AUTOCONHECIMENTO: SAMADHI – A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

Na sessão de AUTOCONHECIMENTO desta quarta-feira continuo o estudo sobre o tema que hoje é o mais importante para a evolução humana e publico aqui um texto espetacular de Wagner Borges sobre a Expansão da Consciência ou SAMADHI como é conhecido pelos yogues da velha Índia.

SAMADHI – A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

– Por Wagner Borges –

Ao longo da história, dentro dos estudos espirituais, muito se tem falado de estados elevados de consciência, alcançados mediante o desenvolvimento das capacidades latentes do homem. Notadamente no Oriente antigo, estudantes e iniciados espirituais sempre buscaram tal condição de elevação consciencial.
Os iniciados do antigo Egito, os mestres taoístas da velha China, ou os monges tibetanos, todos buscavam esse estado de iluminação interna.
E, desde a velha Índia, os iogues vêm denominando esse ápice consciencial de “Samadhi” (1), o estado de iluminação espiritual, no qual o Ser se sente ligado ao Todo numa espécie de unidade cósmica; se sente uno com o próprio universo e todos os seres; torna-se multidimensional; sabe que ele e todos são um só dentro da mente cósmica; reconhece-se como centelha viva e imortal imersa na luz imanente de Brahman (2), o Supremo que está em tudo.
Os ocultistas ocidentais chamaram essa condição especial de “Expansão da Consciência”. Muitos budistas falam disso como “Satori”.
No início do século 20, o médico anglo-canadense Richard Maurice Bucke publicou um volumoso livro contendo relatos históricos e experiências psíquicas de pessoas que haviam experimentado esse estado de iluminação consciencial, chamando-a de estado de “Consciência Cósmica” – título de seu livro (3).
Aqui no Brasil, o ocultista Rosabys Camaysar também publicou uma obra com essa temática, denominando-a da mesma forma: “Consciência Cósmica” (4).
Samadhi é a expansão da consciência, que se sente integrada e plena na luz do Todo. E que palavras podem definir tal estado de iluminação espiritual? Por isso, muitos mestres davam como resposta o silêncio, quando perguntados sobre esta condição incomensurável. Eles sabiam que não há como definir ou explicar o inefável, que não há palavras que façam jus à sensação de sentir-se fundido ao Amor Universal que a tudo e a todos permeia interdimensionalmente.
Como descrever a comunhão espiritual com o Todo? O toque do infinito no Ser? O coração do homem pulsando dentro do Grande Coração do Grande Espírito? Uma centelha viva dentro da Luz do Todo?
A essa condição de plenitude consciencial, os iogues chamaram de Samadhi; O Ser no UM! A luz na Luz! O amor no Amor; tudo UM!

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O Iogue Ramacháraca publicou alguns trabalhos sobre esse estado elevado. Para enriquecer esses escritos, reproduzo alguns trechos de seus ensinamentos logo abaixo (5).
“Geralmente, pode-se definir esse Conhecimento Cósmico como um verdadeiro conhecimento da Unidade de tudo e da conexão própria com esse Um. O átomo de luz, ajudando a compor o raio, realiza por um instante a sua conexão com o Sol Central; a gota no oceano realiza por um momento a sua relação com o Oceano do Espírito. Os hindus chamaram a mais intensa manifestação desta luz que emana da Mente Espiritual e ilumina a consciência, ‘Esplendor Brâmico ‘ ou ‘Esplendor de Brahma ‘.
A emoção que prevalece durante esta experiência é o sentido de intensa alegria – uma coisa acima de qualquer outro prazer que se tem sentido – a sensação de Alegria absoluta, se pudéssemos usar este termo. E a lembrança desta grande Alegria, o reflexo da sua luz, persiste na alma para sempre. Quem uma vez experimentou isto, fica sendo, depois, sempre mais alegre e feliz, parecendo possuir uma fonte oculta e secreta de alegria de que pode beber, quando a alma tem sede. O prazer intenso fenece gradualmente, mas algo dele permanece, para confortar e alegrar. Este sentimento de Alegria é tão forte que se pode depois pensar nele com a mais viva delícia; a sua recordação faz com que o sangue se apresse em sua circulação e o coração palpite.
Também se experimenta uma iluminação intelectual ou derramamento de saber ou conhecimento, que é impossível descrever. A alma torna-se consciente de que possui em si mesma o saber absoluto, o conhecimento de todas as coisas; em si mesma reconhece o porquê e o para que das coisas.
Esta sensação não pode ser descrita nem aproximadamente; é tão diferente e acima de tudo que a mente humana experimentou, que não há simplesmente palavras que possam dizer o que se sentiu e conheceu. Tudo parece tornar-se claro; mas não há sentimento de aumento da aptidão de raciocinar, deduzir, classificar ou determinar; a alma simplesmente sabe.
O sentimento deste saber pode durar apenas uma fração de segundo de tempo – durante ele perde-se a noção de tempo e lugar – mas quando passa, vem à alma um intenso pesar de ter escapado à mente aquela grande coisa – a mágoa que não pode imaginar quem não a experimentou. O único consolo que a mente acha é a certeza de que, uma vez, em alguma parte, a experiência se repetirá; e esta certeza é o motivo por que se acha que vale a pena viver. É um antegosto daquilo que aguarda a alma.
Uma das principais coisas que, indelevelmente, são gravadas na alma por este raio da consciência superior é o saber, a certeza, que a Vida penetra tudo, que o Universo está cheio de vida e que não é uma coisa morta. Vê-se que a Vida e a Inteligência enchem tudo. Sente-se a Vida Eterna. Compreende-se a Infinidade. E as palavras ‘Eterno’ e ‘Infinito’ têm, mesmo depois, sentido distinto e real, quando nelas se pensa, embora não se possa explicar o sentido a outros.
Outra sensação é a de Amor perfeito a toda a Vida; também esta sensação transcende a todo o sentimento de amor que se tem experimentado antes. A alma sente intrepidez, ou talvez seja melhor dizer que não é consciente de medo – não se acha motivos para que o medo exista, e ele desaparece. Nem se pensa em medo durante a experiência, e só se sabe que a alma esteve dele totalmente livre, quando mais tarde se recorda de suas sensações. O sentimento do saber, a certeza, a fé e a confiança não deixam lugar para o medo.
Igualmente desapareceu do homem que experimenta a Consciência Cósmica, a sensação que denominamos ‘consciência do pecado’. A concepção da ‘Bondade’ do Universo inteiro tomou o seu lugar. Com a palavra ‘Bondade’ não queremos dizer a bondade de uma coisa, comparada com outra, mas no sentido de Bondade absoluta.
Como dissemos, quando esta experiência vem à alma, deixa o homem como transformado em outro ser; o homem nunca mais é o mesmo que era antes.”

Fonte: IPPB

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