COMPORTAMENTO: A MELHOR SAFRA DE VINHOS BRASILEIROS DE TODOS OS TEMPOS ACABA DE SER PRODUZIDA

Esta é uma reportagem especial sobre vinhos, pois trata-se da melhor safra de vinhos produzidos na serra gaúcha de todos os tempos. Guardem o recado: Os vinhos da safra 2018 que estarão no mercado apenas em 2020 são da melhor safra de todos os tempos. Veja o porquê!

Vinhos: a melhor safra do Brasil, na prática

Crédito: divulgação

As amostras servidas na degustação: avant-première do que chega ao mercado em 2020 (Crédito: divulgação)

Celso Masson

As virtudes da safra 2018 começaram a ser exaltadas antes mesmo da colheita. Havia, por parte dos produtores, uma percepção de que as uvas estariam espetaculares, dadas as condições climáticas desde o período de hibernação das videiras, iniciado no inverno anterior. Pouca chuva, nada de granizo ou geada, variações ideais de temperatura entre o dia e a noite, entre outros fatores, criaram as condições perfeitas para uma safra excepcional.

As boas novas se alastraram rapidamente assim que a colheita começou, no início deste ano, tanto na Serra Gaúcha quanto na Campanha. Se, para os enólogos, havia a certeza de que estava tudo às mil maravilhas, faltava a aprovação da crítica. Atendendo a pedidos, o empresário Adriano Miolo apresentou, na terça-feira 21, uma seleção dos vinhos elaborados pela empresa da qual ele é o diretor superintendente, Miolo Wine Group. Além das qualidades da safra, a apresentação mostrou algumas das inovações que têm permitido um avanço significativo no resultado do vinho brasileiro que chega à taça do consumidor.

Um exemplo desse esforço é o Sauvigon Blanc Colheita Noturna, da Campanha Meridional. Para preservar os aromas da variedade, as uvas foram não apenas colhidas como desengaçadas à noite, no próprio vinhedo, e transportadas para a vinícola em tanques, de forma a evitar o calor excessivo do verão ao longo do dia. Outra novidade: a linha Single Vineyard, cujos varietais são selecionados a partir de pequenas parcelas definidas pelas características do solo, o que envolve um detalhado mapeamento de cada vinhedo. Resulta dessa divisão criteriosa aquilo que os enólogos consideram a “expressão máxima do terroir”.

Os pontos altos da degustação foram os vinhos ícone da marca: o cultuado Sesamarias, que só havia sido produzido em duas “safras de ouro” (2008 e 2001), e o Lote 43. O primeiro, em um limitadíssimo volume de 6912 garrafas, foi elaborado com as castas Touriga Nacional, Tannat, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tempranillo e seguiu um método de elaboração único desde o manejo das videiras, com produção limitada a um quilograma de uva por planta.

À colheita e à seleção manual dos cachos seguiu-se a microvinificação de cada uma das variedades, com maceração em pequenos tanques de inox refrigerados e fermentação integral em barricas de carvalho (com a remontagem feita com o giro da própria barrica). Embora o vinho ainda irá evoluir em um estágio de pelo menos 15 meses em madeira (carvalho francês de primeiro uso) e só chegará ao mercado em 2020, foi possível antever seu enorme potencial.

É bem provável que, pronto, seja o vinho nacional melhor pontuado e mais admirado de todos os tempos. Mas nem esse futuro promissor tira os méritos de seu parente mais próximo, o Lote 43. Testemunho vivo da evolução da vitivinicultura brasileira nos últimos 20 anos, esse rótulo que também só foi elaborado em safras especiais desde 1999 chega agora ao apogeu com um corte de 60% Merlot e 40% Cabernet Sauvignon dos vinhedos que rodeiam a sede da Miolo no coração da DO Vale dos Vinhedos, a primeira denominação de origem do Brasil.

Apesar do 15,3% de álcool, trata-se de um vinho equilibrado, com taninos já suaves (apesar de ser tão jovem) e surpreendente elegância. Os dois vinhos permitem afirmar que jamais houve uma safra como a de 2018 – e, felizmente, ela chegou para coroar o estado da arte das práticas vitivinícolas que estão revolucionando a produção nacional.

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