicius comentarem na mesa ao lado que estavam fazendo uma música em minha homenagem. É claro que eu não acreditei. Mas, três anos depois, Vinicius resolveu revelar à imprensa que eu era a musa inspiradora da canção. Isso porque, a essa altura, já haviam várias meninas se dizendo ser a Garota de Ipanema”.

Dali mesmo, da mesa do bar, Tom atendeu a um telefonema que entraria pra história: Frank Sinatra também queria cantar a beleza da Garota de Ipanema. Mais ou menos na mesma época, João Gilberto recebia o convite do saxofonista Stan Getz praa fazer um disco e faturava o Grammy de 1965, deixando pra trás nomes como Elvis Presley, os Rolling Stones e os Beatles.

Não demorou para que as estrelas da bossa nova consolidassem as suas carreiras internacionais, mas se tornassem figuras raras no Brasil. Elitistas? Omissos durante o regime militar? Compositores de música de elevador? Esses foram alguns rótulos associados ao movimento nos anos seguintes, dos quais falamos nesta quarta-feira, na próxima reportagem da série.

Fonte: CBN

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